m golfinho executa truque para o público no Dolfinário de Varna | Foto: Amanda Viajando
Golfinho executa truque para o público no Golfinário de Varna | Foto: Amanda Viajando

Um golfinho bebê morreu em um parque aquático búlgaro após dar sinais de estar “sobrecarregado” com os truques antinaturais e acrobacias que era obrigado a fazer.

O animal tinha apenas nove dias de idade quando faleceu no Varna Dolphinarium, localizado na Bulgária, informam veículos de mídia local.

A pequena criatura indefesa teria morrido na frente de uma plateia lotada, espectadores contam que uma equipe de funcionários os conduziu de forma apressada para fora da arena de shows no momento do ocorrido.

Um dos visitantes que estava na plateia, Bisser Lyubenov, disse à BTV Novinite: “Houve um distúrbio, e de repente os golfinhos pararam de brincar e fazer truques”.

A mãe golfinho e seu bebê (quando vivo) nadam em torno de um pequeno tanque no parque | Foto: BTV2
Mãe golfinho e seu bebê (quando vivo) nadam em torno de um pequeno tanque no parque | Foto: BTV2

O corpo do bebê podia ser visto pelos visitantes do café do parque, de acordo com outra telespectadora do show.

Não ficou claro do que exatamente o bebê golfinho morreu, mas os especialistas culparam as condições no golfinário, a vida em cativeiro, e a exploração diária a que os animais eram submetidos em troca de comida.

Os golfinhos do parque são forçados a se apresentar quatro vezes ao dia durante a alta temporada de verão, quando levas de turistas visitam o golfinário.

E apesar da pouca idade, o bebê golfinho foi forçado a se apresentar com os adultos, afirmam relatos.

Comentários de internautas no Facebook criticaram ferozmente a atração, chamando-a de “tortura” por explorar e sobrecarregar os animais.

O incidente provocou indignação nas mídias sociais e uma petição pedindo o fechamento do parque está sendo divulgada.

“Eu vi o show uma vez e ainda estou horrorizado com a forma como os golfinhos são tratados! É claro que é conseguido um grande lucro às custas dos animais que são forçados a se apresentar com muita frequência”, escreveu uma pessoa no Facebook.

Dias após a morte dos golfinhos, a ONG Four Paws, que atua em defesa dos animais alertou a mídia búlgara sobre outra questão que enfureceu ainda mais os amantes dos animais.

Um grupo de legisladores propôs uma mudança na lei existente de proteção aos animais, que tornaria legal o ato de manter os dois leões-marinhos atualmente usados para “beijar” turistas em fotos na atração e participar de shows ao vivo.

“Se shows com leões-marinhos puderem acontecer, isso será um inferno para os animais”, diz Gechev. “Os legisladores precisam mudar a maneira de pensar e, em vez disso, seguirem na direção oposta, proibindo ou limitando as apresentações existentes com golfinhos e demais animais marinhos”.

Yavor Gechev, da Four Paws, disse à BBC News que cinco golfinhos e uma foca morreram no parque nos últimos cinco anos.

Cinco filhotes de golfinhos e um leão-marinho morreram aqui nos últimos cinco anos | Foto: BISSER LYUBENOV/BTV
Cinco filhotes de golfinhos e um leão-marinho morreram aqui nos últimos cinco anos | Foto: BISSER LYUBENOV/BTV

Ele destacou que a terrível contagem de mortes estava bem acima da média, acrescentando: “Isso significa categoricamente que as condições não atendem nem aos padrões mínimos para manter esses animais”.

“Os animais estão lutando para sobreviver lá, eles não estão apenas vivendo”.

Sabe-se que os golfinhos nascidos em cativeiro têm uma taxa de mortalidade mais alta do que os nascidos na natureza, com entre 50 e 75% morrendo já no primeiro ano de vida.

Estudo comprovam também que mamíferos inteligentes, como orcas e golfinhos, são vítimas de sofrimento mental em cativeiro.

Comportamentos compulsivos como automutilação, movimentos repetidos sem finalidade, como nado em círculos ou sem rumo definido e movimentos compulsivos como bater a cabeça contra grades ou portões nos tanques onde são confinados são observados e classificados como exemplos de sofrimento mental agudo, chamado de zoocose.

Uma orca que vivia em cativeiro no Sea World chamada Tilikum matou três pessoas durante o tempo em que esteve no parque.

Orca Tilikum no SeaWorld | Foto: Reuters
Baleia orca Tilikum no SeaWorld | Foto: Reuters

Pelo mundo

Hoje é amplamente reconhecido no mundo todo que o cativeiro é prejudicial para os cetáceos, cuja natureza altamente inteligente e socialmente complexa exige a liberdade do mar aberto.

Com a exceção notável da Espanha, que possui um grande número de golfinhos em cativeiro, a tendência predominante na Europa é o fechamento de tais instalações.

No Reino Unido, os shows com golfinhos em cativeiro pararam há mais de 25 anos, após uma campanha de direitos animais altamente popular.

Muitas sociedades fora da Europa também estão rejeitando a ideia de golfinhos sendo mantidos em cativeiro. Em junho, o parlamento do Canadá aprovou uma lei federal conhecida como “Free Willy”, que proíbe baleias, golfinhos e botos de serem criados ou mantidos em parques marinhos.

Nos EUA, o SeaWorld – que proibiu seu controverso programa de criação de orcas em 2016 – vem enfrentando críticas recentemente por seu tratamento de golfinhos, com especulações crescentes de que ele se concentrará em passeios de emoção, enquanto os animais em cativeiro terão um papel cada vez menor no futuro.

E, em um gesto expressivo, a Índia não ficou apenas na proibição de shows envolvendo golfinhos em 2013 – mas declarou os animais como “pessoas não humanas”, que deveriam ter seus próprios direitos específicos.

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