Mar de sangue

Japão anuncia retomada da caça de baleias para fins comerciais

O anúncio foi feito na última quarta-feira, três meses depois de a IWC se opor à petição do país asiático para retomar a atividade.

Baleia é descarregada no porto de Kushiro após uma caça com propósitos científicos Foto: Kyodo News/ AP - Setembro de 2017

O Japão vai sair da Comissão Internacional das Baleias (IWC) para poder retomar a caça comercial do animal em julho de 2019. O anúncio foi feito na última quarta-feira, três meses depois de a IWC se opor à petição do país asiático para retomar a atividade.

Baleia é descarregada no porto de Kushiro após uma caça com propósitos científicos Foto: Kyodo News.

O secretário-chefe do gabinete, Yoshihide Suga, disse que as caçadas serão limitadas às águas territoriais do Japão e à sua zona econômica exclusiva ao longo das costas do país e que o Japão interromperá suas expedições anuais para os oceanos Antártico e Pacífico Noroeste.

Com a decisão, o Japão se torna a terceira nação a praticar abertamente a caça, junto da Islândia e Noruega.

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“Lamentavelmente, chegamos a uma decisão de que é impossível na IWC buscar a coexistência de estados com visões diferentes”, disse Suga.

O Japão diz que está deixando a Comissão Internacional da Baleia para retomar a caça comercial.

Suga disse também que a CBI tem sido dominada por ambientalistas e que o Japão está desapontado com seus esforços para administrar os estoques de baleias, embora a IWC tenha um mandato para a conservação de baleias e o desenvolvimento da indústria baleeira.

A decisão não foi bem recebida pela comunidade internacional. A Austrália disse estar “extremamente desapontada”, e a Nova Zelândia lamentou a retomada da “ultrapassada e desnecessária” matança de baleias. No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Austrália e Nova Zelândia, Winston Peters, saudou a retirada do Japão do oceano sul.

O grupo ambientalista Greenpeace também condenou a decisão e contestou a opinião do Japão de que os estoques de baleias se recuperam, dizendo que a vida oceânica está sendo ameaçada pela poluição e pelo excesso da pesca. As informações são do Daily Mail.

 

Foto: Reprodução | Twitter

“A declaração hoje está fora de sintonia com a comunidade internacional e muito menos com a proteção necessária para proteger o futuro dos nossos oceanos e dessas criaturas majestosas”.

“O governo do Japão deve urgentemente agir para conservar os ecossistemas marinhos, em vez de retomar a caça comercial”, disse Sam Annesley, diretor executivo do Greenpeace Japan, em um comunicado.

Diplomacia

A decisão do Japão, embora já tivesse sido anunciada em setembro, causou estranheza por se tratar de uma ação unilateral, sendo que o país não costuma adotar medidas assim na sua diplomacia.

Em setembro deste ano, o Brasil sediou a 67ª reunião anual da IWC, ocasião na qual a petição do Japão para retomar a caça foi rejeitada por 41 votos contra 27.

Segundo o Estadão, o vice-ministro japonês da Pesca, Masaaki Taniai, lamentou o resultado da votação e disse que a possibilidade de abandonar a IWC seria uma última opção.

Tecnicamente, o País asiático nunca deixou de caçar baleias, já que se aproveitava de uma falha a moratória de 1986 que autoriza a captura dos animais para investigações científicas. Mas a carne das baleias, de um jeito ou de outro, acabava nas peixarias.
Pacotes de carne de baleia à venda em uma loja de Tóquio.  Foto: Shizuo Kambayash

Os japoneses mais nacionalistas consideram a caça de baleias uma importante tradição multissecular. A carne do animal constituiu uma importante fonte de proteína aos japoneses no pós-guerra.

Atualmente, porém, a maioria da população garante que não come carne de baleia. E se o faz, é com baixa frequência.