Tribos indígenas da Amazônia fazem juramento de proteção à floresta contra Bolsonaro


Foto: Bloomberg/Reprodução
Foto: Bloomberg/Reprodução

Tribos indígenas, cuja terra e meios de subsistência estão sendo diretamente prejudicadas pelos incêndios devastadores da Floresta Amazônica, “prometeram fazer tudo o que estiver ao seu alcance para resistir à ‘destruição da Mãe Natureza’ do presidente Jair Bolsonaro” e convocaram o resto do mundo a se juntar a eles.

“Estamos colocando nossos corpos e nossas vidas na linha para tentar salvar nossos territórios”, disse a líder indígena brasileira Sonia Guajajara, que nasceu em uma aldeia na floresta amazônica, em um comunicado. “Temos advertido há décadas sobre as violações que sofremos em todo o Brasil”.

“O comportamento predatório de madeireiros, mineiros e fazendeiros, que têm um poderoso lobby no congresso nacional com mais de 200 deputados sob sua influência”, disse Guajajara, “tem piorado muito sob o governo anti-indígena de Jair. Bolsonaro, que normaliza, incita e fortalece a violência contra o meio ambiente e contra nós”.

De acordo com dados de satélite analisados pela Weather Source, existem mais de 2 mil incêndios acontecendo na Amazônia brasileira. As queimadas provocaram indignação de líderes mundiais e terríveis advertências de ambientalistas, que dizem que os incêndios poderiam acelerar a crise climática danificando “irreversivelmente a Floresta Amazônica”.

Em um comunicado, um grupo de líderes da tribo indígena Huni Kuin disse que os incêndios são “o choro da Mãe Natureza, nos pedindo para ajudá-la”.

“Se não pararmos essa destruição da Mãe Natureza, as gerações futuras viverão em um mundo completamente diferente daquele em que vivemos hoje”, disse a tribo. “E estamos trabalhando hoje para que a humanidade tenha um futuro. Mas se não pararmos essa destruição, seremos os que serão extintos, queimados e o céu descerá sobre nós, o que já começou a acontecer.”

Os Xingu ecoaram essa mensagem em um vídeo postado online segunda-feira última (26). Falando aos povos do mundo como as nações mais ricas do planeta reunidas na França para a cúpula do G7, um representante do Xingu disse que as tribos indígenas “vão resistir à floresta, ao nosso modo de viver para o futuro de nossa filhos e netos”.

A autora e ativista canadense Naomi Klein, escreveu em artigo para o Boston Globe na segunda-feira última (26), disse que ouvir os povos indígenas e respeitar seus direitos é fundamental para resolver a crise climática global, com a justiça na vanguarda.

“O colonialismo está incendiando o mundo”, escreveu Klein. “Assumir a liderança das pessoas que vêm resistindo à violência há séculos, ao mesmo tempo em que protegem formas de vida não-extrativistas, é nossa melhor esperança de apagar as chamas.”

Vista aérea de uma grande área de queimada na cidade de Candeiras do Jamari, no estado de Rondônia. | Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
Vista aérea de uma grande área de queimada na cidade de Candeiras do Jamari, no estado de Rondônia. | Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

As chamas não estão apenas queimando na Amazônia. A Bloomberg informou na segunda-feira que a Weather Source registrou 6.902 incêndios em Angola e 3.395 na República Democrática do Congo.

O movimento global Extinction Rebellion (Rebelião Contra a Extinção) advertiu na terça-feira que os incêndios continuarão a se intensificar se os líderes mundiais se recusarem a tomar medidas climáticas ousadas e imediatas.

“Quanto mais a inação dos governos do mundo sobre o clima e a catástrofe ecológica continuar”, disse o grupo ativista, “pior será o fogo”.

Índios Yawanawa

A mídia internacional tem noticiado massivamente a situação dos incêndios na Floresta Amazônica, com destaque para a política do presidente Bolsonaro de incentivo ao agronegócio e desaparelhamento do IBAMA, além do corte às verbas de fiscalização do meio ambiente para logo em seguida anunciar que o país está aberto a aceitar milhões de dólares em ajuda internacional contra incêndios florestais.

Mas enquanto os humanos são em grande parte culpados pela destruição da floresta, são os humanos também que conseguiram manter algumas partes da mata mais saudáveis também. A rede de notícias internacional CBS News conversou com o chefe dos índios Yawanawa, Tashka Yawanawa. Ele disse que a estação seca tem sido particularmente ruim, resultado do tipo de desmatamento agressivo que ameaçou o modo de vida dos Yawanawa.

“Cada um de nós precisa ser responsável economicamente, ambientalmente, culturalmente, porque senão a humanidade simplesmente desaparecerá como os dinossauros”, disse ele.

Mas o Brasil está em uma encruzilhada, dizem os especialistas. Depois de trabalhar anos para conter o desmatamento, o movimento está novamente em ascensão. Não é uma coincidência, dizem os críticos do presidente Jair Bolsonaro, que promove o desenvolvimento aberto.

O cientista Foster Brown, que trabalha no noroeste do Brasil há 30 anos, disse que a regeneração de partes da Amazônia que foram consumidas ao longo das décadas é possível. Mas também está se perdendo muito da Amazônia.

“Se continuarmos em uma certa tendência que estamos seguindo, não demorará muito”, disse ele, acrescentando que pode as consequências poderão acontecer dentro de “décadas”.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

PROGRESSO

GANÂNCIA

DESTRUIÇÃO AMBIENTAL

COREIA DO SUL

VEGANISMO

PRESSÃO PÚBLICA

RESILIÊNCIA

RECOMEÇO


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>