Teremos a Lei Manchinha inspirada na cadelinha que comoveu o Brasil?


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O Brasil vive um momento de grande expectativa: será que o caso da cadelinha Manchinha, que vivia no Carrefour Osasco (SP) e cuja morte brutal comoveu o Brasil, poderá levar ao aumento das penas para quem maltrata e mata animais no país?

Foi assim em 2014, nos EUA. O governador de Nova Jersey (NJ), na época, assinou a “Lei Patrick”, que elevou a crueldade animal de um simples delito para uma ofensa de quarto grau. O nome da lei foi em homenagem ao pit bull Patrick, abandonado quase morto na lixeira de um prédio e encontrado por funcionários. Era dia de São Patrício e por isso o nome escolhido foi Patrick. O caso repercutiu internacionalmente e possibilitou que se repensasse as leis até então aplicadas. Patrick passou por um longo tratamento e se recuperou por completo.

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Será que a exemplo da “Lei Patrick” teremos a “Lei Manchinha”?

É o que esperam as milhares de pessoas que se dirigiram ao Carrefour na tarde do último sábado, 8 de dezembro, para protestar contra a morte, cheia de mistérios, de uma cadelinha que há algumas semanas passou a viver nas dependências do hipermercado em Osasco.

O Carrefour colaborou com os ativistas. Fechou suas portas e cedeu o estacionamento esperando um movimento mais contido e menos visível à população dentro de suas dependências. Mas não foi assim. Com cartazes, faixas, gritando por justiça e até mesmo deitando no chão, os manifestantes conseguiram fechar por cerca de cinco horas a Av dos Autonomistas, uma das mais movimentas daquele município.

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O impacto da manifestação só não alcançou o da “Crueldade Nunca Mais”, que em 2012 reuniu 10 mil pessoas na av. Paulista, devido à localização. Se cerca de 5 mil pessoas estiveram no Carrefour de Osasco, certamente numa região mais central de SP o protesto teria recebido o dobro de participantes, o que mostra um real desejo da população em leis mais rígidas para defender os animais.

Enquanto ativistas e população em geral dominavam a avenida e contavam, inclusive, com apoio da polícia, o grupo no estacionamento do Carrefour fornecia boas notícias depois do crime amplamente divulgado: o hipermercado se mostrou interessado em treinar seus funcionários e prestadores de serviço para que casos como o de Manchinha não mais aconteçam, propôs abrir espaço para feiras de adoção e até criar o “Carrefour Pet Day” no dia da morte de Manchinha, visando direcionar recursos as ONGs de proteção animal locais. A nova postura teria sido acordada em reuniões com ONGs de Osasco, Luiza Mel e prefeitura.

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Perguntas que ficaram sem resposta

Até agora não se sabe se Manchinha foi realmente envenenada, se morreu devido aos golpes com barra de alumínio e consequente hemorragia interna e externa, ou se seu fim foi ao ser asfixiada pelo cambão do CCZ de Osasco. A cremação de seu corpo deixou muitas dúvidas no ar. Existe dúvida até mesmo se era macho ou fêmea.
Relatório da prefeitura diz que Manchinha chegou ao CCZ desfalecida e agonizando, com hemorragia digestiva e que teve parada respiratória durante as manobras para reanimá-la. Ela já havia vomitado muito sangue e tinha escoriações diversas pelo corpo.

O segurança disse que não a envenenou e que usou a barra de alumínio para bater no chão e assustá-la, mas acabou acertando sua pata traseira. Disse também que “cumpriu ordens” de expulsá-la do estabelecimento. Video do momento do resgate pelo CCZ deixa claro o manuseio impróprio de um equipamento arcaico e que pode levar à morte.

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A única coisa que se pode afirmar é que Manchinha foi vítima de sucessivos atos de violência justamente num dia em que, horas antes, as câmeras do mercado a mostravam saltitante atrás de uma das funcionárias do estabelecimento. Ferida, ela se rastejou até a farmácia em busca de ajuda, mas foi novamente tragada pelo desespero enquanto a tentavam laçar.
Sem necrópsia, como saber se morreu ali ou depois, e se houve veneno seguido de espancamento? Talvez as testemunhas possam dar algumas peças desse doloroso quebra-cabeças.

Violência contra pessoas não causam mesma comoção?

Numa semana de excessivas reportagens sobre Manchinha, surgiram críticas quanto a comoção em torno da morte de uma cadelinha. Por que a morte de crianças e pessoas indefesas por violência ou fome não mexe tanto com a população? – diziam as críticas.

Há dois aspectos importantes a considerar. O primeiro é que na ânsia de criticar, algumas pessoas se esquecem de lembrar grandes comoções como com a menina Isabella, morta pelo casal Nardoni. A morte de Marielle e o recente ataque ao presidente eleito também causaram comoção nacional e repercussão internacional. Quando do ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo por terroristas, milhares de pessoas trocaram seu perfil do facebook em homenagem aos jornalistas mortos – comportamento que se repetiu quando do ataque à casa de shows Bataclan, em Paris, quando foram mortos dezenas de jovens. E isso só para citar alguns casos.

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Anos atrás, a morte lenta da cachorrinha yorkshire pela sua tutora enfermeira também chocou o país. As cenas dela sendo espancada inúmeras vezes quando fazia xixi em lugar errado (por puro medo) e uma criança ingenuamente oferecendo uma vassoura para limpar a sujeira derrubaram lágrimas em muita gente. Esse caso e da assassina de animais Dalva motivaram a maior manifestação da história do Brasil tomando as duas vias da Av Paulista.

Todos os dias animais, crianças e pessoas são mortas de forma bárbara, mas por razões diversas que talvez incluam o momento, as cenas chocantes ou um fator que desconhecemos, só alguns casos causam grande alarde. E é importante valorizar essas “ondas” de comoção porque elas podem trazer mudanças importantes.

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O segundo aspecto sobre as críticas à comoção pela morte brutal de animais é o grande erro que se comete ao não enxergar, nesses casos, um possível assassino em potencial que amanhã ou depois fará o mesmo com uma criança, com um idoso ou alguém sem condições de se defender. Estudos complexos nos EUA apontam que assassinos em série começaram matando animais. Estudos no Brasil mostraram que muitos dos sujeitos denunciados por maus-tratos a animais tinham histórico de violência doméstica e de outros delitos. Assim, comoção com a morte cruel de um animal não é exagero. É um passo para se chamar a atenção das autoridades e evitar a morte de mais animais e pessoas.

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal


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