Protetora do meio ambiente morre em Brumadinho tentando salvar cadelinha


A tragédia de Brumadinho devastou a vida de milhares de pessoas, interrompeu sonhos e lutas. Enquanto bombeiros trabalham incessantemente em busca de corpos, famílias choram a perda de parentes e amigos.

Foto: Bárbara Fereira / O Globo

Não é apenas o sofrimentos do ser humano o que choca nisso tudo. Vítimas do descaso do governo e da Vale, milhares de animais sofreram até a morte soterrados na lama. Enquanto agonizavam esperando socorro, muitos deles foram friamente assassinados a tiros pela polícia.

Os dois lados se misturam em meio a tanta dor. O caso da advogada e secretária municipal de Desenvolvimento Social da cidade mineira, Sirlei Brito Ribeiro, de 47 anos, tem chamado a atenção da cidade em meio ao luto. Ela era defensora do meio ambiente e teve a chance de se salvar da tragédia, mas tentou levar consigo sua cadela e acabou ficando presa na lama de rejeitos.

O velório de Sirlei reuniu centenas de pessoas na Câmara Municipal do município durante a manhã da última quarta-feira(30).

De acordo com o jornal O Globo, Sirlei morava a 500 metros da barragem, na região do Córrego do Feijão, e convivia diariamente com os funcionários da mineradora. Ela costumava fazer abaixo-assinados contra os impactos da mina e estava sempre envolvida na luta pela melhoria de vida da população local. Eduardo Toscano lembra também que ela era muito apegada aos animais e cuidava de vários deles em casa e que militava pelo meio ambiente.

“Ela estava em casa com um jardineiro e uma empregada. O jardineiro nos contou que eles ouviram o barulho e viram a lama vindo. Correram. Mas ela voltou. Acreditamos que tenha ido buscar a cachorrinha. Era muito apegada — conta o cunhado de Sirlei, Eduardo Toscano, de 55 anos”.

“A dor é de centenas de pessoas. A revolta também não é só por ela, mas por todos. Sabemos agora é que a Vale é criminosa e é um crime reincidente. Quem sabe dessa vez vejamos uma postura de uma punição efetiva para este crime”, desejou Toscano.

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O marido de Sirlei é engenheiro e já foi funcionário da Vale. Segundo parentes, após sair do ramo de minérios, ele passou a apoiar a mulher em sua luta. Seja pelos caminhões que colocavam as pessoas do Córrego do Feijão em risco (por conta da velocidade em vias rurais), seja pela poeira que afetava a saúde da população, ou pelo risco iminente de rompimento das barragens. Ela sempre pediu por mudanças efetivas por parte da empresa, mas acabou vítima do “mar de lama” que tanto tentou combater.

O número de animais resgatados em Brumadinho aumentou para 57. A Brigada Animal acolheu 27 cães, 14 pássaros, oito galinhas, dois galos, dois bovinos, dois patos, um gato e um cágado. Todos foram encaminhados para o hospital de campanha, montado em uma fazenda da região.

Dezenas de veterinários e organizações de direitos animais estão em Brumadinho cobrando e fiscalizando o trabalho de resgate. A ativista Luisa Mell tem sido fundamental para a divulgação das informações e da situação dos animais.

 

 

 

 

 


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