Pesquisa revela que 17 espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção


O apetite humano é um dos principais fatores que tem levado os tubarões à beira da extinção, alertam os cientistas após uma nova avaliação do status de conservação da espécie.

Dezessete das cinquenta e oito espécies avaliadas foram classificadas como ameaçadas de extinção, de acordo com o Grupo Especialista em Tubarões da União Internacional para a Conservação das espécies (IUCN) na quinta-feira passada, em uma atualização da Lista Vermelha de Animais e Plantas Ameaçados, referência para o mundo todo.

“Nossos resultados são alarmantes”, disse Nicholas Dulvy, que preside o grupo de 174 especialistas de 55 países.

“Os tubarões são animais de crescimento particularmente lento, bastante procurados e desprotegidos por leis, tendem a ser os mais ameaçados”.

Essa categoria inclui o tubarão-mako shortfin, cuja velocidade de cruzeiro de 40km/h (25km/h) – pontuada por explosões de mais de 70km/h – torna-o o mais rápido de todos os tubarões.

Junto com seu primo, o longfin, os dois tubarões-makos são altamente valorizados por sua carne e barbatanas, consideradas uma iguaria pelas tradições chinesas e outras culinárias do paladar asiático.

“Hoje em dia, um dos animais mais pescados em alto mar é o tubarão-mako”, disse Dulvy à AFP. “É também um dos menos protegidos.”

Em maio, as nações participantes do tratado, votarão uma proposta feito pelo México para colocar o tubarão-mako shortfin no Apêndice II da CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas.

O fato entrar para o Apêndice II da CITES, infelizmente não proibiria a pesca ou o comércio desses animais, mas o regularia, o que já seria algum ganho no sentido de proteger a espécie.

Seis das espécies analisadas foram listadas como “criticamente em perigo”, três delas pela primeira vez: o tubarão whitefin swellshark (Cephaloscyllium albipinnum), o cação-anjo argentino (Squatina argentina), tubarão-anjo (Squatina oculata)

O grupo de especialistas em tubarões da IUCN está conduzindo uma revisão de dois anos com mais de 400 espécies de tubarões.

Para os animais terrestres, os biólogos da conservação concentram-se no tamanho da população e alcance geográfico para fazer a avaliação da ameaça de extinção.

Para os tubarões e outros animais marinhos, eles usam outra abordagem, procurando, em vez disso, a rapidez com que as populações diminuem.

Pior do que pensávamos

Mas isso requer uma referência, especialmente para espécies pelágicas ou das que vivem em oceano aberto, explicou Dulvy.

Apenas nos últimos 10 anos os cientistas conseguiram estabelecer uma referência, em parte com a ajuda das pescarias de atum que começaram a manter contagens de tubarões que eram pegos por acaso.

“Uma década depois, sabemos agora que a situação é muito pior do que imaginávamos”, disse Dulvy.

Ironicamente, as organizações de controle da pesca, que tem feito um bom trabalho policiando as capturas de atum, aumentaram o incentivo para que os pescadores mirassem nos tubarões para obter uma renda extra.

“No Oceano Índico” – ao longo das costas do Mar da Arábia e da Baía de Bengala – “a pesca do atum é na verdade uma pesca de tubarão, com capturas eventuais de atum”, disse Dulvy.

À luz de suas novas descobertas, o Shark Specialist Group (Grupo de Especialistas em Tubarões) está pedindo por “severas normas de vigilância e proteção para esses animais no que diz respeito a pesca nacional e internacional, incluindo proibições completas de captura das espécies avaliadas como ‘ameaçadas’ ou ‘criticamente ameaçadas'”, disse Sonja Fordham, vice-presidente do grupo e membro da The Ocean Foundation.

Os tubarões dominaram os oceanos do mundo por cerca de 400 milhões de anos, desempenhando um papel fundamental nas cadeias alimentares globais.

Mas esses “reis dos mares” se mostraram especialmente vulneráveis à predação humana: crescem lentamente, tornam-se sexualmente maduros relativamente tarde e produzem poucos filhotes.

O tubarão esporão de olho verde (Squalus chloroculus) – recém classificado como ameaçado de extinção – tem um período de gestação de quase três anos, que é o mais longo no reino animal.

Um estudo de revisão por pares de 2013 estimou que mais de 100 milhões de tubarões são capturados todos os anos para alimentar a demanda de um mercado de barbatanas, carne e óleo de fígado.

Mais da metade das espécies de tubarões e seus parentes são categorizados como ameaçados ou quase ameaçados de extinção.


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