Duas espécies amazônicas de água doce são ameaçadas: o peixe-boi amazônico e o boto-rosa — Foto: Rudimar Narciso Cipriani/ TG

Quando o assunto é mamífero, o Brasil se destaca: casa para mais de 700 espécies reconhecidas cientificamente, o País possui uma das maiores riquezas de mamíferos do mundo. Dessas, 51 são marinhas, sendo 19 golfinhos, 24 baleias, sete espécies carnívoras e o peixe-boi-marinho.

Em águas brasileiras, os pintados-do-atlântico se destacam por ser a espécie mais comum no litoral norte paulista, onde também são observados nariz-de-garrafa, dentes-rugosos, golfinho-comum, boto-cinza e toninha.

Dentre as espécies listadas no Livro Vermelho do ICMBio, a toninha, também conhecida como boto-amarelo, é o Cetáceo mais ameaçado da América do Sul.

Tida como “Criticamente em Perigo”, categoria anterior a “Extinto na Natureza”, a espécie é vítima da pesca de emalhe – um tipo de rede -, diminuição do habitat e poluição.

De acordo com pesquisas realizadas em 2002, a espécie pode chegar a 10% do tamanho populacional em 23 anos no Sul do Brasil.

Endêmica do Atlântico Sul Ocidental, a toninha pode ser encontrada nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, no Uruguai e na Argentina. Comum em águas mais rasas, de até 30 metros, ocorre principalmente em ambientes marinhos e em alguns poucos estuários, como a Baía da Babitonga.

Atenção aos rios

De acordo com pesquisas do Livro Vermelho, os golfinhos fluviais são as espécies mais ameaçadas de extinção, resultado do conflito pelo uso dos recursos hídricos, captura direta por pescadores, captura acidental em redes de pesca e encalhes.

O desmatamento e a ocupação humana nas margens do rio também afetam a sobrevivência do boto-vermelho, o maior golfinho de rio, classificado como “Em Perigo” na categoria de risco de extinção.

De acordo com os especialistas, suspeita-se um declínio populacional da espécie de pelo menos 50% nas próximas três gerações, ou cerca de 30 anos.

No Brasil, o boto-vermelho ocorre em rios como o Negro, Solimões, Japurá, Purus, Juruá e Madeira, abrangendo a Amazônia, Acre, Roraima, Rondônia, Pará e Amapá, além da bacia dos rios Araguaia e Tocantins, podendo ser avistado em Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

A poluição, mineração e a fragmentação do habitat, que resultam no assoreamento dos rios, são outras ameaças à espécie, que na última década foi muito usada como isca na pesca de bagre e piracatinga.

Fonte: G1