Serial killer do Grajaú pode estar matando animais há seis anos


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Recentemente, a ANDA divulgou com exclusividade a tortura e assassinatos em série de cerca de 70 cães e gatos no bairro Grajaú, na zona Sul de SP. As informações preliminares apontavam que os crimes estavam ocorrendo no Conjunto Habitacional Brigadeiro Faria Lima, mas na verdade é em um assentamento que fica no entorno do condomínio. O local possui cerca de 3 mil casas e barracos e abriga milhares de pessoas. O assentamento se tornou ponto de abandono de animais desde o início da invasão, há cerca de seis anos.

Uma moradora do local, que preferiu não se identificar e chamaremos de Maria, afirmou em entrevista à ANDA, que o número de animais no assentamento foi crescendo junto com o número de moradores e consequentemente os casos de maus-tratos também. Mortes de cães e gatos ocorrem no local há pelo menos seis anos e o número verdadeiro de vítimas é incalculável.

Maria contou também que acredita que todos os animais foram mortos pela mesma pessoa. Ela disse que alguns moradores afirmam saber quem é o responsável, mas têm medo de dizer devido ao perfil violento do agressor. Maria afirma que os as principais vítimas são gatos. A moradora, que nunca esteve envolvida com a causa animal, começou a resgatar e acolher os animais por não suportar mais vê-los feridos, famintos e em situação de vulnerabilidade.

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A vida dos animais que vivem no assentamento é a pior possível. Além do risco de morte diário, cães, inclusive os de raça, e ninhadas são constantemente abandonados. Eles sobrevivem à fome, a doenças dividem a rotina com ratos e outros animais que são atraídos pela falta de urbanização e saneamento. As imagens nada perdem para campos de guerra.

Maria afirma fazer todo o possível para ajudá-los. Ela já deixou de comprar comida para seus filhos para alimentar os cães e gatos. Na falta de ração, ela dá comida e até mesmo mingau de fubá. A moradora possui dívidas em casas de ração e clínicas veterinárias. Sua única fonte de renda é uma ajuda de custa do programa bolsa família. Frequentemente falta alimento.

Há três meses, Maria decidiu que sozinha não conseguiria proteger os animais e decidiu começar a registrar os maus-tratos com a ajuda de um smartphone. Ela pediu ajuda à bibliotecária Claudia Chamas, que criou uma petição online e registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA).

Claudia também recorreu aos deputados Bruno Lima (PSL) e Bruno Ganem (PODE), mas, segundo ela, não obteve retorno. A ANDA entrou em contato com as assessorias dos dois parlamentares via WhatsApp. A assessoria do deputado Bruno Lima afirmou que o caso será investigado a fundo através da CPI realizada na Alesp. A assessoria do deputado Bruno Ganem afirma que um ofício cobrando providências foi encaminhado ao governador Bruno Covas. Maria afirma que nenhum dos parlamentares esteve no assentamento para verificar a situação dos animais.

Após uma repercussão do caso, uma viatura policial foi ao local dar início às investigações. Maria será chamada para prestar depoimento nos próximos dias.

Um assassino sem rosto

Segundo o perito veterinário criminal e consultor da ANDA, Alberto Yoshida, crime de maus-tratos a animais como envenenamentos, não são incomuns, mas o caso do Grajaú surpreende pela frieza do assassino. “Me parece que é alguém, que pela sua personalidade, vai até os animais e os agride, os mata, sem nenhuma motivação que justifique essa agressão”, disse.

Para o especialista, o fato de os crimes estarem ocorrendo em um assentamento pode ser um dos motivos para o grande número de vítimas. “São regiões onde o Estado não está presente, são populações que ficam realmente marginalizadas à assistência do governo e isso favorece que o agressor possa atuar livremente”, acredita.

Alberto salienta que o assassino não é um perigo apenas para os moradores, mas também para os seres humanos. Segundo ele, o agressor é “uma pessoa bastante periculosa. Se ele faz isso com os animais, pode fazer tranquilamente com as crianças e com os seus semelhantes humanos. Uma pessoa de alta insensibilidade para com os seus semelhantes ou para com a vida. É uma pessoa que não tem realmente escrúpulo no sentido do que é o respeito à vida. É alguém que a sociedade tende a repugnar por seus atos. É bastante assustador o comportamento dessa pessoa”, asseverou.

Perito relembra caso Dalva | Foto: Divulgação

O perito veterinário reforça que a investigação do caso precisa ser rigorosa e urgente. “O estado precisa efetivamente encontrar essa pessoa o mais rápido possível. É importante também traçar o perfil desse agressor, não esquecendo que pode ser desde um menor, até uma pessoa de idade avançada. Podemos levar em consideração uma pessoa com problemas desde uma simples alteração de personalidade, até, talvez uma doença mais aprofundada”, disse.

Alberto lembra ainda o caso Dalva Lina. “Acredito que estamos diante de um serial killer talvez até mais agressivo que a Dalva, que também utilizava uma forma de agredir muito animais, mas ela, pelo menos, tinha uma justificativa , uma busca que ela tinha no sentido financeiro, mas aqui (no caso Grajaú), parece que não é bem isso então pode ser que estejamos diante de um criminoso inédito neste sentido de agressão (falta de motivação)”, concluiu.

Entenda o caso

Desde maio, cerca de 70 cães e gatos foram encontrados mortos com sinais de tortura no Conjunto Habitacional Brigadeiro Faria Lima, no bairro Grajaú, zona Sul de São Paulo. Os animais sobreviventes foram resgatados e estão sendo mantidos em lares provisórios. A denúncia aponta que os animais estão sendo vítimas de envenenamento e um dos animais, inclusive, foi baleado. Também foram encontrados animais com olhos perfurados, orelhas e patas mutiladas e queimaduras.

A maioria dos cães e gatos escolhidos como alvo pelo assassino são animais em situação de rua. As protetoras que atuam no local detectaram que há um modus operandi. Há pelo menos três meses toda segunda-feira são encontradas novas vítimas. Cães e gatos nunca são maltratados juntos, há uma predileção entre um ou outro a cada semana. Até o momento não há suspeitos. Protetoras que estão cuidando das vítimas preferem não realizar investigações independentes por temerem retaliações aos animais que protegem.

Como ajudar

Ainda há animais em risco no local. Protetoras que estão acolhendo as vítimas sobreviventes fazem um apelo por adoções, lares temporários, doação de rações e medicamentos e ajuda de custo para tratamentos veterinários. Muitos dos cães e gatos resgatados estão sem olhos, feridos e com sequelas. Para ajudar, entre em contato com a Claudia Chamas através do telefone (WhatsApp): 11 98277-1558.


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