A ANDA entrevistou o homem que salvou centenas de gatos na Síria


Por Fátima ChuEcco

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O Ernesto`s Paradise (Paraíso do Ernesto), conhecido também como Santuário do Ernesto para Gatos na Síria, recebeu nas últimas semanas mais de 100 hóspedes felinos resgatados de locais recentemente bombardeados. O santuário, criado por Mohammad Alaa Aljaleel, tem nesse momento 400 gatos, além de alguns cães, cavalos, coelhos, um burrinho e uma galinha.

Em 2012 Aljaleel era motorista de ambulância e, pelo caminho, ajudava os animais soltos pelas ruas distribuindo comida em diversos pontos. Ele ficou famoso ao ser filmado alimentando os animais em zonas de conflito e ganhou o apelido de “O homem-gato de Aleppo” – cidade onde ele fazia a maior parte do seu trabalho.

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Em 2015 ele começou a levar os gatos para casa porque vários estavam muito debilitados ou feridos. Ele colocava comida dentro de gaiolas, ficava um pouco distante e no momento certo abaixava a grade dos recintos (método que ele usa até hoje).

Nessa época seu trabalho ganhou um reforço com a italiana Alessandra Abidin que, comovida por seu gesto, passou a divulgar seu empenho em salvar os gatos para angariar fundos e ajuda veterinária. Foi então inaugurada a “Casa de Ernesto”, que recebeu esse nome em homenagem ao gato mais antigo de Aljaleel.

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Num país em guerra, no entanto, a vida é ainda mais imprevisível e, em 2017, o abrigo foi totalmente destruído por um bombardeio. Só deu tempo de Aljaleel escapar com a família e seu gato Ernesto para a Turquia. Ele calcula que os demais gatos morreram no bombardeio.

No mesmo ano, assim que pôde, ele retornou a Aleppo para recomeçar o abrigo do zero. Doações ajudaram a erguer de novo um lugar para acolher tanto os gatos quanto outros “órfãos da guerra” – era o Ernesto`s Paradise surgindo das cinzas.

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Atualmente, um veterinário atua 24 horas dentro do próprio santuário e, embora sejam muitos, todos os animais recebem nome, como os recém-chegados filhotes de gato: Zorrito, Meschka, Anna Banana e Gordito.

A simpática e única galinha do grupo se chama Ludovica. Uma página no Facebook mostra fotos e vídeos do cotidiano do Ernesto`s Paradise, além de relatos de Aljaleel sobre as ações de salvamento mais recentes.

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A ANDA conversou com Aljaleel:

ANDA: Como é o cotidiano de vocês?

Aljaleel: Basicamente estamos envolvidos com resgates perigosos em cidades bombardeadas. Pegamos mais de 100 gatos nas últimas duas semanas na cidade de Kafr Nabl que ainda está sob bombardeio. Alguns gatos se refugiam em prédios bombardeados e temos que ser muito cautelosos quando estamos rastejando pelos escombros para alcançar esses animais. Os perigos de ficar preso ou esmagado estão sempre presentes.

ANDA: O Ernesto ainda vive no santuário?

Aljaleel: Ernesto era meu gato querido e, aliás, fico triste em dizer que ele não está mais aqui. Agora estamos com um novo santuário que tem uma área muito maior que o antigo abrigo e está totalmente fechado impedindo que os animais saiam. Mas antes dessas medidas de segurança o Ernesto conseguia sair para visitar as fazendas próximas e, embora o tenhamos visto por um tempo, ele não voltou mais para o santuário. Sentimos muita falta dele.

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ANDA: Da onde vem essa paixão por gatos?

Aljaleel: Eu cresci com gatos quando criança e meu pai também os amava. Ele me ensinou a cuidar deles e é algo que sempre fiz.

ANDA: Por que você decidiu ajudar os animais que estão nas ruas?

Aljaleel: Eu amo todos os animais, eles são as vítimas esquecidas desta guerra. Eles sentem dor e fome da mesma forma que os humanos. Todos eles merecem compaixão.

ANDA: Vocês conseguem castrar os gatos?

Aljaleel: Nosso veterinário castra os animais, mas é um trabalho muito difícil porque muitas vezes somos impedidos pela falta de anestésicos e medicamentos. Além disso, ainda existem filhotes nascidos aqui, pois, algumas gatas chegam grávidas.

ANDA: Como vocês escolhem os nomes?

Aljaleel: Erik, Maxi, Ciquita, Deano, Shadi, Cupcake, Cervejas, Crocus, Simba … uma longa lista. Temos uma equipe de trabalhadores que ajudam no santuário. São cuidadores de diferentes locais com várias sugestões de nomes para os gatos.

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ANDA: Os animais que chegam ficam para sempre no santuário?

Aljaleel: Tentamos doá-los. Cinco dos nossos cães encontraram recentemente excelentes novas famílias. Todos os novos tutores assinaram conosco acordos de adoção com obrigações de cuidar e com a possibilidade de fazer um exame médico quando assim quisermos.

ANDA: Como vocês conseguem alimentos e medicamentos?

Aljaleel: A guerra está aqui e ninguém pode nos enviar comida, medicamentos ou equipamentos, mas podem ajudar com doações em dinheiro ou comprando os produtos de nosso site. Tudo vai para cuidar dos gatos e dos outros animais.

Conheça alguns dos hóspedes do Ernesto`s Paradise neste vídeo:

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal


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