Mundo em transformação

Pecuarista reconhece que o veganismo veio para ficar

Segundo Darragh McCullough, está na hora da comunidade agropecuária para de fazer "acusações idiotas" sobre o veganismo

McCullough: “Os agropecuaristas precisam parar de alegar que se tivéssemos que depender de veganos para alimentar o mundo, todos iríamos passar fome. É uma fraca tentativa de ignorar a realidade” (Damien Eagers/INM)
McCullough: “Os agropecuaristas precisam parar de alegar que se tivéssemos que depender de veganos para alimentar o mundo, todos iríamos passar fome. É uma fraca tentativa de ignorar a realidade” (Damien Eagers/INM)

O pecuarista e jornalista irlandês Darragh McCullough publicou hoje um artigo no jornal Irish Independent destacando que, na sua concepção, o veganismo veio para ficar, e que a redução do consumo de alimentos de origem animal é uma realidade que tende a se solidificar cada vez mais. Segundo McCullough, que é referência no meio rural irlandês, está na hora da comunidade agropecuária para de fazer “acusações idiotas” sobre o veganismo.

“Os agropecuaristas precisam parar de alegar que se tivéssemos que depender de veganos para alimentar o mundo, todos iríamos passar fome. É uma fraca tentativa de ignorar a realidade”, critica.

E acrescenta: “Igualmente, alegações de que você não pode obter nutrientes suficientes em uma dieta vegana ignora o fato de que uma grande parte da população mundial em lugares como a Índia tem efetivamente vivido de uma dieta vegetariana por séculos.”

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McCullough, que atua no ramo de laticínios, destaca que sempre fica irritado quando alguém questiona o que aconteceria com os “animais de fazenda” se o mundo se tornasse vegetariano.

“Isso é um absurdo, já que a única razão pela qual bilhões de bovinos, ovelhas, cabras, aves e outros animais são criados é porque há um mercado para eles. O mundo nunca vai mudar para uma dieta vegetariana da noite para o dia, de modo que encontrar um número assustador de animais vagando pelas estradas do mundo é apenas um pesadelo mal concebido por um consumidor de carne”, reprova.

O pecuarista e jornalista frisa também que o Parlamento Europeu está considerando a proibição do uso de termos como hambúrguer, linguiça e bife para qualquer alimento que não seja de origem animal – o que ele considera uma bobagem que segue na mesma esteira dos lobistas da indústria da carne nos Estados Unidos:

“A teoria é que a indústria de laticínios está perdendo as vendas para todas as alternativas aos lácteos, como soja, amêndoas e aveia porque não agiu rápido o suficiente para impedir que outras empresas usassem a palavra leite. Mas você pode ver o quanto isso é sem sentido se pensar que o leite de coco sempre foi conhecido como, er, leite.”

Darragh McCullough lembra que ao revelar em um recente artigo que cuscuz é parte regular da sua dieta, seus colegas da pecuária reagiram com estranhamento: “Aceite que estilos de vida e preferências mudam. Aposto que essas mesmas pessoas hoje comem menos carne do que há 10 anos.”

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