Mudança climática tem maior impacto sobre a vida marinha


Vida marinha sofre os efeitos da mudança climática | Foto: Ingrid Prats/Shutterstock
Vida marinha sofre os efeitos da mudança climática | Foto: Ingrid Prats/Shutterstock

A mudança climática causou o desparecimento duas vezes mais espécies marinhas do que espécies terrestres de seus habitats, descobriu um estudo conduzido pela Universidade Rutgers.

A maior vulnerabilidade das criaturas marinhas ao calor pode impactar nas populações e espécies que já estão severamente ameaçadas de extinção por fatores diversos como perda de habitat, enredamentos, choques com embarcações e outros fatores.

O estudo é o primeiro a comparar a sensibilidade das espécies marinhas e terrestres de sangue frio ao aquecimento global e sua capacidade de encontrar refúgio do calor enquanto permanecem em seus habitats normais.

Os autores investigaram pesquisas mundiais sobre quase 400 espécies, de lagartos e peixes a aranhas. Eles calcularam as condições de segurança para 88 espécies marinhas e 294 terrestres, bem como as temperaturas mais baixas disponíveis para cada espécie durante os períodos mais quentes do ano.

“Descobrimos que, globalmente, as espécies marinhas estão sendo eliminadas de seus habitats pelo aquecimento das temperaturas duas vezes mais que as espécies terrestres”, disse o principal autor do estudo, Malin Pinsky, professor associado do Departamento de Ecologia, Evolução e Recursos Naturais da Universidade Rutgers em Nova Brunswick. “As descobertas sugerem que novos esforços de conservação serão necessários se o oceano continuar ser saqueado para o bem-estar, a nutrição e a atividade econômica humanas”.

Foto: BSAC/Reprodução
Foto: BSAC/Reprodução

Os pesquisadores descobriram que as espécies marinhas são, em média, as mais propensas a viver à beira de temperaturas perigosamente altas. Além disso, muitos animais terrestres podem se esconder do calor em florestas, áreas sombreadas ou subterrâneas, um luxo que não é possível a muitos animais marinhos.

A perda de uma população pode esgotar a diversidade genética das espécies, ter impactos em cascata sobre seus predadores e presas e alterar os ecossistemas que envolvem também a sociedade humana.

O estudo observa que as extinções antigas estavam freqüentemente concentradas em latitudes e ecossistemas específicos quando o clima mudou rapidamente.

O aquecimento futuro provavelmente desencadeará a perda de mais espécies marinhas de habitats locais e maior rotatividade de espécies no oceano.

“Compreender quais espécies e ecossistemas serão mais severamente afetados pelo aquecimento, conforme as mudanças climáticas avançam, é de fundamental importância para orientar os esforços em prol da conservação dessas populações”, conclui o estudo.


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