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Projeto Médicos Vegetarianos usa rede social para promover alimentação baseada em vegetais

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O projeto Médicos Vegetarianos foi criado por um grupo de mais de 80 médicos com o intuito de divulgar o vegetarianismo estrito – dieta que exclui todos os produtos de origem animal. Através das redes sociais, informações sobre a alimentação baseada em vegetais são publicadas. Para conhecer mais o projeto, que conta com 108 mil seguidores no Instagram, a ANDA divulga abaixo uma entrevista exclusiva com os médicos.

(Foto: Divulgação)

ANDA: Como surgiu a ideia de criar o projeto “Médicos Vegetarianos”?

Médicos Vegetarianos: A ideia de criar os Médicos Vegetarianos surgiu em Fevereiro de 2018, quando da questão do embarque dos bois no Porto de Santos (SP). Houve grande mobilização por parte dos ativistas contra esta prática que viola profundamente os direitos animais. Duas médicas veganas, já em atividade na questão animal nas redes sociais, Dra. Karla Santone e Dra. Graciani Pessini, decidiram reunir então médicos veganos e vegetarianos, no intuito de colaborar com a questão animal na área da Medicina, levando conhecimento e embasamento científico sobre a segurança da alimentação baseada em plantas.

ANDA: Qual é o objetivo do projeto?

Médicos Vegetarianos: O objetivo do projeto é apoiar, dar segurança à população para que a adesão à alimentação baseada em plantas seja feita com total segurança, levando conhecimento científico embasado realizado por pesquisas de várias entidades acadêmicas renomadas em todo o mundo. Mostramos à população que nós somos veganos, criamos nossos filhos no veganismo e comprovamos os benefícios desta postura de vida em prol da nossa própria saúde, do meio ambiente e da ética para com os animais.

ANDA: Quantos médicos participam do projeto e de quais especialidades?

Médicos Vegetarianos: Até o momento mais de 80 médicos participam do projeto e a previsão é de que este número aumente, pois notamos o interesse dos colegas em uma medicina mais saudável e sustentável. Contamos com colegas trocando experiências e atuando em diversas áreas do país, em várias especialidades como Nutrologia, Cardiologia, Clínica Médica, Endocrinologia, Dermatologia, Medicina do Esporte, Oncologia, Psiquiatria, Oftalmologia, Pediatria, Mastologia, Radiologia, Medicina da Família.

ANDA: O projeto está sendo bem aceito e trazendo algum resultado positivo?

Médicos Vegetarianos: A aceitação ao projeto está sendo excelente, tanto por parte da população quanto dos médicos. A publicação de matérias de cunho científico, também sobre ética e meio ambiente, correlacionando a Medicina com estas questões, tem despertado grande interesse da população. Relatos de pessoas que se sentem estimuladas em aderir ao veganismo, apoiadas pela classe médica, tem sido constantes em nossas redes sociais. Por outro lado, por se tratar de um projeto inédito, trazendo novos conceitos sobre alimentação, por vezes é um desafio para nós que nos deparamos com um molde de sociedade pautado na exploração animal, mas é muito gratificante atuar nesta questão, pois há muito já se tornou urgente a visão de novos paradigmas na Medicina.

ANDA: Quais temas, dentro do vegetarianismo, são abordados pelo projeto?

Médicos Vegetarianos: Os principais temas abordados são aqueles relativos à saúde. Buscamos temas relevantes na literatura científica e também tentamos responder às principais dúvidas de quem adota uma alimentação vegetariana estrita (assim como de colegas profissionais da saúde que assistem a essas pessoas), sempre com embasamento científico. Também compartilhamos receitas saudáveis e reflexões éticas, mas nosso principal enfoque é mesmo a saúde – individual, coletiva e do planeta.

ANDA: O projeto tem despertado interesse nas pessoas pelo vegetarianismo?

Médicos Vegetarianos: Acreditamos que sim, pois recebemos muitos comentários e mensagens de pessoas falando sobre nossas postagens, tirando dúvidas, trazendo pontos para discussão. Um dos aspectos interessantes de estarmos presentes numa mídia social é justamente esse contato próximo. Isso nos permite perceber um crescente interesse pelo vegetarianismo e também entender as necessidades desse público, para que assim seja possível delinear ações de educação em saúde no futuro.

ANDA: É comum que médicos não apontem a relação entre doenças, como problemas cardíacos e câncer, e o consumo de produtos de origem animal. A proposta do projeto de expor essa realidade e incentivar o vegetarianismo estrito pode, portanto, ser considerado algo novo entre a classe médica? Há alguma razão específica para que essa relação entre as doenças e a alimentação rica em derivados animais não seja comumente abordada pelos profissionais da área da saúde?

Médicos Vegetarianos: O conhecimento científico sobre a alimentação vegetariana até alguns anos atrás era bastante restrito. Havia poucos artigos e de difícil acesso. Felizmente, essa realidade vem mudando e especialmente nos últimos 10 anos, presenciamos um aumento exponencial de pesquisas sobre diversos aspectos da alimentação vegetariana e saúde. Este pode ser um dos motivos que poderia explicar a falta de informação a respeito. Se antes o problema era a escassez de literatura, mais recentemente seria então a falta de divulgação dessas informações. Nosso objetivo é contribuir com essa divulgação.

ANDA: Os médicos envolvidos no projeto costumam abordar os problemas relacionados ao consumo de produtos de origem animal e os benefícios dos produtos de origem vegetal com os pacientes no ambiente de trabalho?

Médicos Vegetarianos: Sim. Em nosso grupo de discussão, temos colegas de todo o Brasil e de diferentes especialidades, compartilhando experiências e conhecimento. É comum trocarmos informações não só técnicas, mas também de casos de prevenção e sucesso terapêutico com a adoção da dieta vegetariana estrita. Como exemplo podemos citar os cardiologistas que conversam com seus pacientes sobre a prevenção da doença coronariana, do endocrinologista que explica a seus pacientes diabéticos que a alimentação vegetariana estrita está comprovadamente ligada a uma melhora importante do controle glicêmico, do mastologista que orienta às pacientes sobre a prevenção do câncer de mama e pediatras orientando às mães como adotar alimentação vegetariana estrita para as crianças com segurança. Temos embasamento científico mais que suficiente para acreditar na alimentação vegetariana estrita como estratégia fundamental para melhorar a saúde.

ANDA: Quais benefícios o vegetarianismo estrito traz para a saúde de uma pessoa?

Médicos Vegetarianos: A alimentação vegetariana estrita é rica em fibras, vitaminas, minerais, anti-oxidantes e fitoquímicos, atuando na prevenção e tratamento de diversas doenças como obesidade, diabetes e câncer. As fibras contribuem para o bom funcionamento dos intestinos e para a redução dos níveis sanguíneos de glicose e triglicerídeos. As vitaminas e minerais atuam em diversas reações metabólicas importantes e sua carência determina uma série de doenças como por exemplo, anemia. Vale lembrar que hoje as doenças que mais matam são as doenças do aparelho cardiovascular (infarto, aterosclerose e hipertensão) e o câncer e ambas têm alta relação com a alimentação e o consumo de carne, leite e derivados.

Diversos estudos científicos mostram que a alimentação vegetariana estrita atua de maneira significativa na redução do risco de se desenvolver essas doenças, já havendo inclusive hospitais que adotam a alimentação vegetariana para tratamento de seus pacientes. O consumo de leite de vaca e derivados tem altíssima relação com o desenvolvimento de câncer de mama, ovários e próstata. Além disso, a exclusão de produtos de origem animal da alimentação tem se mostrado bastante benéfica no controle da glicose sanguínea, contribuindo assim para uma melhora do diabetes.

ANDA: É possível ser vegetariano estrito em qualquer idade sem nenhum prejuízo para a saúde e desenvolvimento?

Médicos Vegetarianos: Várias organizações internacionais como a Associação Dietética Americana, a Academia Americana de Pediatria, a Academia Canadense de Pediatria e o Comitê Médico por uma Medicina Responsável já emitiram pareceres favoráveis à adoção da alimentação vegetariana em qualquer fase da vida, incluindo infância, gestação e velhice. Não há mais dúvidas que uma alimentação baseada em alimentos de origem vegetal traz inúmeros benefícios à saúde de crianças, adultos, gestantes e idosos. Mas como toda alimentação, deve ser equilibrada e balanceada para atender às diferentes demandas de cada fase da vida. Inúmeros atletas já comprovaram na prática os benefícios da alimentação vegetariana na performance esportiva. Diversos estudos comprovam que o crescimento e desenvolvimento das crianças vegetarianas é similar ao de crianças não vegetarianas, embora a maioria dessa crianças vegetarianas tenha menor peso, o que seria até uma vantagem frente à atual epidemia de obesidade.

Deficiências nutricionais, principalmente anemia ferropriva, segundo um estudo, acomete cerca de 53% das crianças brasileiras menores de 7 anos e um outro estudo mostrou que crianças vegetarianas estritas ingerem 2 x mais ferro do que as crianças que comem carne. Qualquer dieta que não seja balanceada e equilibrada poderá trazer riscos e deficiências de nutrientes. A alimentação vegetariana é rica em vitaminas, minerais, fibras e fitoquímicos contribuindo para uma vida saudável para nós humanos e o planeta.

ANDA: Quais os malefícios do consumo de produtos de origem animal?

Médicos Vegetarianos: A carne vermelha (vaca, porco, cabrito, carneiro, etc) e a carne vermelha processada (presunto, hambúrguer, salsicha, linguiça, salame, mortadela, etc) foram classificadas pela OMS em 2015 como alimentos cancerígenos. Esse relatório foi elaborado por 22 especialistas ao redor do mundo após a análise de diversos estudos e concluiu que a ingestão diária de apenas 50 g de carne vermelha processada aumenta em 18% o risco de se desenvolver câncer de intestino.

O consumo de leite e derivados está associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, principalmente mamas, ovários e próstata. As doenças cardiovasculares, infarto e aterosclerose (formação de placas de gorduras nas artérias) também têm íntima relação com uma alta ingestão de gordura animal.

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