PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Presidente da França oferece apoio para proteger biodiversidade do Xingu

O desmatamento na Amazônia, que havia diminuído drasticamente de 2004 a 2012, voltou a crescer em janeiro.

Foto: Philippe Wojazer / Reuters

O presidente da França Emmanuel Macron recebeu, na quinta-feira (16), a visita do líder indígena Raoni e prometeu a ele que irá apoiar a sua luta pela proteção da biodiversidade e dos povos da Amazônia. De acordo com informações divulgadas pelo Palácio do Eliseu, a França planeja sediar uma cúpula internacional de povos indígenas do mundo inteiro, que tem previsão de ser realizada em junho de 2020.

Foto: Philippe Wojazer / Reuters

Além de Raoni, outros três líderes da Amazônia – Kailu, Tapy Yawalapiti e Bemoro Metuktire -, que realizam uma turnê na Europa até o final do mês de maio, conversaram com o presidente francês durante 45 minutos no Palácio do Eliseu. Quando a reunião acabou, eles foram até os degraus do palácio e levantaram os braços. Um vídeo do encontro foi publicado no Twitter por Macron.

O objetivo da turnê de três semanas na Europa é alertar, junto à opinião pública e líderes políticos, sobre a necessidade de salvar a grande reserva do Xingu, que tem cerca de 180 mil km². As informações são da Folha de S. Paulo.

“Busco 1 milhão de euros para financiar muros verdes feitos de bambu, para delinear a grande reserva do Xingu, que tem sofrido com a intrusão permanente de traficantes de madeira e de animais, garimpeiros e caçadores, que vêm caçar em nossas terras”, disse Raoni em entrevista ao Le Parisien.

De acordo com o Eliseu, a França “apoiaria o projeto de Raoni” como parte de “seu compromisso com a biodiversidade e no âmbito da presidência do G7” este ano. Esse compromisso, que também será financeiro, vai ser anunciado posteriormente.

O desmatamento na Amazônia, que havia diminuído drasticamente de 2004 a 2012, voltou a crescer em janeiro, com uma alta de 54% em relação ao mesmo período de 2018, de acordo com a ONG Imazon.

“Como um país amazônico” com a Guiana, “a França está naturalmente comprometida com a luta contra o desmatamento e defende os direitos dos povos indígenas, especialmente como atores-chave na preservação das florestas e da biodiversidade e, por isso, engajados na luta contra as mudanças climáticas”, ressaltou o Eliseu antes da reunião.

Macron tem demonstrado preocupação com o assunto. No ano passado, ele alfinetou Jair Bolsonaro (PSL) após a vitória na eleição sobre a possível saída do Brasil do Acordo de Paris, que prevê a redução de emissões de dióxido de carbono em escala global, e afirmou que esperava manter a cooperação bilateral no âmbito da “diplomacia ambiental”.

“É no respeito a esses valores que a França deseja levar adiante sua cooperação com o Brasil, para enfrentar os grandes desafios contemporâneos do nosso planeta, tanto no campo da paz e da segurança internacionais quanto no da diplomacia ambiental e dos compromissos com o Acordo de Paris sobre o clima”, disse Macron na época.

“A França e o Brasil mantêm uma parceria estratégica em torno de valores comuns de respeito e de promoção dos princípios democráticos”, diz o comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu

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