Comissão aprova documento que reforça proibição da caça de baleias


A Comissão Internacional da Baleia (CIB) aprovou, durante evento realizado em Florianópolis (SC), a Declaração de Florianópolis, que reafirma a proibição da caça de baleias e defende o redirecionamento de recursos e prioridades da CIB para ações não letais, como pesquisas, estudos de sustentabilidade e turismo de observação. A aprovação do documento garante a manutenção da moratória global, que ao ser colocada em vigor a partir de 1986 proibiu a caça de baleias em todo o mundo.

(Foto: Fotolia / Gudkovandrey)

A votação registrou 40 votos favoráveis, 27 contrários e quatro abstenções, garantindo vitória para os direitos animais. No entanto, outra proposta ainda será votada, provavelmente nesta quinta-feira (13). Trata-se de um debate, proposto pelo Japão, que irá analisar a questão da liberação da caça de baleias. O objetivo é discutir a possibilidade de legalização da captura em larga escala, com objetivo de comercializar carne, óleo e gordura das baleias, colocando esses animais em risco de extinção. É provável, no entanto, que a proposta do Japão não seja aprovada por insuficiência de votos. Isso porque a Declaração de Florianópolis deixa claro que a comissão tem maioria favorável à moratória. As informações são do Diário Catarinense.

O objetivo do Japão é por fim à moratória sobre a caça. No entanto, a restrição não impede que o país utilize um artigo da comissão que permite a pesca de animais para estudo científico e, sob o argumento de realização de pesquisa, capture cerca de mil baleias por ano entre o Pacífico e a Antártida. Para alterar o artigo que criou a convenção em 1946, impedindo que o Japão se utilize dele para matar esses animais, seria necessário convocar uma reunião diplomática para operar o tratado, o que não deve ser feito neste ano.

A postura do Japão diante da caça de baleias aflige ativistas e ambientalistas. De acordo com o representante do Instituto Baleia Jubarte, da Bahia, José Truda, que acompanha as comissões há 30 anos, a proposta é preocupante porque o Japão é o único país que mantém a pesca baleeira de longo curso, deslocando-se até o Hemisfério Sul para caçar. Voltar a permitir a caça de baleias pode fazer com que baleias-francas que se reproduzem nas proximidades do litoral de Santa Catarina sejam capturadas, colocando em risco a existência da espécie, que já sofreu com a caça no passado e ainda tenta se recuperar.

Santuário de Baleias no Atlântico Sul

Na tentativa de preservar as baleias, foi colocada em votação durante a 67º reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB), na última terça-feira (11), o projeto de criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul, que vem sendo submetido à votação desde 2001. A proposta não foi aceita.

A comissão também aprovou a caça de mil baleias para fins de subsistência indígena em países como Rússia, Estados Unidos, Dinamarca (Groenlândia) e St. Vincent & Grenadines. Nesta votação, de forma omissa, o governo brasileiro preferiu se abster.

“Uma vez mais a proposta do Brasil, Argentina, Uruguai, África do Sul e Gabão para criar um Santuário de Baleias do Atlântico Sul foi bloqueada pelo bloco de países pobres reféns da pressão econômica do Japão na Comissão Internacional da Baleia. Apesar de obter, como em vários anos anteriores, uma maioria de votos, a proposta precisaria de 3/4 de votos para ser aprovada. Foram 39 votos favoráveis, 25 contrários e três abstenções”, afirmou Truda, um dos propositores do Santuário, em entrevista ao Instituto Sócio Ambiental Santinho.

O objetivo do santuário é de se antecipar a uma possível aprovação da caça para proteger espécies ameaçadas de extinção que vivem na bacia oceânica do Atlântico Sul e criar uma zona de cooperação e pesquisa entre os países da África e da América do Sul.

Baleias têm mais valor se estiverem vivas

Para Truda, baleias têm muito mais valor para a humanidade se estiverem vivas do que mortas. Aumentar a população de baleias, segundo ele, pode trazer benefícios para o ecossistema em que elas vivem, gerando mais retorno econômico com a observação do que com a caça e o comércio de carne, óleo e gordura.

“As baleias proporcionam emprego e renda para as comunidades costeiras através do turismo de observação, e isso no Brasil vem se desenvolvendo muito bem. Mas também há pesquisas da importância da espécie no ecossistema marinho para ciclagem de nutrientes e absorção de carbono pelos oceanos. Então elas cumprem funções ecológicas que são essenciais para o futuro da humanidade”, relata o representante do Instituto Baleia Jubarte.

Atualmente, segundo Truda, a região brasileira tem grande quantidade de baleias em recuperação, como as baleias-francas em Santa Catarina e as jubarte no Espírito Santo e na Bahia, o que representa mais uma razão para impedir a caça. O especialista considera a costa brasileira como uma das regiões do mundo em que ocorre de forma mais expressiva a recuperação da população baleeira dizimada pela caça, que era realizada até a década de 1980.


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