Alguns rituais de magia, feitos na sexta-feira 13, ainda utilizam gatos pretos como oferenda


Por Fátima ChuEcco


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Os protetores de animais já sabem: dias antes de uma sexta-feira 13 não se doa animais pretos. Embora a maior parte dos rituais de magia tenham preferência por gatos pretos, os protetores evitam doar ainda cachorros da mesma cor e estenderam os cuidados para gatos totalmente brancos ou amarelos – também já encontrados nesses rituais com mutilações das mais diversas.

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Infelizmente, ainda existem crenças de obtenção de poder ou aniquilação de um desafeto por meio da extração de órgãos internos ou rabos, orelhas, patas e olhos dos gatos. O gato preto, independente desses rituais, já sofre preconceito devido a sua cor. No passado, mais precisamente na Idade Média quando houve a “Caça às Bruxas” durante séculos, o gato preto foi associado as trevas, demônio e azar. A imagem negativa conseguiu chegar ao século XXI e por isso os gatos pretos ainda são os mais abandonados nas ruas e os que mais sobram nos abrigos.

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Numa matéria da ANDA sobre esse assunto, Juliana Bussab, da ONG “Adote um Gatinho” falou da importância de proteger ainda mais os gatos pretos nessa época: “Foi uma necessidade que veio com o tempo. A gente ainda não tinha essa experiência, mas logo no nosso primeiro ano, encontramos um gatinho preto com os olhos costurados em frente ao cemitério da Vila Mariana, em SP. Foi quando começamos a não doar mais nessas datas”.

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Na mesma matéria, outra protetora. Fernanda Barros, do “Projeto Segunda Chance”, dá o alerta: “Infelizmente, já vimos casos terríveis de mortes de animais em rituais religiosos, de violência e atrocidades contra bichos pretos abandonados. Entramos em alerta pelo menos um mês antes da sexta-feira 13, redobrando os cuidados nos processos de adoções, e interrompemos a adoção de cães e gatos pretos 15 dias antes da data. Para adotar, nos casos de animais pretos, além de toda a checagem normal, somente entregamos o animal após a sexta-feira 13”, diz.

Em outra matéria da ANDA há uma explicação minuciosa de como o gato preto foi ganhando má fama ao longo do tempo. Num passado remoto, eles foram decretados inimigos da humanidade pela Igreja Católica embora na Bíblia não exista nenhuma menção favorável ou negativa referente aos gatos.

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O Papa Gregório IX, em 1232, fundou a Santa Inquisição que durante seis séculos perseguiria mulheres, homossexuais, judeus, ateus, gatos e seus admiradores. Ele afirmava que “o diabólico gato preto, cor do mal e da vergonha, havia caído das nuvens para a infelicidade dos homens”.
Para se ter uma ideia da barbárie cometida contra os gatos basta citar que foram emparedados vivos para “suposta” proteção de casas, igrejas e castelos. Foram lançados do alto de muralhas e, como todos sabem, queimados vivos junto com as bruxas.

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Um curto alívio para tanta matança só veio quando os gatos foram usados para combater a “Peste Bubônica ou Peste Negra” entre 1347 e 1350. Nenhum tipo de extermínio de ratos funcionou na época, mas os gatos os botaram para correr em pouco tempo ajudando na eliminação do foco da doença. Porém, a felicidade durou pouco e o preconceito voltou. No Reino Unido, no entanto, há uma certa simpatia coletiva pelos gatos pretos e quase toda casa tem um gato dessa cor como membro da família. No Brasil os gatos pretos ainda são os mais rejeitados.


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