Papa Francisco pede que os líderes mundiais se unam e enfrentem Bolsonaro para salvar a Amazônia


Foto: Convento da Penha/Reprodução
Foto: Convento da Penha/Reprodução

Indignado com o desmatamento e a queima da Floresta Amazônica que cresceu 82% no ciclo do presidente Bolsonaro no poder, o papa Francisco, em um discurso poucas vezes visto onde aborda temas ligados ao meio ambiente, pede que os líderes mundiais descruzem os braços e se unam para combater a destruição da floresta, que ele lembrou ser “um lugar representativo e decisivo para o mundo”.

Em mensagem publicada nesta quinta-feira (22) no jornal La Stampa, o papa lembrou que “Junto com os oceanos, a Floresta contribui determinantemente para a sobrevivência do planeta”. Ele convocou para outubro um sínodo de bispos sobre esse tema no Vaticano.

As evidências da destruição implacável que a floresta vem sofrendo estão nas imagens de radares e satélites, fartamente divulgadas em todo o mundo, e o comportamento do presidente que abriu mão de recursos destinados a salvar a floresta é notório. Além disso, o dirigente de um órgão importante que monitora e apresenta dados sobre o desmatamento, o INPE, foi sumariamente demitido.

A Floresta Amazônica está presente em nove países da América do Sul, a capacidade de sua imensa flora nativa na absorção de dióxido de carbono e por consequência seu papel fundamental no combate à mudança climática renderam à floresta o apelido de “pulmão do mundo”

Fogo crescente

Só em junho deste ano foram destruídos 920,2 km² de floresta na Amazônia – aumento de 88% em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), serviço de alerta sobre o desmatamento e a degradação florestal na Amazônia. De abril a junho, houve o desmatamento de 1.907,1 km². Em 2018, foram registrados 1.528,2 km² no mesmo período, ou seja, houve um crescimento de 24,8%.

Francisco convidou os líderes políticos a abandonarem “os próprios conluios e corrupções” para que se concentrem nesses temas. “Devem ser assumidas responsabilidades concretas, por exemplo, sobre o tema das minas ao ar livre, que envenenam a água provocando tantas doenças”, afirmou Francisco,

A revista The Economist pediu um boicote à carne e à soja do Brasil, contra o desmatamento ilegal. A Alemanha congelou um financiamento de R$ 155 milhões para projetos de preservação da Amazônia e a Noguega anunciou a suspensão de uma cifra superior a R$ 130 milhões.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o goiano Marcello Brito, CEO da Agropalma, também prevê prejuízos para a economia brasileira. Questionado pelo Valor se “é questão de tempo que parem de comprar do Brasil”, o presidente da Abag foi taxativo: “É questão de tempo”.

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