Empresário boliviano larga tudo para se dedicar a animais abandonados


Fernando Kushner era um executivo de marketing do mundo da moda. A mudança em sua vida, que o fez desistir de tudo para se dedicar aos animais abandonados, teve início quando ele conheceu Choco, um cachorro em situação de rua.

Kushner saía de uma aula de ioga quando encontrou o animal. Comovido com o sofrimento do cachorro, decidiu dar a ele um pedaço do sanduíche que comia. Em um gesto de gratidão, o cão esfregou o focinho no então executivo e lambeu as mãos dele, o que fez Kushner se convencer de que deveria continuar alimentando-os nos dias seguintes.

Foto: Sergio Echazú

Com o passar do tempo, ele estava alimentando cinco cachorros, depois dez, em seguida vinte. Hoje, dedicando-se integralmente aos animais, o ex-executivo cuida de centenas de cães. Com uma van, pouco antes do amanhecer, ele percorre diariamente as ruas da cidade de La Paz, na Bolívia, para alimentar cachorros abandonados em sete ou oito distritos diferentes.

“Desisti de tudo por meus cachorros: romances, família, carreira”, conta. As informações são do site F5, do jornal Folha de S. Paulo.

Kushner alimenta os cães abandonados duas vezes por dia, de manhã e à tarde. No intervalo entre os turnos, ele dirige por cerca de três ou quatro horas para buscar alimentos doados por pessoas sensíveis à causa animal. Em média, ele recebe 15 recipientes com alimentos, cada um com capacidade para cerca de 50 litros.

Mensalmente, Kushner gasta do próprio bolso 9 mil pesos bolivianos – cerca de R$ 4,9 mil – para comprar cerca de 50 sacas de 22 quilos de biscoitos para cachorros, que ele distribui para os animais que alimenta.

O trabalho do ex-executivo, porém, vai além da alimentação dos cães abandonados. Isso porque ele também é voluntário em diferentes instituições que resgatam animais em La Paz.

María Angulo Sandoval, que trabalha em um abrigo no município vizinho de El Alto, afirma que Kushner atua em uma área na qual as autoridades municipais falharam. “As autoridades da cidade são responsáveis ​​pela saúde pública e segurança, o que inclui manter a população de cães sob controle. Mas elas são absolutamente ausentes”, diz.

Para ele, deixar o lucrativo trabalho como executivo para se dedicar aos cachorros foi uma decisão fácil que aconteceu “de um dia para o outro”. Inicialmente, Kushner teve problemas apenas com a família. Na primeira vez em que ele perdeu a celebração do Natal com os familiares por estar alimentando cachorros, os parentes dele ficaram furiosos. Hoje, no entanto, eles aceitam melhor a situação.

“Pensei que ele ficaria entediado com tudo isso depois de cerca de três meses, e que ele iria deixar [a atividade de assistência aos animais]”, afirma sua mãe, Lolita Kushner. “Mas toda vez que eu o vejo, ele parece mais preocupado que nunca com cachorros e mais comprometido com sua missão”, completa.

Kushner pretende contratar ajudantes em breve, mas afirma que no momento ele é um “exército de um homem só”.

Foto: Sergio Echazú

O trabalho que exerce em prol dos animais consome tanto do seu tempo que não sobra espaço nem para conhecer uma pessoa e se relacionar. Mas Kushner cogita ter um relacionamento no futuro. No entanto, segundo ele, a pessoa “teria de amar os animais, caso contrário seria impossível”.

Quanto às críticas que recebe por se dedicar aos animais ao invés de cuidar de pessoas necessitadas, Kushner não nega que a Bolívia tenha necessidades sociais profundas, mas argumenta que há “centenas de instituições de caridade” que trabalham em prol dos pobres no país, ao contrário das ONGs de proteção animal, que são poucas.

O ex-executivo reconhece, porém, que seus esforços são uma gota no oceano. Isso porque, de acordo com seus próprios cálculos, aproximadamente 250 mil cachorros vivem em situação de rua em La Paz. A única solução, a longo prazo, para resolução desse problema, segundo ele, é investir na educação e na conscientização da população. E Kushner também tem feito sua parte em relação a isso ao entrar em contato com aqueles com os quais trabalhava quando conduzia campanhas para marcas de luxo. Com isso, ele já conseguiu que grandes empresas publicassem seu slogan “Adote, não compre” e garantiu que a companhia aérea privada Bolívia Amazonas aceitasse cobrir o custo total do envio de cachorros de uma cidade para a outra para que fossem adotados.

Atualmente, Kushner tenta arrecadar recursos para a construção de um abrigo para cachorros idosos, que também funcionará como centro de castração. Para isso, ele já convenceu a Incerpaz, uma das maiores fabricantes de tijolos do país, a vender o material a preço de custo.

Para ajudar os animais, Kushner já buscou contato com Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por via diplomática. “Embora tenhamos o mesmo sobrenome, não temos nenhum parentesco. Mas o que há a perder?”, questiona. “Se ele quisesse, poderia pagar para esterilizar todos os cães na Bolívia”, conclui.


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