Brasileira receberá prêmio por propor soluções para reduzir atropelamento de animais


A bióloga brasileira Fernanda Abra, de 33 anos, que em dez deles tem trabalhado em prol dos animais, percorrendo vias do Brasil e propondo soluções para reduzir o atropelamento de animais nas estradas, está entre os vencedores do prêmio Future for Nature. A cerimônia de premiação será realizada na próxima sexta-feira (3), em Amsterdã, na Holanda.

O prêmio homenageia jovens pesquisadores que trabalham pela proteção de animais e plantas. Fernanda, uma das pessoas escolhidas pela Fundação Future for Nature, irá falar, durante a cerimônia, sobre a lamentável postura do Brasil, que apesar de ter a maior biodiversidade do mundo, planeja seu crescimento sem protegê-la.

Foto: Reprodução / DW Brasil

“Isso é muito visível quando a gente fala da expansão da rede de transporte. O Brasil tem a quarta maior malha rodoviária do mundo, mas que não vem acompanhada de inovações técnicas que respeitem o patrimônio natural”, disse a bióloga, em entrevista à Deutsche Welle Brasil.

“Essa expansão é uma ameaça que vai crescer exponencialmente nas próximas décadas nos países ricos em biodiversidade. O trabalho da Fernanda Abra antecipa essa ameaça e, baseado numa ciência sólida, fornece evidências e soluções concretas”, justifica o comitê, que escolheu a bióloga como uma entre três vencedores da edição de 2019.

Contabilizar o número de animais mortos em rodovias faz parte do trabalho de Fernanda. Dentre as estradas observadas por ela, está a MS-40, que liga os municípios de Campo Grande e Santa Rita do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Fundação Ipê, 289 animais morreram na pista no primeiro semestre do ano passado. Entre as vítimas, está a anta, animal ameaçado de extinção.

Diante desse cenário, a bióloga se uniu à Fundação para mover uma ação civil pública contra o estado do Mato Grosso do Sul. “As condicionantes do licenciamento não foram cumpridas. Não foi feito estudo de fauna ou ações para evitar atropelamentos. Os animais morrem e podem causar grandes acidentes e prejudicar a saúde das pessoas”, disse.

A criação de pontos de passagem, medida adotada em algumas rodovias brasileiras, é parte da solução para o problema, segundo a bióloga. Através desses pontos, os animais conseguem cruzar as estradas em segurança.

“No Brasil, a legislação permite que a pessoa que sofre dano nas estradas num acidente com animais na pista, por exemplo, seja indenizada. As administradoras das rodovias preferem pagar ou prevenir?”, questionou. De acordo com Fernanda, medidas de combate ao atropelamento de animais têm retorno rápido.

Entre 2003 e 2013, 28 mil acidentes com animais foram registrados apenas no estado de São Paulo, segundo a Polícia Militar Rodoviária. De acordo com um estudo feito por Fernanda, 38 mil mamíferos de médio e grande porte morrem por ano nas rodovias pavimentadas paulistas. Os dados fazem parte da pesquisa de doutorado da bióloga, que está em fase final e foi feita com base em modelagem computacional e registros de casos para tentar prever locais de atropelamento em estradas paulistas, segundo variáveis ambientais. O objetivo é, com os resultados, salvar a vida de animais e motoristas.

Foto: Reprodução / DW Brasil

“Todo esse esforço é para promover uma mudança de cultura no país, fazer com que administradores de rodovias entendam que é importante integrar a dinâmica de fauna ao planejamento das estradas”, afirmou. “É possível reduzir o impacto. É o que vemos no nosso monitoramento. Cada animal que usa uma passagem de fauna é motivo de comemoração”, completou Fernanda.

Além de participar da cerimônia de premiação na Holanda, a bióloga receberá 50 mil euros da Fundação Future for Nature. Ao voltar para o Brasil, ela afirma que irá aplicar o dinheiro no custeio do treinamento de pessoas que trabalham com engenharia nas estradas, agências de meio ambiente e de transporte pelo país.

“Existe um despreparo de órgãos públicos, que precisam ser mais rígidos e oferecer um roteiro às empresas que constroem as rodovias”, explicou.

A bióloga Patricia Medici, que trabalha na conservação das antas, foi a primeira brasileira a ganhar o prêmio em dinheiro, em 2008. “A contribuição financeira permitiu que o trabalho fosse expandido num novo bioma, o Pantanal”, relembrou.

Toda a atenção recebida na época também ajudou a conscientizar a população brasileira sobre a importância da preservação das antas. “Ganhar o prêmio foi um respaldo de confiança por parte da comunidade científica, um reconhecimento de que fazíamos um trabalho com uma abordagem científica sólida”, pontuou.

Atualmente, Patricia está à frente da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), que trabalha com pesquisa científica, programas de educação ambiental e capacitações em prol da conservação das antas.


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