Exportação de boi vivo registra queda devido a cancelamento de contratos com a Turquia


A exportação de boi vivo para a Turquia, país que representa 80% das negociações do setor, registrou queda. Alguns contratos, inclusive, já foram cancelados.

(Foto: Diego Padgurschi / FolhaPress)

“Nós sempre exportamos um navio com 27 mil cabeças todo mês. Neste mês não haverá embarques, estão cancelados até o final do ano”, disse ao Canal Rural o produtor e exportador Silvio de Castro Cunha.

Estavam sendo transportados, do Brasil para a Turquia, quase 480 mil bois por ano. A expectativa para 2018 era de exportar cerca de 700 mil. A meta, no entanto, não foi cumprida e nem metade do que era esperado foi transportado.

Os exportadores pretendem, agora, negociar com o Oriente Médio e com a China, que são vistos como potenciais parceiros da exportação brasileira. No entanto, há dificuldades, como a distância e, segundo Cunha, as “restrições para que esse mercado encontre outros destinos rapidamente”.

Apesar da queda atualmente registrada, nos últimos dois anos a exportação dobrou no porto de São Sebastião, no litoral de São Paulo. Segundo dados da Companhia Docas de São Sebastião, em 2016 foram embarcados 46 mil animais, 51 mil em 2017 e somente nos primeiros sete meses deste ano foram 92.388 bois exportados.

(Foto: Diego Padgurschi / FolhaPress)

Os portos paulistas, de Santos e São Sebastião, representaram 18% das exportações de bois vivos do país em 2017, sendo 6,6% em Santos. Em Barcerena, no Pará, e em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, também há portos que exportam animais vivos. Foram 267 mil bois vivos exportados em navios em 2017 pelo porto de Barcarena, mais de 60% do total do Brasil.

O principal destino é a Turquia – que, agora, cancelou diversos contratos. Em uma viagem longa e exaustiva, que dura semanas, os bois são transportados em ambiente superlotado, sem espaço para que deitem e descansem, e suportam ruído alto gerado pelo sistema de ventilação da embarcação. Casos de animais que viajam em meio a grande quantidade de fezes e urina, devido inclusive à dificuldade de limpeza do ambiente, são comumente relatados.

O número, no entanto, vai além do divulgado pela companhia. Isso porque no último dia 12, 5.400 bois vivos foram embarcados no navio Queensland. A quantidade de animais exportados coloca o Brasil na segunda posição do ranking de maiores exportadores de bois vivos, ficando atrás apenas da Austrália.

(Foto: Diego Padgurschi / FolhaPress)

Crueldade animal

Ativistas denunciam os maus-tratos impostos aos animais, que suportam condições insalubres e cruéis, e pedem o fim das exportações. Os argumentos dos ativistas de que os animais sofrem, entre outras questões, com o excesso de fezes e urina presente dentro das carretas e navios é confirmado pelo aumento das críticas feitas por vizinhos do porto de São Sebastião. Isso porque moradores reclamam de mau cheiro e do rastro de excrementos dos animais deixado na cidade.

O odor, inclusive, levou o empresário Valdner Bertotti, vice-presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos (Abreav) e proprietário da VB Agrologística, que atua no porto, a instalar um sistema que capta partículas de amônia e libera uma essência no ar como forma de combater o mau cheiro.

(Foto: Diego Padgurschi / FolhaPress)

“Ele tem um grande alcance, chega até a zona residencial. Com isso, acreditamos que reduzimos as reclamações”, disse Bertotti, em entrevista à Folha de S. Paulo.

A tática do empresário, no entanto, beneficia apenas humanos que sofrem com os odores advindos das fezes e urina dos animais, mas em nada colabora para mudar a realidade dos bois, que permanecem sendo forçados a suportar o forte odor e a viajar em condições degradantes para que, ao chegar no destino, tenham as vidas tiradas imediatamente ou após um período de engorda.

Regras para a exportação

Para poder exportar animais vivos, é necessário que o pecuarista tenha um EPE (Estabelecimento Pré-Embarque) – são 11 deles em São Paulo e 42 em todo o país.

De acordo com a Companhia Docas, na operação de exportação o porto oferece a infraestrutura e o embarque é realizado pelas empresas de logística que atuam no local. Entre a chegada dos primeiros caminhões com animais e o o final do embarque, a operação pode levar mais de 24 horas.

Para que a exportação realizada pelo porto de São Sebastião no último dia 12 fosse efetivada, 98 caminhões saíram de uma propriedade rural em Sales (a 444 km de São Paulo) transportando animais rumo ao porto.

 

ANDA move ações contra exportação de animais

A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.

O pedido das entidades foi aceito pelo desembargador Luis Fernando Nishi, que determinou a suspensão imediata das operações no porto no final de janeiro deste ano. Dias depois, entretanto, a liminar foi derrubada por um recurso impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU) e o navio seguiu viagem.

A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.

Após a ação ter extraviado, a ONG impetrou um mandado de segurança solicitando o julgamento da liminar. O mandado foi deferido pelo juiz Dr. Guilherme Kischner que, em abril, suspendeu temporariamente os embarques no porto.

Nota da Redação: a ANDA é veementemente contra a exportação de animais vivos e entende que a atividade é extremamente cruel do ponto de vista dos direitos animais, além de ser prejudicial para o meio ambiente, devido aos dejetos e corpos triturados de animais mortos que são lançados ao mar, impactando negativamente a vida marinha e o ecossistema. 


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

PRESERVAÇÃO

VAQUINHA ON-LINE

FINAL FELIZ

LEALDADE

COMPROMISSO

ESPECIAL

MAUS-TRATOS


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>