Cães ameaçados que vivem nos porões de orfanato no Haiti recebem uma oportunidade nos EUA


Foto: Haiti Children
Foto: Haiti Children

Chapéu: Nova chance

Título: Cães ameaçados que vivem nos porões de orfanato no Haiti recebem uma oportunidade nos EUA

Olho: A região assolada por tragédias como terremotos e desmoronamentos sofre de fome e escassez de recursos, o que leva os moradores a verem os animais como competidores por alimentos e os matarem

Cães que vivem nos porões do orfanato Haiti Children, no Haiti, correm o risco de ser mortos caso não sejam retirados rapidamente de seu lar. Foi oferecida uma oportunidade aos animais ameaçados no Aspen Animal Hospital em Aspen, no Colorado, EUA, porém os recursos para transferi-los são altos e ainda estão sendo arrecadados.

As condições extremas de fome, as gangues e a violência política aumentaram na área rural em torno do orfanato, e enquanto os moradores da instituição estão seguros, infelizmente, não ocorre o mesmo com os cães. Muitos deles já foram envenenados e mortos por moradores revoltados que os viam como competidores por comida.

A situação é especialmente desoladora porque, por nove anos, os cães do orfanato têm sido um marco na vida das 162 crianças residentes na instituição. Os animais são parte da família dessas crianças, ensinando-as sobre responsabilidade, respeito e compaixão.

Como os cães convivem com as crianças desde cedo são bem socializados, dóceis e sem traços de agressividade, conforme informações da diretora do orfanato, Susie Krabacher.

Krabacher trabalha com órfãos haitianos há 25 anos conta ela. O orfanato recebeu seu primeiro cachorro após o terremoto de 2010 e eles se tornaram uma parte muito amada da vida no campus segundo a diretora.

Contudo, muitos moradores da área onde fica o orfanato, conhecida como Williamson, não conseguem entender que os cães recebem alimentos que os humanos não poderiam comer, como rações e petiscos, disse Krabacher.

Assim, os animais de estimação são cada vez mais vistos como uma ameaça. Como o orfanato abre o campus para a comunidade quando as remessas de arroz e feijão chegam, e também para a realização de exames médicos e serviços religiosos pessoas transitam dentro das instalações esses dias.

Krabacher acredita que foi durante um culto na igreja em janeiro de 2018 que um aldeão, a quem ela descreveu como praticante de vodu, alimentou com seis dos cães carne de rato envenenada. Cinco não sobreviveram.

A mesma coisa aconteceu novamente em janeiro e dois cães foram mortos.

Em outro exemplo contado por ela, uma mulher idosa jogou uma pedra em um cachorro que estava vindo em direção a sua comida e o animal não sobreviveu.

Essas fatos combinados com o aumento da violência política devido a conflitos envolvendo milicianos que dominaram a área e estão trabalhando para um grupo governamental de oposição, Krabacher decidiu que era hora de tirar os cachorros de lá.

As crianças e os funcionários do orfanato estão bem e protegidos, enfatizou ela, mas com tantas pessoas entrando e saindo e com atitudes culturais difusas em relação aos animais, a segurança dos cães não pode ser garantida, disse a diretora.

“Tem sido difícil para as crianças, que passaram a amar os cães, mas eles reconhecem que os cães estão em risco”, disse Krabacher. A idéia dos cães serem transferidos para uma área como Aspen se tornou atraente para as crianças, disse a diretora.

A realidade é que os cães precisam de ajuda urgente e até mesmo as crianças do orfanato, que os amam e sofrerão ao perdê-los, entendem o perigo da situação e aceitam que precisam realocar seus animais de estimação para salvar suas vidas.

Conforme informações do Aspen Daily News, Susie Krabacher, CEO da Haiti Children, e Anne Cooley do Aspen Animal Hospital estão arrecadando doações para pagar um voo de um jato particular que leve os 22 cães, incluindo oito que são filhotes de 7 meses de idade até os EUA.

Lares adotivos em Aspen e áreas vizinhas também serão necessários para os cães resgatados que são descritos como uma “versão menor de uma mistura entre um pastor alemão e um labrador.” A maioria dos cães viveu suas vidas inteiras no orfanato e receberam cuidados veterinários, todos documentados, com exceção dos filhotes que ainda não foram imunizados.

Uma vez realocados com segurança, o Hospital de Animais de Aspen informou que doará “todas as necessidades médicas iniciais, incluindo vacinas para os filhotes, procedimentos de castração e esterilização contra parasitas e exames de saúde”.


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