Investigação

A matança brutal de quatro cavalos selvagens

Os animais em extinção foram encontrados mortos em um corredor com golpes na cabeça, ao sul de Vigo, na região noroeste da Espanha, na Galícia.

Cavalos selvagens existem desde a pré-história mas evoluíram ao longo do tempo com a influência do homem sobre eles e a mistura de outras raças de cavalos domesticados. Atualmente, pesquisadores afirmam que existe uma última espécie sobrevivente de cavalo selvagem, sendo o cavalo de Przewalski.

Os mais próximos destes animais são os cavalos que “andam” livremente nas planícies, chamados de “Garranos”, mas estes possuem “tutores”.

Duas das éguas mortas no corredor de desparasitação. Foto: Associação de gandeiros do Monte da Groba.

Quatro desses animais em extinção foram encontrados mortos em um corredor com golpes na cabeça, ao sul de Vigo, na região noroeste da Espanha, na Galícia.

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A descoberta aconteceu quando Modesto Domínguez chegou no sábado, às 19h, na propriedade.

Uma das éguas ainda respirava e seu crânio estava afundado como os outros três companheiros mortos, mas seu sofrimento se arrastou desde quinta-feira, o dia em que os fazendeiros locais suspeitavam que os assassinatos aconteceram.

Os quatro cavalos foram levados para um corredor de vermifugação para gado, um após o outro, junto com outros cinco que conseguiram sobreviver.

O serviço de proteção à natureza da Guarda Civil, Seprona, abriu uma investigação na última segunda-feira (21) para encontrar os culpados do ataque às espécies ameaçadas de mil anos de idade.

Garranos são pôneis que pertencem à família do cavalo ibérico. Eles são autorizados a correr livremente, mas são de propriedade de pessoas na área.

As éguas pertenciam a quatro pessoas diferentes de diferentes municípios da região, e se o assassinato era uma questão de acerto de contas, não está claro por que tais medidas foram tomadas.

Foto: Associação de gandeiros do Monte da Groba.

Os pecuaristas asseguraram que estes animais, embora particularmente territoriais, não incomodavam ninguém. Eles vivem no alto das montanhas, em uma área muito remota conhecida como O Areeiro (Viladesuso, Oia), onde apenas um ciclista ocasional passa.

Para chegar ao local onde o corredor onde foram assassinados é preciso atravessar uma estrada não pavimentada de um quilômetro, e encurralar cavalos selvagens nesse local requer experiência. As informações são do Daily Mail.

“Quando cheguei, já estava anoitecendo e havia chuva e neve”, explicou Domínguez, presidente da Associação do Cavalo do Monte da Groba. Abri a porta e os cinco animais que estavam vivos escaparam. No momento, estamos procurando saber como eles estão, porque não sabemos se eles também foram espancados”.

Enquanto oficiais da Guarda Civil e veterinários, enviados pelo governo regional galego, pegavam amostras da cena macabra, os fazendeiros apontaram que o poderia ter sido usado como arma contra os animais era quase certamente uma barra de ferro, encontrada ao lado da área onde as éguas morreram.

Eles acreditam que a intenção era matar todos os nove, mas algum ruído, ou alguma outra circunstância impediu que isso fosse feito.

Foto: Associação de gandeiros do Monte da Groba.

Isso machuca a todos nós”, acrescentou Perez.

“Conflitos entre gado e tutores de cavalos não existem, e eles não incomodam ninguém. Sabíamos que eles estavam por perto, mas não causaram nenhum dano, não foram para áreas habitadas e ninguém os viu ”.

Ainda segundo ele, o ataque é “ inexplicável ”,“ não pode ser qualquer outra coisa além do trabalho de um psicopata … para danificar nossa  herança viva: estes animais são tão importantes para a preservação desta montanha, onde não tivemos incêndios desde 2006”.

Foto: Associação de gandeiros do Monte da Groba.

Microchips

No sábado, após ter libertado os cavalos sobreviventes e descoberto os cadáveres, Modesto Domínguez chamou todos os donos de cavalos do Monte Groba e escaneou os microchips dos animais mortos para identificá-los. Todas as éguas mortas tinham um, devido a um decreto de 2012 emitido pelo Departamento de Meio Ambiente Rural, uma medida que foi fortemente contestada pelos proprietários de cavalos selvagens na Galícia, que argumentaram que a despesa seria muito grande.

De acordo com o decreto, cavalos selvagens capturados e não identificados por um dispositivo eletrônico ou reclamados por seus tutores poderiam ser enviados diretamente para o matadouro. O conflito evoluiu para uma longa batalha legal com o último apelo de duas associações de pecuária que chegaram ao Tribunal de Direitos Humanos em Estrasburgo em setembro passado.

Serafín González, cientista do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) e presidente da Sociedade Galega de História Natural (SGHN), diz que o microchip obrigatório dos cavalos Garrano, uma espécie em risco de extinção depois de habitar as montanhas da península do norte por 20.000 anos, levou a uma redução drástica em seus números nos últimos seis anos. Antes do decreto, havia cerca de 1.300 cavalos vivendo nas montanhas Groba, mas hoje existem apenas cerca de 700.

A sociedade de proteção animal argumenta que, ao aprovar o decreto de 2012, o “governo galego regional ignorou as exceções de identificação obrigatória que a Comissão Europeia fez para cavalos que vivem em situações selvagens ou semi-selvagens. As prefeituras podem decidir colocar Garranos nas montanhas, sem chips, para leilões públicos ou enviá-los para o matadouro”.

 

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