População de orangotangos cai 30% nas florestas da Malásia


O número de orangotangos ameaçados de extinção que vivem em fragmentos de florestas encontrados em plantações de óleo de palma no estado de Sabah, no leste da Malásia, caiu 30% entre 2002 e 2017, mas a população geral da região é estável segundo informações do World Wide Fund for Nature (WWF) divulgadas na quinta-feira.

Em um artigo científico entitulado Changes to Orangutan Population in Recent Times: 2002-2017 (Mudanças na população orangotra em tempos recentes: 2002-2017, na tradução livre), foi o levantamento mais intensivo da espécie já realizado em Sabah, no nordeste de Bornéu.

Ele revelou que, em um período de 15 anos, pelo menos 650 orangotangos foram mortos nas áreas protegidas das terras baixas do leste, onde populações fragmentadas são “pressionadas” por plantações de dendezeiros em grande escala e estabelecidas há muito tempo.

“Esses declínios soam um alerta de conservação e enfatizam a necessidade de monitoramento populacional”, dizem os autores do relatório, publicado na revista Public Library of Science.

A população total permaneceu estável em cerca de 11 mil indivíduos e cerca de 70% vivem em santuários, parques estaduais ou áreas de conservação da vida selvagem.

Os orangotangos são encontrados nas florestas tropicais de Bornéu, onde fica Sabah, e na ilha indonésia de Sumatra, onde também estão criticamente em perigo.

“Enquanto a população de orangotangos se estabilizou em grandes áreas de floresta, seus números diminuíram em manchas florestais nas paisagens de dendezeiros das planícies orientais de Sabah”, disse a WWF em um comunicado.

“A natureza monocultora (só se planta palma) das plantações de dendê significa que elas tendem a não apoiar espécies que dependem do ambiente florestal, como o orangotango”.

Foto: ROMEO GACAD/AFP
Foto: ROMEO GACAD/AFP

Fragmentos florestais dentro das plantações são críticos para a sobrevivência do animal, destacando a necessidade de uma estratégia abrangente de conservação, disse Augustine Tuuga, diretor do Departamento de Vida Selvagem de Sabah.

“Essa conectividade, através de corredores de vida selvagem que ligam trechos de floresta, é fundamental para a sobrevivência dos orangotangos em plantações de óleo de palma, especialmente nas terras baixas de Sabah”, disse ele na declaração do WWF.

O óleo de palma, representa a maior safra agrícola e exportação do país do Sudeste Asiático e Sabah é o seu maior estado produtor.

Infelizmente o país depende da commodity – que é usada como ingrediente de produtos que vão de alimentos a cosméticos – por bilhões de dólares em ganhos em divisas e centenas de milhares de empregos.

No entanto, os ambientalistas alertam que a indústria do óleo de palma gera um impacto generalizado à medida que a terra é desmatada, muitas vezes por meio de práticas destrutivas de derrubada e queimada.

No mês passado, o Parlamento Europeu votou pela restrição e proibição do biocombustível de óleo de palma até 2030.

A Malásia deve se juntar à Indonésia, maior produtor mundial de óleo de palma, para desafiar a tentativa de proibir o biocombustível na Organização Mundial do Comércio.

Donna Simon, diretora de programa do WWF da Malásia e uma das três autoras do estudo, sugeriu otimismo, já que a conclusão de que o número de orangotangos em outros lugares em Sabah parecia ter se estabilizado indicando que as populações poderiam ser protegidas quando a caça fosse proibida e as florestas bem geridas.

“Esta pesquisa nos permite defender um melhor plano de uso da terra e identificar o habitat degradado crucial do orangotango a ser reservado para restauração e conectividade de habitat ou para proteção”, disse ela em um comunicado.

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