Força-tarefa vai resgatar onças que circulam ao redor de aldeias em MT


Técnicos da Funai e do ICMBio irão iniciar amanhã (27) uma força-tarefa para resgatar onças que circulam pelas imediações de pelo menos quatro aldeias do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso.

A ação será realizada após quatro indígenas terem sido mordidos por onças na região. Dois deles morreram. A possível causa que motivou as onças a se sentirem ameaçadas e agirem, por instinto, para defender a si mesmas, é o avanço do desmatamento e das queimadas, que destrói o habitat desses animais. Os índios que morreram, respectivamente, em maio e junho, são Kuianap Kamayurá, 56, que era pajé da etnia camaiurá, e Malale Waurá, 55, da etnia uaurá. Em julho e agosto, mais dois casos foram relatados – um jovem escapou sem ferimentos e o outro está desaparecido.

(Foto: Funai)

Otávio Moura Carvalho, da Coordenação Geral de Promoção da Cidadania (CGPC), da Funai, classifica a situação como “raríssima”. Ele lembra que é a primeira vez que uma força-tarefa do tipo é realizada na região desde a fundação do parque, há 57 anos. As informações são da Folha de S. Paulo.

“Eu trabalho no Xingu desde 1985, sempre teve muita onça por lá, mas elas nunca tinham atacado dessa maneira”, conta Carvalho, que se uniu aos técnicos do ICMBio e do Ibama para realizar um diagnóstico de campo na tentativa de identificar as onças que rondam as aldeias.

Imagens de quatro fêmeas e de um macho de onça-pintada foram registradas por armadilhas fotográficas espalhadas por 20 pontos do parque em uma área de amostragem de 300 quilômetros quadrados. O macho, que foi o mais registrado pelas fotos, é o principal suspeito no caso da pajé morta.

De acordo com a Funai, a providência a ser tomada é identificar, resgatar e, possivelmente, remover o animal do local. “A médio e longo prazos, deve-se buscar o manejo dos fatores que estão levando as onças a chegarem perto das aldeias”, diz o órgão.

A expedição, que tem previsão de início para amanhã (27), deve se estender pela primeira semana de dezembro. Os animais resgatados serão levados para um refúgio de grandes felinos mantido pela organização não governamental NEX, a 80 quilômetros de Brasília.

 

A fundadora e presidente da entidade, Cristina Gianni, reforça que o trabalho de acolhida vai exigir atenção e paciência redobrados. Os animais devem ser mantidos em uma espécie de quarentena.

 

No caso de onças envolvidas em acidentes com humanos, como é o caso registrado no parque, Gianni diz não ser recomendável reinseri-las na natureza. “Onças normalmente se mantêm afastadas dos humanos. A tendência, nos casos em que essa barreira é rompida, é que o animal repita o comportamento”, explica.

Desequilíbrio ambiental

Apesar do parque ser preservado, o entorno dele abriga imensas áreas de pastagens e de plantações de milho e soja. “Nos últimos 30 anos, 66% das florestas nas adjacências (…) foram desmatadas e substituídas por grandes monoculturas de base agroquímica”, afirmou o ISA (Instituto Socioambiental), em nota sobre o aniversário de criação do parque, comemorado em 14 de abril.

(Foto: Rodrigo Vargas/Folhapres)

Esse cenário, segundo Carvalho, pode ajudar a explicar os acidentes entre índios e onças, que têm a reserva como único refúgio. “O que está acontecendo é um desequilíbrio muito grande. O desmatamento e fogo cresceram muito no entorno. Para onde o animal vai fugir?”, afirma. O parque abriga atualmente diversas espécies e há, no local, uma população crescente de cachorros domésticos.

Para evitar novos acidentes, a Funai orientou os indígenas a se deslocarem em grupos. O órgão se preocupa ainda com a possibilidade dos índios matarem as onças.

“Para muitos indígenas, a onça representa um elemento sagrado. Para outros, esse elemento sagrado se perdeu e eles passaram a considerar a onça como um problema a ser eliminado”, diz Rogério Cunha de Paula, coordenador-substituto do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio).


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