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Especismo é tema de projeto de pesquisa no Instituto Federal de Alagoas

10 de setembro de 2019
4 min. de leitura
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“Educar a juventude para não perpetuar as violências e os horrores do especismo é urgente”


Por David Arioch


O professor e ativista Renato Bittencourt está orientando a estudante Camily Vitória em projeto que deve ser concluído em julho de 2020 (Fotos: Divulgação)

Cunhado pelo psicólogo britânico Richard D. Ryder em 1970, o termo especismo se refere a uma forma de discriminação que se baseia na ideia de que pelo fato do ser humano considerar outros seres sencientes inferiores, ele ignora seus interesses em não sofrer.

Pensando no impacto que o especismo tem no mundo, já que muitos animais são explorados e reduzidos a produtos em decorrência da negação de direitos, o professor Renato Libardi Bittencourt, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) – Campus Maragogi, está orientando um projeto de pesquisa (iniciação científica – Pibic) que tem como objetivo provar que a lógica que fundamenta o especismo é a mesma que estrutura outras violências como o racismo e o machismo.

A intenção do projeto, que tem como orientanda a estudante Camily Vitória Borges da Silva, do curso de Hospedagem do Ifal, que foi escolhida pelo seu interesse pelo tema, é desmascarar o que Renato define como “lógicas supremacistas e antiéticas” que ajudam a perpetuar a exploração animal.

“A ideia do projeto surgiu a partir da divulgação do Edital da Pró-Reitoria de Pesquisa e, é claro, da vontade de explorar essa oportunidade para realizar uma pesquisa nunca antes feita na instituição. Até onde se sabe, o projeto é pioneiro na rede de ensino médio-técnico Federal”, explica o professor que também é ativista dos grupos de defesa dos direitos animais 296Life Nordeste e Vozes em Luto Nordeste.

O prazo para conclusão do trabalho é 19 de julho de 2020. “Por conta dos cortes e bloqueios do Ministério da Educação, o projeto não está sendo financiado com bolsa, mas é apoiado pela gestão do Instituto Federal. O desenvolvimento está a todo o vapor. Nos encontramos semanalmente para estudar e discutir a revisão de literatura sobre o tema. Aos poucos a orientanda está percebendo as fortes conexões entre especismo, racismo e machismo”, informa.

E acrescenta: “Atualmente a Camily é vegetariana e quer fazer a transição pro veganismo. É seu maior sonho, como ela sempre me fala. No final do projeto, nosso objetivo é divulgar nossas conclusões nos congressos científicos da Instituição, levando o conhecimento acerca do especismo ao público”, revela.

“Sempre dedico um bimestre para trabalhar o especismo”

“Atualmente a Camily é vegetariana e quer fazer a transição pro veganismo. É seu maior sonho, como ela sempre me fala” (Fotos: Divulgação)

Professor efetivo do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) desde 2017, Renato Libardi Bittencourt fez graduação e mestrado em filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e conta que sempre teve inclinação para o veganismo.

“Fui vegetariano por cinco anos e meu primeiro contato com o tema do especismo foi no mestrado quando estudamos Peter Singer em uma disciplina.”

Em 2018, seus amigos da banda punk vegana Guerra Urbana o convidaram a participar de um ato do grupo 269Life Nordeste. “Foi aí que um mundo e uma reflexão nova se abriram para mim. Decidi fazer a transição pro veganismo ainda em 2018, já atuando firmemente no 269 e no Vozes em Luto. Deu meia-noite do Ano Novo e me tornei vegano. Desde então, não perco um ato ou evento em prol da libertação animal”, confidencia.

Renato garante que o ativismo o fez enxergar que na educação ele poderia dar sua parcela de contribuição. “Acredito que é na escola que deveríamos ter o primeiro contato com o tema dos direitos animais. Desde 2018, venho trabalhando o especismo em todas as minhas turmas. Sempre dedico um bimestre para trabalhar o especismo – sempre com os quartos anos do Ensino Médio”, pontua.

E complementa: “Minha área de pesquisa como professor de filosofia é justamente a ética. Creio que a filosofia tem uma dívida histórica com os animais. As instituições de ensino também ajudam a perpetuar o anonimato dos direitos animais.”

O professor e ativista reforça que, na sua opinião, o espaço escolar deve, por essência, despertar a criticidade acerca da cultura e das nossas ações no mundo.

“Educar a juventude para não perpetuar as violências e os horrores do especismo é urgente. Essa é a minha missão como professor e como ser humano, buscar a justiça e a paz. E uma cultura de paz começa com a abolição de todas as violências, principalmente contra os animais.”


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