Foto: Pixabay

O Dia da Terra é comemorado anualmente em todo o mundo no dia 22 de abril. A data foi criada em 1970 e seu marco foi um fórum ambiental organizado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, que atraiu a atenção de mais 20 milhões de pessoas sobre a importância da preservação do planeta para a sobrevivência da humanidade.

O estopim para a criação da data foi a explosão em uma plataforma de extração de petróleo na costa de Santa Bárbara, nos EUA, em 1969. O acidente despejou cerca de 3 milhões de galões de óleo e foi responsável pela morte de pelo menos 10 mil animais e aves marinhas. Este desastre ambiental incentivou a criação de diversos movimentos e ações de ativistas em prol da preservação do meio ambiente.

Syed Zakir Hossain / Greenpeace

A Organização das Nações Unidas (ONU) só oficializou a comemoração em 2009, na 80º Assembleia Geral das Nações Unidas. A data também é chamada pela ONU de “Dia Internacional da Mãe Terra”. Não há muito o que comemorar. Ano após anos o planeta testemunha o aumento de catástrofes e acidentes que causam dados incalculáveis por todo o mundo. Muitos deles causados pela ação e interferência humana na natureza.

Palavras que se tornaram comuns na imprensa como mudança climática, poluição, desmatamento, agrotóxicos, insustentabilidade e extinção de habitats ilustram um mosaico do futuro que o ser humano construiu para as próximas gerações. Um relatório apresentado pela World Wide Fund for Nature (WWF) aponta que o ser humano é responsável por cerca da extinção de 60% de toda a vida selvagem do planeta. Estima-se que a cada 24h pelo menos 150 espécies de fauna e flora sejam extintos.

Foto: Pixabay

O mundo está à beira do colapso. Ambientalistas acreditam que a Terra chegou ao seu ponto sem retorno, que significa que os seres humanos exploraram os recursos naturais de forma irreversível e muito mais rápida e intensamente do que o planeta consegue se regenerar.

Anualmente produzimos cerca de 150 milhões de toneladas de plástico de uso único. Grande parte desse material é descartado nos oceanos, sendo fatal para a vida marinha. Um estudo conduzido pela Universidade Médica de Viena detectou pelo menos 10 tipos de microplásticos no organismo de seres humanos, sendo o mais comum o propileno, usado principalmente para a fabricação de garrafas PET.

Foto: Pixabay

As más notícias não param por ai. Segundo dados projetados pela ONU, até 2050 o mundo poderá ter mais de 2,2 bilhões de pessoas. O modelo atual não será suficiente para suportar a grande densidade demográfica esperada e cenários apocalípticos podem deixar de ser apenas cenas de filmes.

Foto: Pixabay

2019: reflexão

A ONU propôs como tema para o Dia da Terra 2019 o desafio “Vamos proteger nossas espécies”, visando conscientizar sobre a importância da biodiversidade para o equilíbrio do planeta. A data será comemorada por mais de um bilhão de pessoas em 190 países. São esperadas manifestações, fóruns, palestras e uma série de atividades incentivando a população mundial a adotar estilos de vida que não sejam nocivos ao meio ambiente.

Reprodução | Google

Segundo informações do portal espanhol El Pais, nesta segunda-feira (22) também será celebrado o nono Diálogo sobre Harmonia com a Natureza da Assembleia Geral das Nações Unidas na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, e vai focar no tema A Mãe Terra na Aplicação da Educação sobre as Mudanças Climáticas.

 

Em comemoração ao Dia da Terra, o Google criou um doodle especial com a ajuda de nove pessoas lideradas pelo artista Kevin Laughlin. A animação interativa que está sendo exibida em todo o mundo faz uma viagem através do planeta explorando as complexidades de forma de vidas incríveis como o albatroz-errante e a sequoia-vermelha. “Se você tiver que escolher apenas um dia por ano para lembrar que somos todos desta terra tanto quanto uma minhoca, uma montanha ou uma árvore, o Dia da Terra pode ser este dia”, disse Laughlin.

Reprodução | Google

Uma saída possível

O cenário é pessimista, mas há soluções que podem ser praticadas para minimizar os danos e criar uma oportunidade para o futuro da Terra. Uma delas é a adoção de um estilo de vida vegano e livre de exploração animal. Já foi comprovado que o processo de criação de animais para consumo humano é o principal agente poluidor e contribuidor para o desmatamento e aquecimento da temperatura do planeta.

Foto: Pixabay

Uma dieta vegetariana estrita também pode ser a responsável pelo maior acesso de alimento a toda população mundial, reduzindo impactos ambientais, desigualdades sociais e fomentando um novo modelo econômico sustentável e uma geração de seres humanos mais compassivos e pacíficos, atentos às necessidades do planeta, de seus semelhantes e de todas as espécies vivas do planeta.

Foto: Pixabay

Pequenos gestos e escolhas podem fazer toda a diferença: separar e reciclar o lixo, plantar uma árvore, apagar as luzes quando possível, economizar água, consumir menos e reaproveitar mais. Que diferença você vai fazer para o mundo hoje?

Reflexão

A presidente da ANDA, Silvana Andrade, usou seu perfil no Facebook para compartilhar a histórica mensagem deixada pelo Cacique Seattle em 1855. “Hoje, 22 de abril, é comemorado em todo o mundo o Dia da Terra, meu planeta lindo e amado que tem sido tão maltratado. Peço consciência a todos. Deixo aqui o mais belo texto em defesa do nosso planeta. Terra, eu te amo e te respeito profundamente”, disse a postagem.

Divulgação

A Carta do Cacique Seattle

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington enviou esta carta ao então presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. Leia abaixo:

“O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra e assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.

Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a nossa mãe. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumosas são nossas irmãs; os gamos, os cavalos, a majestosa águia, todos são nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do cavalo e o homem, tudo pertence a uma só família.

“Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que nos reservará um local onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.

“A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de vos lembrar que ela é sagrada, e deveis lembrar a vossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida de meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais. Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a vossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão.

“Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga; depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. Sequestra os filhos da terra e não se importa. A cova de seus pais e a herança de seus filhos, ele as esquece. Trata a sua mãe, a terra, e a seu irmão, o céu, como coisas a serem compradas ou roubadas, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos.

“Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal não possa compreender.

“Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

“O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume das pinhas.

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas, se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que nossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.

“Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

“Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, imporei uma condição: o homem branco terá de tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

“Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos manter vivos.

“Que será do homem sem os animais? Se todos os animais desaparecessem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo que aconteça aos animais pode afetar os homens. Tudo está relacionado.

“Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo.

“De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado.

“O que fere a terra fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

“Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha, e com quem conversa como amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos. Nós o veremos. De uma coisa sabemos — e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Podeis pensar hoje que somente vós O possuís, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e Sua compaixão é igual tanto para o homem branco quanto para o homem vermelho. Esta terra é querida Dele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.

“Mas no vosso parecer, brilhareis alto, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueadas por fios falantes. Onde está a floresta? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o fim da vida e o início da sobrevivência”.