Hemorragia matou cadela agredida no Carrefour, diz veterinária


A cadela brutalmente agredida por um segurança de uma unidade do Carrefour de Osasco, em São Paulo, morreu em decorrência de uma hemorragia, segundo depoimento prestado à Polícia Civil pela médica veterinária da prefeitura que prestou atendimento ao animal após o resgate feito pelo Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal do município. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia de Investigações Sobre o Meio Ambiente.

Manchinha morreu após ser resgatada (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A hemorragia, também conhecida como choque hipovolêmico, ocorre quando há uma diminuição do fluxo sanguíneo, levando à falência do sistema circulatório, explicou a veterinária, que é funcionária do Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal de Osasco. A profissional deve ser chamada para depor novamente. Isso porque os investigadores ainda têm dúvidas sobre o que causou o sangramento em Manchinha, como era chamada a cadela. A delegacia quer saber da médica, por exemplo, se a hemorragia pode ter sido provocada por agressão, agravada por sufocamento, envenenamento ou atropelamento – e se foi ocasionada pela soma de um ou mais desses fatores. As informações são do portal G1.

A agressão

Imagens de câmeras de segurança do supermercado e vídeos e fotos registrados por celulares de clientes e funcionários gravaram o momento em que um segurança do estabelecimento corre atrás de Manchinha, que foge. O homem segurava nas mãos uma barra pontiaguda, que seria de ferro ou alumínio.

Após ter acesso às imagens, a delegada Silvia Fagundes Theodoro, da Delegacia de Meio Ambiente de Osasco, afirmou não restar dúvidas de que o animal havia sido agredido. “A agressão, com as imagens que conseguimos agora, ficou comprovada. Não há mais dúvidas. E esse segurança realmente agrediu o cachorro”, disse.

O agressor, que não teve a identidade revelada, confessou o crime em depoimento concedido à polícia na última quinta-feira (6). Ele foi indiciado pela prática de maus-tratos a animais e, se condenado, pode ser punido com detenção de três meses a um ano, além de multa – no entanto, o crime, por ser tratado como de menor potencial ofensivo, não resulta em prisão e a pena de detenção costuma ser revertida, por exemplo, em prestação de serviços comunitários. O segurança responderá pelo crime em liberdade.

Boletim de Ocorrência (Foto: Reprodução/Polícia Civil)

De acordo com testemunhas, o homem feriu o animal com a ponta da barra que segurava, provocando um corte na pata esquerda do animal. Câmeras do supermercado registraram o momento em que a cadela, após ser agredida, aparece mancando e sangrando. Vídeos feitos por quem estava no local registraram também o despreparo dos funcionários do Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal – duramente criticados por ativistas e também pelo jurista Fernando Capez. Nas imagens, é possível ver os agentes públicos usarem uma enforcadeira para laçar o pescoço da cadela. Manchinha se debate e, depois, desmaia.

“Desfalecido e agonizando”

No boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Meio Ambiente, consta que o animal chegou “desfalecido e agonizando” à unidade da prefeitura, sendo “diagnosticado” com “hemorragia digestiva alta”. Ainda segundo o documento, “após manobras de reanimação”, a cadela “apresentou parada respiratória” e veio “a óbito” quase três horas após o resgate.

A expectativa era de que um laudo necroscópico pudesse confirmar a causa da morte e, inclusive, trazer respostas sobre a suspeita de que, além da agressão, a cadela havia sido envenenada. Não foi possível, no entanto, realizar a necrópsia no corpo do animal porque Manchinha foi cremada em Mauá, cidade próxima a Osasco. A ausência do exame que apontaria a causa da morte faz com que seja necessário que a veterinária que atendeu a cadela traga mais informações sobre o caso à polícia. Testemunhas relatam que o envenenamento, de fato, ocorreu e que foi dada mortadela com veneno para a cadela. O fato do animal ter apresentado vômito sustenta a suspeita. “Foi dada mortadela envenenada e ele vomitou essa mortadela que ele comeu”, disse Capez.

Carrefour e prefeitura se posicionam

O supermercado informou que “reconhece que um grave problema ocorreu em sua loja de Osasco” e que a “empresa não vai se eximir de sua responsabilidade”. Disse ainda que afastou o segurança que agrediu a cadela, que era considerada dócil e recebia cuidados de funcionários do supermercado.

Como forma de pagar pelo crime ocorrido nas dependências do supermercado, a ativista Luísa Mell sugeriu ações que podem ser feitas pelo Carrefour, como arcar com o custo de castrações de animais de Osasco, comprometer-se a treinar os funcionários de todas as lojas do país para que crimes como esse não se repitam e ainda colaborar financeiramente com ONGs de proteção animal. Sobre essas possibilidades, o Carrefour afirmou que está “recebendo sugestões de várias entidades e ONGS ligadas à causa que vão nos auxiliar na construção de uma nova política para a proteção e defesa dos animais”.

(Foto: Reprodução | Facebook)

A Prefeitura de Osasco, por sua vez, emitiu nota por meio da qual informou que o Departamento Animal fez o procedimento padrão para resgatar a cadela. No entanto, apesar do posicionamento emitido pela nota, a administração municipal abriu uma sindicância e afastou o funcionário responsável por resgatar a cadela. De acordo com a ativista Luisa Mell, a abordagem do funcionário foi “totalmente errada”. Após se reunir com pessoas que integram o departamento, Luisa afirmou que poderia enviar a equipe do Instituto Luisa Mell, que trabalha resgatando, reabilitando e doando animais, até a sede do órgão para realização de uma palestra sobre as formas mais indicadas para se agir durante o resgate de animais agredidos.

“O animal deu entrada consciente no departamento em decúbito lateral (deitado de lado), mucosas anêmicas, hipotensão severa (pressão baixa), hipotermia intensa, hematêmese (vômito com sangue) e escoriações múltiplas”, informa outro trecho da nota emitida pela prefeitura. “Apesar do tratamento instituído, o animal veio a óbito”, completa.

Caso é investigado pelo Ministério Público

Um inquérito foi instaurado pelo Ministério Público (MP) de Osasco para acompanhar a investigação policial. O caso é de responsabilidade do promotor Marco Antônio de Souza. Segundo a assessoria de imprensa do MP, o promotor não quer comentar o assunto ainda porque “o inquérito Civil instaurado está na fase inicial.”

Maus-tratos a animais são punidos, pelo artigo 32 da Lei número 9.605/98 de Crimes Ambientais, com pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Errata: a ANDA divulgou inicialmente que o animal morto no Carrefour era um cachorro e, momentos depois, informou que havia sido descoberto que, na verdade, tratava-se de uma cadela. A notícia correta, entretanto, é de que o animal era macho. Informações erradas divulgadas por ativistas do Instituto Luísa Mell e da ONG Bendita Adoção levaram a uma confusão sobre o sexo de Manchinha. No entanto, neste domingo (16) a ativista Beatriz Silva, da Bendita Adoção, reforçou que o cachorro era macho e afirmou que “depois de muita confusão dos funcionários”, o sexo do animal foi confirmado em vídeos.


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