Adaptação natural protege alguns animais dos efeitos da mudança climática


Foto: CYNTHIA MOSS LAB
Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, aponta que a ameça em larga escala prevista para algumas espécies como resultado da mudança climática pode ser superestimada devido à capacidade de certos animais se adaptarem ao aumento de temperatura e a aridez.

Pesquisadores recentemente desenvolveram uma nova abordagem para determinar com mais precisão a vulnerabilidade dessas espécies, o que poderia ajudar os esforços de conservação, garantindo que eles foquem em espécies de maior risco. Suas descobertas foram publicadas hoje na revista científica PNAS.

Os métodos atuais para avaliar a vulnerabilidade das espécies ignoram o potencial de algumas populações de animais de se adaptarem geneticamente ao seu ambiente em mudança, significando que são capazes de sobreviver em temperaturas mais quentes e condições mais secas do que outras populações dentro da mesma espécie.

A equipe internacional de pesquisadores foi liderada pelo Dr. Orly Razgour, professor de Ecologia da Universidade de Southampton, e concentrou os estudos nos dados genômicos de duas espécies de morcegos nativas do Mediterrâneo, uma área que é particularmente afetada pelo aumento das temperaturas globais.

O Dr. Razgour disse: “A abordagem mais usada para prever o futuro dos morcegos sugere que a variedade de habitats adequados diminuiria rapidamente devido às mudanças climáticas. No entanto, isso pressupõe que todos os morcegos da mesma espécie lidem com mudanças de temperatura e climas mais secos. Da mesma forma, desenvolvemos uma nova abordagem que leva em conta a capacidade de os morcegos da mesma espécie se adaptarem a diferentes condições climáticas”.

Foto: animalspal
Foto: animalspal

Pegando amostras das asas de mais de 300 morcegos que vivem na natureza, os cientistas puderam estudar seu DNA e identificar os morcegos individuais que se adaptaram para prosperar em condições quentes e secas e aqueles que foram adaptados para ambientes mais frios e úmidos. Eles então usaram essa informação para criar modelos de mudanças na adequação climática e a distribuição de cada grupo sob futuras mudanças no clima.

Uma vez que os cientistas mapearam as áreas mais povoadas por cada grupo de morcegos adaptados, eles estudaram as paisagens entre cada área para determinar se elas permitiriam que os morcegos adaptados a seca se movessem para áreas habitadas pelos morcegos adaptados ao frio. As descobertas do estudo mostraram contudo que havia cobertura florestal adequada – elemento vital para esses morcegos se movimentarem – na maior parte das paisagens.

Graças a esta conectividade paisagística, os indivíduos adaptados às condições de seca a temperaturas mais quentes podem alcançar populações adaptadas ao frio e se reproduzir com elas, o que aumentará o potencial da população para sobreviver à medida que as condições se tornam mais quentes e secas.

“Acreditamos que se este modelo for usado para avaliar a vulnerabilidade de qualquer espécie à mudança climática, poderemos reduzir previsões errôneas e esforços de conservação equivocados. Qualquer estratégia de conservação deve considerar como os animais podem se adaptar localmente e não deve se concentrar apenas em áreas com populações ameaçadas, mas também em facilitar o movimento entre as populações. É por isso que é importante olhar para o efeito combinado das mudanças climáticas e da perda de habitat”, o Dr. Razgour concluiu.


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