Caçadores de troféu pagam milhares de dólares para matar girafas ameaçadas de extinção


Charlie Reynolds, à direita, matou uma jovem girafa em uma viagem organizada por Umlilo Safaris da África do Sul | Foto: Facebook/Reprodução
Charlie Reynolds, à direita, matou uma jovem girafa em uma viagem organizada por Umlilo Safaris da África do Sul | Foto: Facebook/Reprodução

Em Glastonbury, na Inglaterra, uma empresa de ex-caçadores de troféu agenda viagens de férias em que os caçadores pagam para matar espécies ameaçadas, incluindo macacos, elefantes, girafas e zebras.

Uma reportagem do jornal The Mirror revelou no início deste mês que os caçadores de troféu chegam a pagar ao ProStalk (empresa de caça) £1.666 (cerca de 8 mil reais) extras para atirar em uma girafa, £6.422 (em trono de 31 mil reais) para um hipopótamo ou £47 para macacos.

O esporte assassino foi recentemente colocado em foco com a reunião da CITES onde delegados de 180 países se reuniram em Genebra para analisar propostas com o objetivo de proteger animais ameaçados.

Atualmente, não existem regras no comércio internacional que protejam as girafas, o que significa que os troféus podem ser exportados e importados sem verificação ou controle alguns.

Mas uma proposta apresentada por seis nações africanas pede que os registros sejam mantidos – o que significaria que o “esporte” pelo menos teria que ser monitorado.

Charlie Reynolds é um dos vários caçadores que caçam e matam girafas por prazer – mas ele afirma estar fazendo um “favor” à natureza.

O caçador disse ao The Times como ele seguiu uma jovem girafa ao redor de uma fazenda no Cabo Oriental da África do Sul por um dia inteiro antes de matá-la com um único tiro na cabeça.

“Ele estava morto antes de atingir o solo”, descreveu Reynolds, que disse estar “muito orgulhoso” de ter matado o animal em 2014, o que lhe custou 500 libras.

Zâmbia está permitindo que caçadores de troféus doentes matem milhares de seus hipopótamos | Foto: Facebook/Reprodução
Zâmbia está permitindo que caçadores de troféus doentes matem milhares de seus hipopótamos | Foto: Facebook/Reprodução

Ele realizou o “feito” em uma viagem organizada pela Umlilo Safaris, uma empresa sul-africana que oferece “caças de troféus” e “caçadas de manejo” para atirar em espécies ameaçadas, como elefantes, rinocerontes, leopardos e leões.

Caça e perda de habitat contribuíram para o número de girafas caísse cerca de 40% para 97 mil em 2016 – mas Reynolds diz que os ativistas não entendem.

O caçador disse: “Eles veem uma foto e pensam: ‘Ele é uma pessoa cruel e horrível’.”

“Se eles parassem a caça, não haveria animais selvagens na África.”

A afirmação vem depois que foi revelado que a Zâmbia poderia ganhar milhões ao permitir que caçadores de troféus abatessem milhares de hipopótamos no país.

A Zâmbia diz que a matança em massa está sendo realizada para controlar a população de hipopótamos no Vale de Luangwa, no leste da nação africana.

Mas a morte dos animais tem sido descrita como um “movimento cínico” por funcionários famintos por dinheiro.

Ontem, a namorada do primeiro ministro britânico Boris Johnson, Carrie Symonds, condenou os “cruéis” caçadores de troféus.

Falando na Birdfair, ela disse: “Um troféu é para ser um prêmio. Algo que você ganha se tiver alcançado algo de mérito que exija muita habilidade e talento”.

“A caça ao troféu é o oposto disso. É cruel, é doente, e é um ato covarde”.

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