Tutora diz que adotar cadela com leishmaniose a fez ‘olhar para a vida animal com outros olhos’

Janaína Ferreira dá medicamentos à cadela e a leva ao veterinário com frequência. Com cuidados e muito amor, Sexta-feira, como é chamada, vive uma vida normal


Adotar uma cadela com leishmaniose mudou a vida da professora de violão Janaína Ferreira – e também de Sexta-feira, como passou a ser chamada a nova integrante da família. Janaína voltava pra casa dirigindo uma mota, após sair de um bar, quando começou a ser seguida pela cadela. Ela ainda não imaginava, mas havia encontrado uma fiel companheira.

A insistência da cadela, que seguiu a moto por quatro quarteirões, chamou a atenção de Janaína, que decidiu levá-la para casa. “Ela correu quadras atrás da minha moto, e quando chegou perto, pulou na minha perna quando eu perguntei se ela queria ir comigo”, contou ao G1.

Janaína e Sexta-feira (Foto: Janaína Ferreira/Arquivo Pessoal)

Com a adoção, Sexta-feira – que recebeu este nome por ter sido resgatada da rua neste dia da semana – foi submetida a exames em uma clínica veterinária e então veio o diagnóstico positivo para leishmaniose.

A tutora foi informada, então, que existiam duas possibilidades: submeter a cadela a um tratamento que deveria ser feito durante toda a vida dela ou sacrificá-la. A segunda hipótese, porém, não serviu para Janaína, que preferiu lutar por aquele animal que quis tanto a sua companhia. O tratamento, então, foi iniciado.

“Acho incrível que ela receba diariamente a dose recomendada do medicamento sem sequer pestanejar, senta e espera que eu coloque os comprimidos no fundo da boca, como se soubesse que isso salva a vida dela. Essa situação me fez olhar para a vida animal com outros olhos, principalmente quando falamos de animais abandonados. São vidas que dependem da gente”, disse a professora.

A adoção aconteceu em 2013, época em que Janaína já cogitava adotar um animal para amenizar a solidão de morar sozinha. “Mesmo com a responsabilidade de ter que medicar e levar ao veterinário, de ter que deixá-la aos cuidados dos meus pais ou amigos quando preciso me ausentar, nada paga a sensação de gratidão que sinto ao olhar para ela”, afirmou a professora, emocionada.

A rotina da professora inclui medicar a cadela e levá-la frequentemente ao veterinário. Mas Sexta-feira não é a única cadela da família. Depois dela, Janaína adotou outros dois cães – que usam coleiras repelentes para evitar que se contaminem com a doença.

Leishmaniose

Transmitida pelo mosquito palha, a leishmaniose visceral é uma doença parasitária crônica. O cachorro, porém, é apenas hospedeiro da doença, e não transmissor dela. O que significa que ele não passa a leishmaniose para humanos.

“O cão não transmite a doença diretamente para o ser humano, portanto, não há restrições de contato do animal com o ser humano. É totalmente possível levar uma vida tranquila com o cão, desde que exista acompanhamento veterinário e o tutor esteja disposto a seguir corretamente as recomendações”, explicou ao G1 a veterinária Hilda Capuchinho.

Segundo ela, animais diagnosticados com a doença precisam ingerir medicamentos de maneira contínua e passar por consulta veterinária ao menos duas vezes por ano. Eles devem também usar coleiras repelentes próprias para cachorros, que inibem o contato do mosquito transmissor. Além disso, é necessário que o tutor mantenha o quintal limpo e uso repelentes naturais.

“É importante lembrar que a leishmaniose é uma zoonose, ou seja, doença que pode ser transmitida para o ser humano [por meio da picada do mosquito], então ao decidir fazer o tratamento, o tutor deve estar ciente de sua responsabilidade com o animal e também social. Fazendo o tratamento corretamente, com responsabilidade, o animal consegue levar uma vida saudável”, disse.

As orientações de Hilda são reforçadas pelo médico veterinário Raymundo Chaves Neto, que além de trabalhar na área também é tutor de três cachorros com leishmaniose, além de outros dois cães saudáveis.

Nala (Foto: Raymundo Neto/Arquivo Pessoal)

Nala, Kiba e Molly – que têm 10, 8 e 7 anos, respectivamente – recebem tratamento para a doença e são submetidos a exames regularmente.

O tratamento é tão eficiente que, no caso de Nala, um dos exames recentes deu resultado negativo, apesar da cadela ter a doença. Segundo o veterinário, a razão disso é a medicação.

“Fiz exames recentes dela para uma mastectomia e castração, todos os exames normais, inclusive o de leishmaniose deu negativo. Ela continua infectada pelo protozoário, mas entra num estágio que chamamos de assintomático”, contou o veterinário.

No entanto, Neto lembra que mesmo quando o resultado do exame do cachorro contaminado com a doença é negativo, o tratamento não pode sem abandonado. É importante, segundo ele, que cães com leishmaniose recebam medicações e tenham acompanhamento veterinário durante toda a vida, independentemente da circunstância.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support
>