O plástico é responsável por causar um imenso dano aos animais marinhos e ao meio ambiente. O albatroz morto com o estômago repleto de detritos, a tartaruga presa em anéis de latas de cerveja, a foca emaranhada em uma rede de pesca são alguns dos casos de animais prejudicados pelo plástico.

Foto: JORDI CHIAS

Num vídeo divulgado no YouTube, um biólogo em um barco ao largo da Costa Rica usa um alicate suíço para retirar um canudo da narina de uma tartaruga-oliva. O animal se debate, aflito, sangrando. As imagens foram vistas mais de 20 milhões de vezes. O canudo media 10 centímetros. As informações são do National Geographic Brasil.

Os danos aos animais, porém, nem sempre são tão visíveis como no caso da tartaruga. Prova disso é o que acontece com as pardelas-de-patas-rosadas, aves marinhas que nidificam em ilhas perto da costa da Austrália e da Nova Zelândia. A espécie é a que mais ingere mais plástico, em proporção à massa corporal, entre todos os animais marinhos. De toda a população numerosa dessa ave, 90% dos filhotes já ingeriram algum tipo de plástico. Se o material perfura o intestino da ave, a morte é certa. Quando o animal sobrevive, ele enfrenta a fome crônica.

Foto: JOHN CANCALOSI

“O mais triste de tudo é que estão ingerindo plástico pensando que é comida”, afirmou o biólogo marinho Matthew Savoca. “Imagine que você acaba de almoçar e depois continua se sentindo fraco, letárgico e esfomeado pelo resto do dia. Isso seria muito confuso”, completou.

Desnutridas e com pouca energia, as aves voam cada vez mais longe, realizando grandes esforços na tentativa de encontrar alimentação nutritiva, mas só conseguem plástico para alimentar os filhotes.

Peixes como as anchovas também sofrem com o plástico. Quando os detritos estão recobertos por alga, eles têm o mesmo cheiro do alimento normal desses peixes, e os atrai.

Foto: SHAWN MILLER

O plástico é resistente, tem alta durabilidade e boa parte ele flutua. “Os objetos de uso único são os piores. Nada se compara a eles”, afirmou Savoca ao se referir a canudos, garrafas de água e sacolas de compras.

Apesar dos estudiosos ainda não terem compreensão total do impacto a longo prazo do plástico na fauna silvestre, sabe-se que cerca de 700 espécies de animais marinhos já ingeriram material plástico ou ficaram presas nele. Os primeiros casos documentados da ingestão de plástico por aves marinhas são de 74 filhotes de albatroz-de-laysan encontrados, em 1966, em um atol do Pacífico. Na época, a produção mundial de plástico era aproximadamente um vigésimo da atual.