Cavalos selvagens do deserto da Namíbia correm risco de extinção


Os cavalos selvagens do deserto da Namíbia, que sobreviveram ao abandono após serem deixados, há um século, à própria sorte, estão à beira da extinção. Isso porque as hienas e as secas severas fizeram com que a espécie fosse reduzida a apenas 74 animais.

Desde que foram abandonados, eles não eram muitos animais, mas sempre se mantiveram acima de cem. Há apenas quatro anos, eram 300, segundo a Namibia Wild Horses, fundação sem fins lucrativos que luta pela preservação da espécie. As informações são da agência de notícias EFE.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

“A história desses cavalos tem cerca de 104 ou 105 anos. Havia um criadouro à beira do deserto da Namíbia que os mantinha para as minas de diamantes, para o trabalho e também para o lazer. Durante o tumulto por causa da Primeira Guerra Mundial, o dono foi repatriado à Alemanha e estes cavalos ficaram livres”, explicou à Agência Efe Mannfred Goldbeck, presidente da Namibia Wild Horses.

Após o abandono, eles se estabeleceram em uma região no extremo sul do deserto, conhecida como Garub, onde havia uma estação ferroviária na qual tinha água. No entanto, em 1986 o terreno passou a integrar o parque nacional Namibe-Naukluft. Com a área cercada, os cavalos tiveram seu espaço reduzido. Atualmente, eles vivem em pequenos grupos espalhados por uma área de aproximadamente 60 quilômetros de extensão.
A redução da área dos cavalos, devido a criação do parque, diminuiu também a capacidade de ação dos conservacionistas e da comunidade local, gerando uma diminuição da população desde 2013. Em todo esse período, nenhum potro sobreviveu até atingir a idade adulta. Eles são mortos, principalmente, por hienas famintas, mas a seca severa que abateu o sul da África entre 2015 e 2018 também é causa da morte desses animais.

A única diferença física entre eles e os cavalos domesticados é o fato de que são pequenos e magros, devido às dificuldades que enfrentam.  Esses animais pertencem a três raças e chegaram ao sul da África trazidos por colonizadores europeus.

Na tentativa de salvar a espécie, a Namibia Wild Horses se ofereceu para assumir a custódia dos cavalos, que são de responsabilidade do poder público, que não tem garantido esforços suficientes para protegê-los. A proposta da fundação é comprar um terreno fora do parque e manter os animais no local, que continuariam sendo propriedade do governo e poderiam ser vistos pelos turistas, mas seriam cuidados pela entidade.

A proposta, porém, foi rejeitada pelo presidente Hage Geingob. No ano passado, a preocupação dele com a sobrevivência dos cavalos motivou o Ministério de Meio Ambiente e Turismo a mudar sua postura de “não interferência”, passando a capturar hienas.

“As hienas e os cavalos estão em uma área protegida, mas as hienas se espalham. Há explorações agrárias bordeando o parque e as hienas estavam se alimentando de ovelhas, portanto os fazendeiros atuavam contra elas. Como não há tantas explorações devido à seca, buscam outro alimento e agora são os cavalos”, detalhou Goldbeck.

O apoio à caça de hienas dentro do parque foi alvo de polêmica. Isso porque a decisão contraria os princípios do parque e dos animalistas.

“Ficamos muito tristes e, além disso, o problema é que o Ministério atuou demais tarde”, acrescentou o presidente da Namibia Wild Horses.

O ponto positivo, segundo Goldbeck, é o governo ter reconhecido o valor dos cavalos selvagens e passar a considerar diferentes planos de ação. “Isso não era assim no passado, antes diziam ‘se não podem sobreviver é preciso deixá-los morrer'”, lembrou. O ativista conta que, no passado, a sobrevivência dos cavalos dependeu do fornecimento direto de alimentos para eles nos períodos de seca.

“Podemos cuidar deles fora do parque se tivermos a permissão do Ministério”, assegurou Goldbeck. “Mas nos preocupa o fato de que não possa haver uma próxima geração desses cavalos selvagens”, completou.


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