SEM PRECEDENTES

Marcha histórica: governo cubano autoriza manifestação pelos direitos animais

Em Cuba, não há leis que punam crimes de maus-tratos contra animais.

Grettel Montes de Oca Valdés, bailarina profissional e fundadora do grupo Cubanos em Defesa dos Animais, posa com quatro gatinhos que recebeu em sua casa em Havana — Foto: AP/Ramon Espinosa

O governo de Cuba permitiu que uma manifestação em prol dos direitos animais fosse realizada em Havana no domingo (7). Mais de 400 pessoas marcharam pacificamente por mais de 1,5 quilômetro. Os manifestantes gritaram palavras de ordem pedindo o fim da crueldade animal em Cuba.

Grettel Montes de Oca Valdés, bailarina profissional e fundadora do grupo Cubanos em Defesa dos Animais, posa com quatro gatinhos que recebeu em sua casa em Havana — Foto: AP/Ramon Espinosa

O ato representa um marco na história de Cuba. Manifestantes e historiadores consideraram inusitada a autorização para ser organizada uma manifestação não associada ao Estado e acreditam que esse seja um movimento talvez sem precedentes desde os primeiros anos da revolução cubana.

“Eu acho muito inteligente que eles aprovaram a manifestação, ou melhor, marcha”, disse o cantor Silvio Rodriguez. “Isso faz a gente se sentir otimista. Agora temos que ver se a mesma coisa acontecerá com outras causas”, completou.

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO

Em Cuba, não é aceito discurso político contrário, por isso, um ato cobrando ações do governo é um acontecimento notável. As informações são do G1.

“É sem precedentes”, disse Alberto Gonzalez, organizador da marcha e editor da The Ark, uma revista on-line cubana de defensores dos animais. “Isso vai marcar um antes e um depois”, acrescentou.

Agentes de segurança do Estado observaram a marcha, mas não interferiram. De acordo com Gonzalez, as autoridades pediram que o ato fosse mantido longe das ruas principais da cidade, para evitar trânsito.

A marcha, que contou também com a participação de cães, que acompanharam os tutores, terminou no túmulo de Jeannette Ryder, uma mulher norte-americana que lutou pelos direitos animais em Cuba no início do século XX.

Defensora dos direitos dos animais, Grettel Montes de Oca Valdes participou de marcha histórica em Havana — Foto: AP/Ramon Espinosa

Devido a tensões remanescentes entre o plano oficial e o não-oficial em Cuba, voluntários de um grupo de proteção animal que é apoiado pelo governo não participou do ato e anunciou que realizará uma nova manifestação na próxima semana.

Em Cuba, não há leis contra maus-tratos a animais. O país, no entanto, tem muitos ativistas e protetores de animais. Praticamente em todos os bairros de Havana há um ou dois voluntários que alimentam, cuidam e castram cachorros e gatos abandonados. Estrangeiros costumam colaborar com doações de suprimentos e dinheiro.

O Aniplant é o único grande grupo de resgate de animais oficialmente reconhecido em Cuba. Outros poucos, pequenos e não-estatais, também trabalham em prol dos cães e gatos em Havana e outras grandes cidades do país. Nos últimos anos, milhares de assinaturas pedindo uma legislação que puna a crueldade contra animais foram coletadas por esses grupos, mas sem sucesso até o momento.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui