Polêmica

China recebe a Exposição Mundial de Cães antes do terrível Festival de Yulin

Para tentar conscientizar a população e acabar com o Festival de Carne de Cachorro, este ano, a World Dog Show, descrita como “a exposição de cães mais importante do mundo”, será realizada em Xangai de 30 de abril a 3 de maio, pela Federação Cinológica Internacional (FCI).

Foto: STR/AFP/Getty Images
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O número de cães assassinados por ano durantes o Festival da Carne de Cachorro de Yulin na China, até pouco tempo, coincidia com o de animais que serão expostos no World Dog Show: 10 mil cães.

O Kennel Club, o mais antigo e reconhecido clube de criadores de cães do mundo, além de outros clubes internacionais, pretende boicotar o festival de 2019.

A Exposição Mundial de Cães é realizada todos os anos em um país diferente, mas a decisão da Assembleia Geral da FCI de realizar o evento na China tem sido alvo de fortes críticas em todo o mundo, apesar da escolha ter sido feita de acordo com as regras.

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O Kennel Club finlandês afirma que conceder a Xangai a oportunidade de sediar a competição exige um exame muito mais minucioso do que o processo realizado.

O festival

O Festival de Yulin na província de Guangxi, no sul da China, começou por iniciativa dos comerciantes de carne de cachorro em 2009, numa tentativa de impulsionar os negócios e, desde então, tem sido objeto de muita controvérsia, o que provocou protestos particularmente fortes das comunidades ocidentais.

Os moradores e vendedores locais afirmam que os cães são executados com humanidade. Durante os dez dias de duração do festival, mais de 10 mil cães foram vistos sendo transportados pelas ruas, presos em pequenas caixas de madeira e jaulas de metal.

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Fotos e vídeos capturaram cenas em que cachorros são espancados até a morte com pedaços de metal, esfolados e fervidos vivos e cortados com motosserras. Muitos desses cães sofrem de doenças. Como outros animais usados em algumas cozinhas chinesas, eles são torturados sob a alegação de que o medo e o sofrimento do animal aumentam os níveis de adrenalina, melhorando o sabor da carne. Como parte da tortura pública, alguns cães são atropelados por carros.

Na China, cerca de 10 a 20 milhões de cães, incluindo filhotes, são assassinados a cada ano por sua carne. Algumas pessoas acreditam que o consumo de cães durante os meses de verão traz sorte e boa saúde, e que a carne pode afastar o calor, doenças e aumentar o desempenho sexual dos homens.

Alguns dos cães mortos são animais domésticos roubados de seus tutores

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Legislação chinesa

Não há lei que proteja os animais contra abusos e maus-tratos na China, embora mais e mais pessoas peçam que Pequim publique regulamentações para evitar a crueldade contra eles.

Em setembro de 2009, ativistas pelos direitos animais e especialistas jurídicos começaram a distribuir um projeto de lei sobre a proteção dos animais e em 2010, sobre a prevenção da crueldade aos animais para consideração do Conselho de Estado, de acordo com o Human Rights in China – organização governamental com sede em Nova York.

O esboço propõe uma multa de até 6.000 yuans, aproximadamente 3.300 reais e duas semanas de detenção para aqueles considerados culpados de crueldade contra animais, segundo o China Daily. No entanto, nenhum progresso foi feito.

Diante da pressão dos grupos ativistas pelos direitos animais e das mídias sociais, as autoridades da cidade de Yulin retiraram seu apoio ao festival em 2015. Ainda assim o festival seguiu em frente, embora menos cães tenham sido sacrificados como resultado.

 

O consumo chinês

Embora o número de chineses que comem carne de cachorro tenha diminuído, algumas pessoas acreditam que devam ser tolerantes com aqueles que a consomem.

“Eu nunca como carne de cachorro, mas entendo o Festival de Carne de Cachorro de Yulin. Por que podemos comer porco, vaca e frango, mas não cachorro?”, escreveu um leitor sobre um artigo publicado pela mídia estatal chinesa Global Times sobre o tratamento humanizado das pessoas em relação a cães.

De acordo o editorial, a obsessão ocidental pelo tratamento humanizado de cães é hipócrita e “indigna de menção”. A matéria citou as touradas como um exemplo de abuso de animais para o qual o Ocidente faz vista grossa.

O artigo rotula a controvérsia como uma campanha ocidental contra a China e a compara com os Jogos Olímpicos de 1988, celebrados na Coreia do Sul, quando a crítica ocidental ao consumo de carne de cachorro “forçou” o país a abandonar seus costumes, causando o desaparecimento da carne de cachorro das grandes cidades da noite para o dia.

Embora a maioria dos comentários tenha adotado uma posição patriótica semelhante, um internauta chinês escreveu: “A relação e os sentimentos entre cães e pessoas sempre foram íntimos.

“As pessoas que comem cachorros são uma minoria na China. Pessoalmente, gosto tanto de cães quanto de gatos, mas não tenho condições de ter um como animal de estimação.”

“No entanto, eu me oponho fortemente e odeio maus tratos a gatos, cachorros e outros animais. Isso não é o tipo de coisa que uma pessoa normal faz.”

Este ano, o Festival de Carne de Cachorro de Yulin acontecerá de 21 a 30 de junho.

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A resposta da FCI

Em 2015, eles disseram: “A FCI considera uma excelente oportunidade para conscientizar a população chinesa de que o cão, nosso querido amigo, é um membro de nossas famílias, um ser vivo e, acima de tudo, o melhor amigo do homem [sic]”.

Com o aumento do número de tutores de animais domésticos na China na última década, os ativistas chineses pelos direitos animais intensificaram seu repúdio ao festival, organizando missões de resgate e protestos. Da mesma forma, celebridades chinesas recorreram às mídias sociais para protestar contra a crueldade contra os animais.

Estima-se que o número de animais mortos no festival de Yulin foi reduzido para menos de 3.000 cães.

Se as esperanças da FCI se tornaram realidade ou não, a reputação da World Dog Show, sem dúvida, sofreu um grande golpe. Uma petição online endereçada à FCI já reuniu mais de 700 mil assinaturas.

Fonte: Epoch times

 

 

 

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