Investigação expõe crueldade e maus-tratos na indústria de exploração de cavalos


Foto: PETA
Foto: PETA

Restaurantes que servem carne de cavalo não são novidade na Coréia do Sul, que tem esse tipo de estabelecimento tanto em variedade como em quantidade, mas agora o país ambiciona explorar esses animais indefesos de novas maneiras investindo pesado para se tornar um dos grandes participantes das corridas de cavalos internacionais. Os coreanos apostam mais de 8 bilhões de dólares por ano em corridas.

Assim como nos Estados Unidos, as corridas ocorrem principalmente em pistas de terra, assim sendo, a Korea Racing Authority (KRA,a sigla em inglês) importa centenas de cavalos americanos a cada ano para corridas e reprodução e criação de animais. Enquanto reproduz agressivamente os animais e traz sangue novo para “melhorar” os resultados das corridas sul-coreanas, o KRA descarta aqueles cavalos que se machucam ou que não conseguem vencer.

Restaurante de carne de cavalo | Foto: PETA
Restaurante de carne de cavalo | Foto: PETA

Um oficial da KRA afirmou em 2018 que dos 1.600 cavalos “aposentados” da indústria de corrida a cada ano, apenas 50 (ou cerca de 3%) são considerados adequados para outros usos “equestres”.

Para onde vai todo o resto? Carne de cavalo é vendida em restaurantes e mercearias, e gordura de cavalo ou “óleo” é usado em produtos de beleza. Os investigadores da PETA viajaram para Jeju, na Coréia do Sul, para expor o destino desses cavalos e seus descendentes.

Sentenças de morte

Os investigadores da PETA testemunharam filmagens de cavalos no maior matadouro de cavalos da Coreia do Sul em nove datas diferentes, entre abril de 2018 e fevereiro de 2019 e foram capazes de identificar 22 cavalos de corrida de raça pura.

Instalaçao destina à morte de cavalos | Foto: PETA
Instalação destina à morte de cavalos | Foto: PETA

Um deles nasceu nos EUA, 19 tiveram pais americanos e 11 tiveram mães americanas. Suas idades variavam de quase 2 anos a 13 anos de idade quando foram mortos, com uma idade media de 4 anos entre os cavalos assassinados.

Seungja Yechan – Celebre o vencedor e coma o perdedor

Seungja Yechan significa “louvado seja o vencedor” em coreano – é o nome dado e que serve de pouco consolo para este filho da lenda americana Medaglia d’Oro, filmado no matadouro de Nonghyup em 8 de maio de 2018.

Marcas em seus ombros alertaram os investigadores sobre sua identidade. Os registros mostram que ele correu quatro vezes e foi eliminado de sua quinta corrida.

Ao contrário das meias-irmãs Rachel Alexandra e Songbird, que ganharam 3,5 milhões e 4,69 milhões de dólares, respectivamente, Seungja Yechan não ganhou um centavo (a menos que você conte os 17 dólares por quilo cobrado por sua carne no supermercado).

Foto: PETA
Foto: PETA

Disfarçada de esporte apenas mais uma indústria de morte por carne

Como parte integrante do Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais (MAFRA), o KRA tenta ganhar o respeito mundial para Coréia do Sul como um sério país de corrida, ao mesmo tempo em que apoia o consumo de carne de cavalo.

O presidente da KRA afirmou em 2012: “Ao contrário de outros animais criados principalmente para comida, os cavalos podem atender a múltiplos propósitos. […]a carne é boa e vamos trabalhar em maneiras de encorajar as pessoas a comê-la no futuro”.

Um plano anual para fortalecer a indústria de equinos incluía a promoção de “carne de cavalo, cosméticos e outros produtos comerciais”.

Uma autoridade disse: “A criação de cavalos criará empregos, como treinadores de cavalos e veterinários. A carne de cavalo e outros produtos feitos a partir de cavalos estarão mais prontamente disponíveis ”.

Alguns dos cavalos que chegavam ao matadouro pareciam ter saído direto da pista; um deles, Cape Magic, chegou numa manhã de segunda-feira com uma grande atadura na perna. Registros mostraram que ele havia corrido na sexta-feira em Busan – e ele foi morto menos de 72 horas depois de terminar o dinheiro.

Outros cavalos nomeados de “puro-sangue” que a ONG viu no matadouro estavam sujos, magros, cobertos de lama, com os pelos emaranhados, ou doentes e abatidos. Depois de ver o filhote de 4 anos de idade Winning Design chegar em mau estado, os investigadores visitaram a fazenda da qual ela tinha acabado de vir.

De propriedade de uma família que também opera um restaurante de carne de cavalo, a fazenda confinou dúzias de cavalos todos sujos e desgrenhados em pequenas baias e barracas cheias de esterco.

O fedor de fezes predominava no ambiente. Um cavalo magro parecia gravemente doente – ela tinha um olho ulcerado, perda de pelo generalizada e feridas pelo corpo todo.

No matadouro, os investigadores da ONG ficaram chocados ao ver trabalhadores batendo nos cavalos com paus para fazê-los virar e sair dos caminhões e passar pela porta. Os cavalos se amontoavam, claramente em pânico, enquanto os homens os golpeavam, inclusive no rosto.

Embora toda morte de animais realizada por humanos seja total e inquestionavelmente condenável, como a sociedade pratica esse método cruel de alimentação e consumo, foram criados meios catalogados legalmente para que isso seja feito de forma a não causar mais sofrimento aos animais do que a prática em si.

O especialista em mortes comerciais de animais, Dr. Temple Grandin, assistiu ao filme e concluiu: “O manuseio dos cavalos durante a descarga do caminhão não é aceitável. Acertar um cavalo no rosto é abusivo. É óbvio que as pessoas que descarregavam os cavalos nunca tinham tido treinamento algum para realizar essa atividade”.

No interior do matadouro, os trabalhadores empurravam os cavalos até as rampas e pra dentro de uma caixa de morte destinada à bois e vacas. Um funcionário da Agência de Quarentena de Animais e Plantas disse ao jornal The Korea Observer: “Nós matamos os cavalos com o mesmo martelo que usamos para as vacas. As coisas podem ficar um pouco confusas se não desmaiarem no primeiro golpe”.

No entanto, além das óbvias diferenças anatômicas, os cavalos também são geralmente mais nervosos e ansiosos e podem se afastar quando uma arma vem na direção de sua cabeça. Cavalos inadequadamente contidos tornam muito difícil para o matador administrar um tiro certeiro.

Foto: PETA
Foto: PETA

Pior ainda, muitos dos cavalos chegaram aos pares, e o investigador viu a égua Royal Oak levar um tiro na frente de sua companheira, Air Blade, que teve que vê-la sendo jogada no ar pelo impacto.

Essa prática viola a Lei de Proteção Animal Coreana, e a PETA e um grupo de proteção animal coreano apresentaram uma queixa sobre isso e sobre os espancamentos ao Ministério Público do Distrito na cidade de Jeju.

A ambição irrefreável da KRA de elevar a qualidade das corridas sul-coreanas levou a entidade a importar mais de 3.600 cavalos americanos para corridas e reprodução nos últimos 10 anos. Na enorme instalação de criação do órgão e nas demais fazendas particulares em todo o país, cavalos machos são tratados como máquinas de sêmen, feitas para montar éguas várias vezes por dia na época de reprodução.

As éguas são amarradas, lavadas, tem a cauda presa no alto, lubrificadas e levadas a uma mesa especial de reprodução que as prende pelo peito. Os trabalhadores prendem as éguas pela boca com cordas torcidas pertadas firmemente para mantê-los no lugar.

Foto: PETA
Foto: PETA

Outros prendem botas de contenção nos pés traseiros das éguas, para que não possam ferir os cavalos chutando. Lesões parecem ser comuns.

Alguns maus-tratos denunciados pelos investigadores do PETA:

• A égua Catch Me Later, cujo pé traseiro esquerdo estava tão ferido que ela não podia colocar seu peso sobre ele para que os trabalhadores pudessem colocar uma bota de contenção em seu outro pé, ainda foi forçada a suportar o peso de um cavalo imenso chamado Coronel John durante a reprodução. Ela mancou terrivelmente quando os funcionários do local a levaram para fora do galpão de criação.

• O olho direito do cavalo Sadamu Patek estava inchado de uma maneira absurda, ulcerado e lacrimejando.

• A laminite (doença do pé) da égua Annika Queen era tão grave que ela mal conseguia andar, mas seus exploradores a fizeram amamentar um segundo potro além do dela. (Por causa de sua claudicação, ela não foi capaz de empurrar o outro potro)

Um gerente da fazenda disse que ela seria enviada para a morte quando não fosse mais necessária para amamentação.

Reflexão

Os horrores divulgados nessa matéria são responsabilidade de toda a humanidade e não apenas de um país. Nossas crenças especistas fazem com que acreditemos que a humanidade é superior aos animais e que por isso pode dispor deles como bem entender.

Animais são vidas, companheiros de planeta, tão dignos de respeito, amor e respeito como qualquer ser humano.

O sofrimento desses animais fica mais difícil ainda de aceitar e imaginar uma vez que sua senciencia foi comprovada pela Declaração de Cambridge em 2012, onde especialistas do mundo todo, em diversas áreas da ciência e medicina atestaram a capacidade desses seres de sentir, sofrer, alegrar, criar laços e compreender e responder ao mundo ao seu redor.

Crimes como esses permanecem condenados ao mesmo silêncio com que suas vítimas inocentes e indefesas padecem sem escapatória.


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