Após anos trancafiada em parques temáticos orca tem um bebe e é afastada dele


Orca Morgan no Parque Loro na Espanha | Foto: FMO/Free Morgan Organization
Orca Morgan no Parque Loro na Espanha | Foto: FMO/Free Morgan Organization

Morgan era uma orca jovem e livre quando foi capturada pelo Dolfinarium Harderwijk, um parque temático holandês, em 2010 na costa dos Países Baixos. Ela nadava sozinha, estava extremamente magra e ferida, porém nunca havia sido confinada.

O governo holandês permite legalmente esse tipo de captura sob a nomenclatura de “resgate, reabilitação e libertação”, porém a parte da libertação nunca ocorreu.

A saga de Morgan estava apenas começando. O parque a manteve por 18 meses em um tanque tão pequeno que ela mal podia se mexer, a orca ainda foi obrigada a aprender truques indignos em troca de comida e perdeu sua liberdade.

Temendo o pior, um grupo de ONGs locais se uniu formando a Coalizão Orca e junto com especialistas de todo o mundo, processaram o governo holandês (que emitiu a licença) e o parque temático, que violou a autorização.

Infelizmente Morgan foi despojada de seus direitos pelo tribunal, numa cadenciada mistura de infortúnios, a corte ignorou evidências cruciais, descartou opiniões de especialistas em orcas, negligenciou aspectos da lei que protege os animais no pais, o que resultou em um veredito em que Morgan foi enviada a outro parque temático, dessa vez na Espanha, nas Ilhas Tenerife: O Parque Loro.

Morgan foi tratada como um ativo e não como um ser vivo durante todo o processo.

A aprovação de sua emigração pelo ministério holandês deliberava que ela seria “utilizada” apenas para fins de pesquisa, porém ela passou a fazer parte do time de apresentações do parque.

As demais orcas, nascidas no cativeiro, sem laços familiares com Morgan, a rejeitaram, não permitiram sua entrada no grupo e ela chegou até a ser atacada por uma delas.
Embora entre os termos de transferência existisse uma cláusula que não permitia a exploração do animal para procriação ou shows e do fato dela ser uma orca selvagem protegida pela legislação da União Europeia e pela convenção da CITES – Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (Convenção Internacional do Comércio de Espécies Ameaçadas da Flora e da Fauna Selvagem) – e sob essas regras é estritamente proibido fazer uso do animal para fins de reprodução ou entretenimento, ela mesmo assim ela teve um bebê em cativeiro.

Apesar de ter dado a luz há apenas alguns dias (segundo informação do parque, o bebê de Morgan nasceu dia 22 de setembro) ela e seu bebê já foram separados em um período que é crucial para criação do laço mãe e filho e início da amamentação. A orca, inclusive, já foi colocada de volta nas apresentações do parque.

O primeiro vídeo de Morgan e seu bebê mostra o filhote no que parece ser uma tentativa de mamar no “umbigo” de sua mãe, em vez de em suas mamas onde os bicos dos mamilos estão escondidos. O Loro Parque postou o vídeo, mencionando possíveis problemas de alimentação (sendo que o show já esta aberto ao público, logo após o nascimento): “Os primeiros dias na vida de um cetáceo são críticos e todos nós fomos encorajados pelos fortes instintos maternais de Morgan e pela forma como ela está cuidando de seu filhote”, escreveram eles.

O bebê de Morgan tem pela frente uma vida em cativeiro, onde será explorado em shows de entretenimento e para fins de exibição pública em um tanque de dimensões enxutas, tão diferente do oceano imenso onde sua mãe nasceu. É fato que o filhote foi gerado com intuitos comerciais pelos donos do parque.

Foi criada uma fundação sem fins lucrativos, a Free Morgan Fundation, para lutar pela liberdade de Morgan e devolvê-la aos mares da Noruega, onde a ONG afirma que ela nasceu. Entre as muitas ações da fundação estão os processos judiciais contra as quebras de normas feitas pelo parque temático e o acompanhamento próximo das condições do animal. A fundação denunciou por meio de fotos comportamentos típicos de zoocose por parte da orca. Zoocose é o conjunto de comportamentos repetitivos que animais em cativeiro adotam em função do stress sofrido e da privação da liberdade. No caso de Morgan, ela bate repetidamente a cabeça contra o mecanismo de fechamento e abertura dos portões do tanque. Auto-mutilação, movimentos repetitivos, andar em círculos e bater a cabeça contra paredes e jaulas estão entre os comportamentos que denotam sofrimento animal em claustro.

A luta pela libertação de Morgan continua, movida principalmente contra a representação da ambição humana, que se coloca como poder decisório sobre o direito inato e incontestável do animal à liberdade.


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