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O mascote da Sadia e a dissimulação estética que banaliza a exploração animal

31 de outubro de 2018
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Lequetreque, o famoso mascote da Sadia, é um franguinho amistoso que foi criado em 1971 por Francesc Petit e Washington Olivetto. Irreverente, Lequetreque está sempre fazendo brincadeiras e celebrando alguma coisa. Pena que se trata de uma dissimulação estética. Ou seja, isso não faz o menor sentido no mundo real, mas apenas no imaginário humano estimulado pela publicidade e propaganda, já que frangos não comemoram a própria morte nem testemunham com satisfação as pessoas se alimentando de partes de seus semelhantes.

De um lado, há o investimento maciço feito na propaganda do suposto bem-estar animal e da dissimulação estética. Exemplos clássicos? Bom, além do Lequetreque, dezenas, centenas e milhares de modelos de embalagens e comerciais com “animais felizes em morrer no mundo todo”. Do outro, esteado em um contexto histórico e cultural, há o endossamento gratuito que parte do sistema educacional por meio de material didático voltado à perpetuação da naturalização da objetificação animal, além de livros infantis que legitimam, romantizam e ajudam a perenizar essa exploração sem propor qualquer questionamento, reflexão ou margem à contrariedade.

Alguns livrinhos enfatizam: “O boi está feliz em morrer para que você possa comê-lo”, “Sim, a galinha existe só para te servir”, “Isso mesmo! Você é superior e pode fazer o que quiser com eles.” Quando reproduzimos e endossamos tais discursos, rejeitamos a realidade concreta e o êthos de nossas ações. Afinal, aponte-me um animal feliz em ser golpeado no matadouro. Ou mostre-me uma galinha satisfeita em ter uma vida resumida a botar ovos; ou uma vaca se regozijando em dar à luz para brevemente ser privada do convívio com os seus.

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