Dingos australianos são envenenados, baleados e mortos aos milhares por fazendeiros


Vistos pelos agricultores da Austrália como pragas e ameaças às suas criações os cães selvagens nativos do país são mortos aos milhares todos os anos com consentimento do governo


 

Dingo australiano | Foto: Bobby Tamayo
Dingo australiano | Foto: Bobby Tamayo

Os dingos, espécie de cão endêmica e símbolo da Austrália, são tão icônicos para o país quanto os coalas e, no entanto, não recebem a mesma atenção e importância e estão sendo brutalmente envenenados aos milhares.

Os dingos fazem parte da paisagem australiana há pelo menos 4500 anos, mas seus dias poderão chegar ao fim em breve.

O massacre de cães nativos da Austrália por agricultores que os veem como nada além de pragas vem ocorrendo com a aprovação do governo há décadas.

Todos os anos, milhares de dingos são mortos a tiros ou por mais de mil tipos de venenos, que foram introduzidos na década de 1950.

Mas uma coalizão improvável de cientistas, conservacionistas e pastores de animais amigos do dingo se uniram para salvar o cão icônico da extinção.

Embora os cientistas não cheguem a um acordo sobre se devem ou não ser classificados como canus familiarus como o cão doméstico ou o canus dingo, eles estão determinados a mudar seu status de “praga” como são conhecidos esses animais e fazem pressão junto as autoridades para que sejam reconhecidos pelo importante papel ecológico que desempenham como o principal predador da Austrália.

Foto: Thomas Newsome
Foto: Thomas Newsome

Dr. Thomas Newsome, professor de ecologia na Universidade de Sydney é um dos nomes que estão na luta para salvar o dingo.

O Dr. Newsome é co-autor de um artigo argumentando que o dingo deve ser classificado como uma espécie distinta, e não na mesma categoria do cão da família.

Ele disse que eles estão isolados geograficamente há pelo menos 4500 anos e evoluíram para um cão distinto com um comportamento morfológico único.

“Poucas pessoas sabem que os dingos são considerados uma praga legislativa e mortos indiscriminadamente”, disse ele.

“As medidas de controle se referem em seus textos aos ‘cães selvagens’, o que é enganoso, e eu suspeito que haveria uma atitude diferente em relação ao controle se o termo dingo fosse usado. Dingo evoca uma reação muito positiva”.

O cientista disse que as iscas aéreas causaram o declínio da população em até 90% em algumas áreas, sem medições ou rastreamento adequados para avaliar se houve realmente uma redução nas perdas de bois e vacas.

Foto: Graeme Finlayson
Foto: Graeme Finlayson

“Existem áreas onde os dingos estão completamente erradicados”.

“Estamos nos esforçando ao máximo para não alterar o ecossistema e ao mesmo tempo permitir a agricultura”, disse o Dr. Newsome.

Ele argumenta que tirar dingos do ecossistema pode ter uma série de consequências negativas, incluindo uma superabundância de emas e cangurus e um aumento de raposas e gatos selvagens.

O Dr. Newsome está pressionando o governo para aprovar um programa de reintrodução de dingo que lhe permita estudar o que acontece quando o predador de primeira ordem retornar e como o ecossistema responderia a isso.

“Há evidências de que eles podem ter efeitos positivos”.

Foto: Angus Emmett
Foto: Angus Emmett

Angus Emmott, pertence a terceira geração de fazendeiros cuja família está no posto desde 1914. Seu apoio ao dingo o colocou em conflito com outros agricultores do país.

“Fui alvo de muitas críticas. A maioria das pessoas não parece disposta a falar comigo sobre isso, mas geralmente convive bem com meu filho ou esposa”.

“A razão pela qual a maioria das pessoas não concorda com a mudança é porque é assim que sempre foi feito. Não abordamos a questão do ponto de vista dos animais, sempre travamos guerra contra eles, em vez de procurar como resolver o problema de maneira natural. Estamos matando dingos há mais de 40 anos e o problema dos cães selvagens está aumentando, o que tem um significado forte”

Emmott acredita que deixar o dingo em paz leva a melhores resultados de biodiversidade, o que também beneficia os bois e vacas, o criador não consegue entender por que todos os pastores não fazem isso também.

“Isso representaria um ganho para os dois lados”, ele disse.

Emmott descobriu que deixar os dingoes em paz (sem matá-los) lhes permite manter seus fortes grupos familiares, o que mantem seus números sob controle.

“Quando você começa a perturbar os grupos familiares, acaba tendo cães que não fazem mais parte do grupo familiar e correndo em bandos matando mais cães do que normalmente faria apenas para comer”.

“Acredito que seria muito mais benéfico para grandes áreas da Austrália melhorar o solo e proteger a terra e nossas pequenas espécies animais e biodiversidade em geral”.

Foto: Thomas Newsome
Foto: Thomas Newsome

No entanto, ele enfatiza que os dingos não se dão bem com ovelhas ou cabras, portanto, cultivá-las requer o uso de guardiões e cercas.

“As pessoas estão com muito medo de levantar a cabeça e dizer qualquer coisa por causa da natureza tóxica da discussão”, disse Emmott.

O conservacionista de Evan Quatermaine da Humane Society International também empresta sua voz em defesa do dingos australianos.

Quartermaine disse que, desde o início de 1800, os métodos e o número de envenenamento, captura e tiros usados na morte de dingos permaneceram praticamente inalterados.

“Essa falha em inovar fez a Austrália ficar para trás no resto do mundo no que diz respeito ao manejo não letal de predadores, não apenas a um grande custo para a nossa biodiversidade, mas com impactos significativos no bem-estar dos animais nos dingos e nos bois vacas e ovelhas que são as justificativas usadas para sua morte. É desnecessário, na melhor das hipóteses, e contraproducente”, disse ele.

Quartermaine acusou a Austrália de matar dingos em massa.

“Tudo isso está sendo feito sob o pretexto de gerenciar uma espécie de praga quando não há espécies de pragas. Há um predador nativo de primeira linha fazendo o que faz normalmente na natureza”, disse ele.

Quartermaine disse que, como não há requisitos de denúncia de assassinatos de dingos, é impossível avaliar adequadamente os números de mortos.

“Sabemos o número de coleções de escalpos de dingos aparecem aos milhares a cada ano”, disse ele.

A Humane Society International está pressionando o governo australiano pela cessação de controles indiscriminados, principalmente envenenamento, e dando apoio aos agricultores para estabelecer as muitas opções não letais de proteção de animais de criação disponíveis que já são usadas em todo o mundo.

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