tradição bárbara

Um cachorro é para a vida, não apenas para o jantar

Aproximadamente 100,000 cães são consumidos anualmente no Festival de Carne de Cachorro de Yulin, onde oficiais acreditam que 70% dos animais abatidos são animais domésticos roubados.

Jasper, um cão de terapia residente, encontra a imprensa na Biblioteca de Direito Lui Che Woo no Campus do Centenário Pok Fu Lam | Foto: Jonathan Wong

Numa cidade cosmopolita como Hong Kong onde nosso foco pode rapidamente recair sobre a construção de uma carreira de sucesso, ter uma florescente vida social ou talvez até possuir uma propriedade, também é importante que estimulemos nosso próprio bem estar emocional.

Para muitos, companheiros podem preencher esse buraco e não necessariamente precisa ser outra pessoa. Para alguns, cães são melhores companheiros porque o vínculo é simples e direto.

Esses amigos de quatro patas podem reduzir o estresse, combater a solidão, fazer-nos rir e no geral são bons para nossa saúde mental. Um cão nos dará seu amor e sua lealdade incondicionalmente e sempre seremos sua prioridade.

Em diversas partes do mundo cães são classificados legalmente como animais de suporte emocional e têm sido globalmente reconhecido que cães podem prover significantes benefícios aos humanos como companheiros porque eles podem ajudar as pessoas a nutrir conexões emocionais, aliviar ansiedade e outros pensamentos negativos em tempos de crise.

Existem até evidências que mostram que animais de suporte podem ajudar a melhorar a saúde de pacientes e é por isso que frequentemente vemos cães de terapia visitando hospitais ou centros de saúde para ajudar a promover a cura e recuperação.

Muitos de nós sabemos quão importantes são os cães em nossas vidas, mas poucos se certificam que esse fato da vida seja ouvido em toda parte.

Contudo algo extraordinário tomou conta durante o recente encontro Two Sessions em Beijing, os debates entre os dois principais corpos políticos da China – o Conferencia Consultiva Política do Povo Chinês (Chinese People’s Political Consultative Conference , CPPCC) e o Congresso Nacional do Povo (National People’s Congress , NPC).

Durante uma dessas reuniões paralelas, Guo Changgang, membro do CPPCC e também diretor do Instituto de Estudos Globais da Universidade de Shangai, apresentou uma proposta legislativa para classificar cães como animais de companhia para elevar o status destes para então dá-los a proteção apropriada contra o abuso e a crueldade. Isso também lhes daria proteção legal contra o abate para alimentação.

Guo também acredita que na era da globalização a ação de um país sobre proteção animal afetará diretamente a imagem na comunidade internacional. E como a comunidade internacional geralmente considera cães como os melhores amigos do homem, seria altamente desejável ver a China fazendo a coisa certa que é dar aos cães o status de animais de companhia.

Mês passado, uma empresária chinesa, Yang Fenglan, apelidada de Rainha do Marfim, foi sentenciada a 15 anos de prisão pela corte da Tanzânia por sua participação no tráfico de presas da caça de mais de 400 elefantes.

Após sua sentença, o Ministro das Relações Exteriores da China emitiu uma declaração dizendo que o país sempre deu grande importância à proteção de animais e plantas selvagens ameaçadas de extinção.

Apesar de ter sido um passo na direção certa, ainda temos muito trabalho a ser feito a respeito da proteção animal na China, especialmente quando se trata de cachorros.
Um exemplo flagrante é o Festival de Carne de Cachorro de Yulin onde 100.000 cães são comidos anualmente.

Como a segunda maior economia mundial, a China tem uma enorme responsabilidade ao desempenhar um papel de liderança na formação de valores globais e elevar o nível de promoção dos direitos animais e da proteção animal.

De acordo com Guo, aproximadamente 70% dos animais consumidos anualmente no país são animais domésticos roubados. E um dos métodos mais comuns para caçá-los é atirar com dardos envenenados. Segue sem dizermos que este é um fato, esta carne de cachorro pode não ser segura para o consumo humano.

O último movimento de Guo é só o primeiro de vários passos para a mudança da lei que classifica os cães como animais de companhia na China. Em tempo, nós poderíamos pegar a sugestão de Guo e ajudar a mudar a percepção geral da visão de que os cães não são só animais de estimação ou propriedade, mas entidades vivas como membros da família ou nossos companheiros de uma vida.

O resultado ideal seria se a China classificasse legalmente os cães como animais de companhia. Ao fazer isso, o país não só demonstraria seu compromisso irrevogável com a proteção dos cães, mas que também respeitaria toda forma de vida senciente.

Isso seria mais adequado a uma superpotência global que quer continuar exercendo incontestável influência no cenário mundial.

Essa mudança de atitude do governo sobre o bem-estar animal também seria um exemplo para seus cidadãos. Isso não quer dizer que a China se tornará a líder dos direitos dos animais a qualquer momento, mas certamente é um passo em direção a um mundo melhor para nossos amigos de quatro patas.

*Luisa Tam é editora sênior do South China Morning Post

Este artigo apareceu na edição impressa do South China Morning Post como: Um mundo melhor para os animais se os cães fossem reconhecidos como companheiros.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui