FISCALIZAÇÃO

Ibama lança edital para contratar empresa privada para monitorar desmatamento na Amazônia

Especialistas criticaram a decisão do governo de não usar dados do Inpe sobre desmatamento. O instituto é conceituado e seus levantamentos são apontados como decisivos na redução do desmate de áreas no Brasil.

Imagem registra desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP/Arquivo)

O Ibama lançou um edital, nesta quarta-feira (21), para contratar uma empresa privada para fazer o monitoramento do desmatamento na Amazônia.

Imagem registra desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP/Arquivo)

A decisão de apelar à iniciativa privada, que já tinha sido anunciada pelo governo Bolsonaro, preocupa, especialmente após dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) serem classificados como mentirosos pelo presidente, que pediu a exoneração do diretor do instituto, Ricardo Galvão, após discordar dos levantamentos feitos. A preocupação existe devido ao risco dos dados de desmatamento não serem amplamente divulgados com a contratação de uma empresa privada para a execução do serviço.

A descrição do edital afirma que o governo federal faz “prospecção de empresas especializadas no fornecimento de serviços de monitoramento contínuo utilizando-se do imageamento diário por imagens orbitais ortorretificadas de alta resolução espacial para geração de alertas diários” e explica que o governo busca “imagens com resolução espacial igual ou melhor que 3,0 metros” e “resolução radiométrica igual ou melhor que 12 bits”. As empresas terão oito dias para apresentar propostas.

As exigências do edital coincidem com o que oferece a empresa norte-americana Planet. No site oficial da companhia, consta a Santiago & Cintra Consultoria como parceira no Brasil, que já firmou contratos para monitorar desmatamento no Pará e no Mato Grosso.

Dados dos satélites da Planet foram usados pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para criticar os levantamentos feitos pelo Inpe. De acordo com informações do G1, especialistas criticaram a decisão do governo de não usar dados do Inpe sobre desmatamento. Adotadas desde 2004, as estatísticas do instituto nunca foram contestadas antes – a não ser pelo atual ministro, porém sem provas – e são apontadas como decisivas na redução do desmate de áreas no Brasil. O sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Inpe fornece imagens que cobrem uma área de 64 metros de resolução espacial.

Dentre os especialistas contrários ao monitoramento privado está o ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, cientista renomado e conhecido internacionalmente. Ao participar do programa Painel, da GloboNews, junto de Ricardo Salles, Galvão rebateu a defesa do ministro à contratação de uma empresa privada para monitorar o desmatamento.

O cientista afirmou que é necessário usar a “ciência brasileira” para o monitoramento do desmatamento porque já existem ONGs e institutos capacitados no país para colher tais informações.


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