PERIGOS

Caçadores estão vasculhando redes sociais em busca de selfies tiradas em safári para rastrear rinocerontes

Eles usam dados contidos nas fotos para que possam descobrir a região em que os animais estão

Por Rafaela Damasceno

Caçadores estão se aproveitando do Instagram e outras redes sociais repletas de selfies para que possam rastrear e planejar os assassinatos dos animais. Os rinocerontes são a espécie em maior risco, devido o valor de seu chifre.

Um rinoceronte com o chifre cortado
Foto: Real Limoges

Apenas na África do Sul, por volta de 1200 rinocerontes foram mortos em 2017 – em torno de 3 mortes por dia. Os caçadores costumam atirar na cabeça do animal, arrancar seu chifre e deixá-lo agonizando até morrer.

Essa espécie é uma das “cinco grandes” – leão, leopardo, rinoceronte, elefante e búfalo – que os turistas mais buscam nos safáris. As viagens para safáris costumam ser repletas de fotos dos animais. Da mesma forma que a inteligência artificial consegue construir perfis e identificar pessoas nas redes sociais, também pode identificar animais e descobrir a localização utilizando dados online.

“Por causa da maneira que os celulares rastreiam sua localização agora, você não precisa criticar a foto de uma pessoa para descobrir onde ela estava em algum momento”, explicou Tarah Wheeler, pesquisadora de segurança, para o NBC News. “Metadados, incluindo exatas longitudes e latitudes, estão contidos no fundo da foto”. Segundo ela, se o usuário tiver a função de localização do celular ativada, as informações são acopladas às fotos automaticamente;

Estima-se que o preço da libra de um chifre de rinoceronte é cerca de 27 mil dólares (mais de 100 mil reais), ou seja, o chifre médio de um rinoceronte pode chegar a 1 milhão de dólares (cerca de 3 milhões e 750 mil reais).

Ian Harmer, da African Warnderer Safaris, afirma que é um símbolo de status. “Em certos mercados asiáticos, se você possui um chifre de rinoceronte, você automaticamente demonstra quanto dinheiro você tem”.

Recentemente a China revogou a lei que proibia o uso de chifres de rinoceronte para pesquisas médicas, o que significa que o material chega legalmente até o país.

No final de 2017, cerca de 17 mil rinocerontes brancos e 5 mil rinocerontes negros habitavam a Ásia. Em março de 2018, o último rinoceronte branco macho do mundo morreu.

O Rhodes Matapos é um lugar onde os guardas florestais costumam cortar os chifres dos rinocerontes, estocando o produto para regular o mercado e evitar a caça e a morte dos animais.

“Os guardas voam em um helicóptero e atiram um sedativo no animal, então demoram cerca de 35 segundos com uma motosserra para cortar o chifre – que é como uma unha humana, então, o animal não sente nada”, explicou Harmer.

Apesar de algumas organizações acreditarem que essa é a solução para salvar os rinocerontes da extinção, a comunidade de conservação debate sobre as consequências de dar credibilidade à crença popular de que os chifres de rinoceronte possuem poderes curativos, além de como a legalização do comércio poderia aumentar a demanda nos mercados asiáticos.

Atualmente, cientistas buscam alternativas para evitar a extinção dos rinocerontes. Este ano, por exemplo, nasceu o primeiro rinoceronte desenvolvido através da inseminação artificial do mundo. Uma empresa de biotecnologia, Pembient, está fabricando chifres de rinoceronte de queratina usando uma impressora 3D.

Harmer disse que todos os tipos de besouros, lagartos, pequenos mamíferos, além da fauna e da flora, dependem da existência dos rinocerontes para sobreviver. Dessa forma, a extinção da espécie afetaria profundamente a natureza.

Ele ainda acrescentou que as pessoas não parecem se importar tanto assim com os rinocerontes, e parte dessa negligência contribui para que a possibilidade da extinção completa desta espécie não seja motivo de alarme mundial. “Eles não têm o fator fofo. Pessoas não fazem bichinhos de pelúcia bonitinhos de rinocerontes – e não há filmes da Disney sobre eles”, concluiu.


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