Populações de pangolins em Myanmar declinam devido ao contrabando e a caça


Foto: MAK REMISSA
Foto: MAK REMISSA

Para Ko Thar Gyi, um morador da vila de Kyein Ta Li, no estado de Rakhine, em Myanmar, cruzar com um pangolim não algo é incomum. Recentemente ele quase atropelou o tamanduá escamoso com seu carro. O animal enrolou-se em uma bola assim que ele se aproximou, tornando mais fácil pega-lo e solta-lo na natureza, perto da praia de Gwa.

Nem todos os pangolins tem tanta sorte, no entanto. Essa espécie ameaçada habita as florestas longe da população humana, mas alguns aldeões viajam para caçá-los por seu valor de mercado (paralelo), conta Ko Thar Gyi.

“Alguns aldeões também comem pangolins. Suas escamas são preciosas e podem obter preços altos no mercado paralelo. Ouvi dizer que os pangolins podem ser ainda mais valiosos do que as partes de elefantes ou tigres”, disse ele.

Os pangolins são cobertos por escamas duras de queratina. A queratina é a proteína que constrói cabelos e unhas em outros mamíferos. As escamas de proteção desses animais são usadas como mecanismo de defesa e são vendidas ilegalmente em todo o sudeste da Ásia. O material é vendido para fazer cosméticos de luxo e medicamentos tradicionais, enquanto a carne é vendida principalmente como uma iguaria, de acordo com um relatório publicado pelo UNDOC (United Nations Office on Drugs and Crime) em julho passado.

Ameaçados por um contrabando popular, os pangolins estão entre as espécies mais comercializadas ilegalmente do mundo, e a demanda está aumentando nos últimos anos, de acordo com o relatório do UNODC.

Segundo uma pesquisa do WWF de 2016 sobre o comércio de pangolins em Mandalay, um quilo de escamas de pangolim chega a K100 mil e 1,63 quilos de carne, em média, K60 mil, disse Sabei Min, ativista e especialista em contrabando de vida selvagem. Mais perto da fronteira chinesa, em lugares como Mongla, no estado de Shan, os preços chegam a ser três vezes mais altos.

“Os preços são muito altos. Varia entre o mercado local e a região de Mongla – uma cidade de trânsito para mercadorias ilegais. Eles também são vendidos no mercado de Yangon. Também ouvimos que alguns restaurantes servem carne de pangolim”, disse a Dra. Sabei Min.

De acordo com o relatório do UNODC, a demanda da China e do Vietnã por pangolins está em alta. “As escamas de pangolim são amplamente usadas para medicamentos tradicionais chineses e esta é uma das espécies ameaçadas de extinção mais negociadas no mundo”, disse Christie William, diretora residente do Global Environment Fund – GEF.

De fato, as duas espécies de pangolins – Manis javanical e Manis pentadactyl – que são encontradas em Myanmar são caçadas e contrabandeadas para países vizinhos. Como resultado, a população de pangolim do país está diminuindo acentuadamente.

O preço da caça

Os pangolins estão atualmente listados como uma espécie criticamente ameaçada (CR) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No entanto, não há dados confiáveis sobre sua população e habitats em Myanmar, segundo a Dra. Sabai Min. Sabe-se que os pangolins vivem ao longo da estrada de Mandalay-Muse assim com o nos estados de Tanintharyi Division, Rakhine e Kachin, ela disse.

“A vida selvagem é traficada ilegalmente em Myanmar, e isso inclui partes de pangolim e elefantes. Embora uma pesquisa populacional de pangolim tenha sido conduzida em Mongla recentemente, também é preciso haver uma pesquisa nacional para medir os números reais”, disse ela.

Apesar dos esforços concentrados para combater a caça, a demanda regional ainda está aumentando. Nas últimas décadas, mais de um milhão de pangolins foram mortos e vendidos por sua carne e peles, de acordo com o relatório do UNODC.

O governo de Myanmar tomou medidas ativas para combater o tráfico de animais selvagens, listando pangolins como uma espécie protegida de acordo com a Lei de Proteção de Biodiversidade e Áreas Protegidas de 2018. Se capturados, caçadores podem ser condenados a até 10 anos de prisão de acordo com a legislação vigente.

Além disso, como parte de uma iniciativa regional para abordar a questão, Myanmar contribuiu para o desenvolvimento de uma estratégia de conservação de pangolins no Sudeste Asiático, em cooperação com a Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

De 2013 a 2017, cerca de 34 casos de tráfico foram registrados em Myanmar e quase 1,2 toneladas de escamas de pangolim e partes de animais selvagens foram apreendidas, de acordo com o relatório do UNODC.

Em março passado, o Ministério de Recursos Naturais e Conservação Ambiental destruiu 134,72 kg de partes de animais selvagens apreendidos no valor de K1.7 bilhões no Jardim Zoológico de Yangon.

Em fevereiro, cerca de 1.800 caixas contendo pangolins congelados, no valor de 30 toneladas, foram confiscadas na Malásia. A apreensão também incluiu 361 quilos de escamas de pangolim. Em junho, 11,9 toneladas de escamas de pangolim foram apreendidas em Cingapura.

“No passado, houve muitos casos de contrabando de pangolim, mas o número de prisões diminuiu recentemente. Quando o contrabando aumenta, a população de pangolins obviamente sofre”, disse um funcionário do Departamento de Meio Ambiente e Conservação da Vida Selvagem do Departamento de Florestas.

Myanmar é um dos maiores exportadores de animais selvagens do mundo, disse um oficial do Departamento Florestal de Myanmar. De acordo com o relatório do UNODC, o mercado ilegal de vida selvagem em Myanmar é consideravelmente mais baixo do que em outros países da sub-região do Mekong, no entanto, as exportações em geral estão aumentando.

“Isso significa que o impacto na vida selvagem de Myanmar é devastador. Para salvar nossa vida selvagem, precisamos trabalhar juntos através das fronteiras para proteger nossa fauna única, parar a caça e acabar com esse comércio insidioso”, disse Christy Williams.

“Myanmar tem as condições perfeitas para o comércio ilegal de vida selvagem: abundante vida selvagem, conflitos em regiões fronteiriças com pouco ou nenhum controle governamental e localização próxima ao infame ‘Triângulo Dourado’. É um lugar onde todos os tipos de comércio ilegal prosperam, já que é vizinho da China, onde a demanda por produtos ilegais da vida selvagem é maior”, acrescentou ela.

Williams enfatizou que os pangolins desempenham um papel importante no ecossistema; seus números decrescentes perturbarão o equilíbrio ecológico.

“Se uma [espécie] desaparecer, o ciclo todo será destruído. Por exemplo, se não houver rato, a população de cobras aumentará. Se não houver pangolim, haverá mais cupins, formigas vermelhas e insetos na selva. As espécies em um ecossistema estão todas interligadas entre si”, disse a Dra. Sabai Min.

Se os pangolins não forem protegidos do tráfico de animais, eles podem se extinguir em Myanmar e em outras partes do mundo, acrescentou Christie Williams.

“Elefantes e tigres são espécies em extinção, mas pangolins são animais criticamente ameaçados de extinção. A mesma atenção deve ser dada à proteção dos pangolins”, concluiu a Dra. Sabai Min.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 


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