Mais de dois milhões de tubarões e raias ficam presos em redes de pesca por ano

Os números alarmantes se referem apenas aos animais que habitam no sudoeste do Oceano Índico e são capturados “por acidente” por pescadores da região

Foto: Getty Images
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Os tubarões e as raias são mais vulneráveis a serem capturados por pequenas redes de pescaria do que se acreditava até aqui, com cerca de 2,5 milhões desses animais presos anualmente nesses equipamentos na costa da África Oriental, conforme informações recentemente divulgadas.

Os pesquisadores descobriram que as taxas de captura não intencionais de algumas espécies poderiam ser 73% maiores do que o que é realmente relatado – e inclui tartarugas e vacas marinhas (manatess).

Obter uma avaliação completa e correta da captura acidental é fundamental para entender o impacto ecológico das operações de pesca e para proteger as espécies vulneráveis.

Os pescadores distribuem redes e linhas de pesca por milhares de quilômetros nos oceanos do mundo todo diariamente, conforme informações do Daily Mail.

É inevitável que essas redes atinjam não apenas os peixes para os quais foram lançadas, o que já uma agressão a esses animais, mas também outras espécies por extensão.

Dados surpreendentes mostram que até 40% de todas as capturas efetuadas no mundo são feitas de maneira não intencional.

Esta chamada “captura acidental” pode incluir espécies vulneráveis e ameaçadas como golfinhos, aves marinhas, tubarões e tartarugas.

Na pesca de larga escala, esses pobres animais pegos por engano são jogados de volta ao mar mortos ou feridos mortalmente.

Em pescarias menores, no entanto, as espécies capturadas não intencionalmente são frequentemente mantidas pelos pescadores e vendidas independentemente às vezes, mesmo quando além de anti-ético, isso é ilegal. Animais não são produtos para serem comercializados.

Foto: Shutterstock
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“A pesca de pequena escala representa 95% da atuação de pescadores em todo o mundo e cerca de 35% da captura total de peixes”, disse o autor do estudo Andrew Temple, cientista ambiental da Universidade de Newcastle.

“Apesar disso, essa atividade recebe muito pouca atenção”, declara ele

Em seu estudo, Temple e seus colegas analisaram as capturas não intencionais de 21 locais de pesca diferentes nas costas do Quênia, Madagascar e Zanzibar, na África Oriental.

As capturas de pesca em cada local foram monitoradas durante um ano inteiro.

A partir da captura de animais contadas por eles, os resultados obtidos pelos pesquisadores extrapolaram as taxas anuais de captura divulgadas na região.

“O objetivo do projeto era começar a entender o impacto que a pesca de pequena escala está tendo no meio ambiente, registrando uma linha de base de fauna vulnerável, como tartarugas, raias e tubarões”, disse Temple.

“E o que descobrimos foi uma enorme discrepância entre os números que estão sendo declarados e o número real que é capturado – mais de 2,5 milhões de tubarões e raias por ano”.

No total, 59 espécies de vida marinha – um total de mais de 4 mil animais de espécies costeiras, oceânicas e até mesmo de águas profundas – foram apanhados pelas pescarias monitoradas.

Estes números incluíam três tartarugas marinhas e um dugongo (comumente apelidado de “vaca do mar”), que é uma espécie vulnerável.

Das espécies capturadas, as raias e os tubarões eram, de longe, as mais comuns – com tubarões-de-chão, tubarões de réquiem, tubarões-martelo e tubarões-cabeças-de-caça dominando as estatísticas.

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Enquanto as espécies maiores foram capturadas em menor número, uma fêmea de tubarão branco e um tubarão-baleia de 6 metros de comprimento também estavam entre os animais vitimados pelas redes.

A captura anual total dessas espécies vulneráveis equivale a 35 mil toneladas.

‘Nós olhamos apenas uma região do mundo, mas é provável que dados equivocados semelhantes estejam ocorrendo em pescarias de pequena escala em todo o planeta”, disse o coautor do estudo da Universidade de Newcastle, Per Berggren.

Isso significa que os 2,5 milhões de tubarões e raias não registrados e capturados que os pesquisadores descobriram, provavelmente representam apenas uma pequena fração do real prejuízo às espécies em todo o mundo.

“Reduzir esse número é essencial para proteger a vida no mar, mas também para salvaguardar a sustentabilidade futura dessas espécies” acrescentou Berggren.

“Políticas protetivas e uma gestão eficaz são necessárias para abordar o estado de saúde das populações de tubarões vulneráveis”, acrescentou a coautora do estudo, Selina Stead.

A professora Stead conclui que o estudo “deixa claro para os governos de que mais ações são necessárias para combater o extermínio de espécies vulneráveis como os tubarões”.

As conclusões e dados completos do estudo foram publicadas na revista Biological Conservation.

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