Recifes marinhos havaianos enfrentam ameaça de extinção


Foto: Alana Eagle/Civil Beat
Foto: Alana Eagle/Civil Beat

Na batalha para manter a frágil vida selvagem dos recifes de corais no Havaí longe dos ambientes artificiais de colecionadores do continente e preservá-los em seus habitats nativos, os defensores dos aquários domésticos costumam usar as palavras de ordem “sustentável” e “legalmente aceito” em defesa própria, quando se referem a essa atividade destrutiva que já dura décadas e vêm devastando a espécie.

A cronologia dessa luta em prol dos recifes é antiga e cheia de percalços, porém agora mais do que nunca, necessária e urgente, além de contar com o apoio massivo da população. De acordo com pesquisa realizada pela ONG Civil Beat Honolulu 84% dos residentes do pais querem ver o fim desse comércio.

Em 2014 o então administrador da Divisão de Recursos Aquáticos do Havaí se demitiu após dar um depoimento perante Junta de Terras e Recursos Naturais (BLNR), ratificando sua oposição às regras do comércio de aquários aritificiais propostas pelos colecionadores.

O depoimento dele explicava porque as regras eram incompatíveis com uma boa gestão dos recursos naturais, além não terem base científica e terem sido desenvolvidas em um processo falho, onde importantes partes envolvidas haviam sido excluídas.

A BLNR ignorou estas preocupações, e em vez disso votou junto com o seu então presidente, um antigo colecionador de aquários. Contudo, um importante conjunto de fatos emergiu da reunião que a BLNR subseqüentemente realizou com os cientistas após o incidente: os pontos em que o comércio de aquários de corais eram classificados como “sustentáveis” não haviam sido definidos e nem os meios para medí-los, os objetivos da gestão do estado, ou as métricas para atingir essas metas.

Em 2017, um projeto de lei tentou mais uma vez definir a “sustentabilidade” do comércio de recifes em aquários artificiais, mas a DLNR novamente se opôs a ela, alegando que era uma lei desnecessária e muito cara. O governador então, vetou o projeto.

A redução de cerca de 60% a 90% em peixes e outras criaturas marinhas capturadas para o comércio de animais em áreas que ainda permanecem abertas à coleta, preocupa cientistas ligados à instituições de conservação da vida marinha.

Além disso, embora algumas pescarias esgotem rotineiramente as populações de peixes em mais de 80% e ainda assim sejam consideradas “sustentáveis”, esse não é o caso dos ecossistemas de recifes de coral próximos à costa, agora ameaçados de extinção também pelo efeito das mudanças climáticas.

Segundo um estudo da ONG Honolulu´s Civil Beat Hawaii, sem uma drástica redução dos gases causadores do efeito estufa, 70% dos recifes de corais do Havaí deverão estar mortos em 30 anos, restando apenas 1% até o final do século, em um processo que ocorrerá bem diante dos olhos de todos, e pode começar já em 2030.

Especialistas insistem na importancia de focar na restauração da abundância da flora e fauna marinhas, remoção de estressores e construção de resiliência nesses ecossistemas. Antes da decisão da suprema corte havaiana em 2017, que encerrava o comércio de aquários artificiais somente no oeste do Havaí, até que fosse feita uma revisão ambiental adequada, quase duas vezes mais peixes e recifes eram retirados do estado para o comércio de aquário artificais do que os que eram pescados para alimentação.

Cientistas afirmam que são muitas as ameaças aos aos ecossistemas oceânicos, incluindo poluição e as diversas formas de pesca empregadas, no entanto, isso não justifica, segundo eles, os impactos da indústria de aquário artificiais, com taxas de mortalidade elevadíssimas e irreversíveis.

O Havaí proibiu a captura de corais, rochas e areias em 1986, mas mais de 30 anos depois continua a permitir a extração crítica e ilimitada da vida marinha. Segundo a dra. Marjorie Ziegler, que se opõe fortemente ao comércio de aquarios artificiais, “se o estado não permite que nossas aves nativas e outros animais sejam levados e vendidos no continente essa proteção deve se estender também à vida marinha”.

Há uma lei pedente de aprovação no congresso havaiano que fixa a data efetiva de 2024 para o fim definititvo e completo do comércio da vida marinha em aquários, o texto prevê cinco anos de prazo para sua eliminação total, um compromisso importante que deve dar aos animais marinhos e seus lares de recifes de coral tempo para construir alguma resiliência enquanto enfrentam uma batalha cada vez maior pela própria sobrevivência.


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