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Protetores denunciam maus-tratos e abandono de gatos em cemitério da cidade de SP

3 de setembro de 2018
4 min. de leitura
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“É uma crueldade. É uma desumanidade”, desabafa protetora em vídeo | Foto: Reprodução

Uma ameaça silenciosa e cruel espreita a colônia de gatinhos que vive no Cemitério São Paulo, localizado no bairro Pinheiros, zona Oeste da cidade. Abandonos e maus-tratos estão virando rotina no local e assustam protetores que voluntariamente lutam para salvar e oferecer a estes animais dignidade e respeito.

Em entrevista à ANDA, Isabel Carballo, que é protetora há 10 anos, conta sobre o clima de medo e insegurança que se instalou após dois casos recentes de crimes contra gatinhos que vivem no cemitério. “Não tem matança, eu nunca vi um animal morto, mas tem maus-tratos e abandono que é o que a gente quer evitar ou minimizar o máximo possível com câmeras e cartazes que informem que abandonar é crime”, afirma.

Gatinha Larissa luta para sobreviver | Foto: arquivo pessoal

Recentemente um gatinho foi encontrado no local mancando após supostamente ser sido agredido. No segundo caso, uma gatinha, carinhosamente batizada de Larissa, precisou ser submetida a uma cirurgia após ter sido atingida por um chute em sua mandíbula. Ela emagreceu muito e luta para sobreviver. A gata precisa de cuidados e tem dificuldades para se alimentar. Uma outra gatinha, chamada Lola, foi encontrada no cemitério sem pelos no abdômen. Ela foi abandonada recentemente e ainda precisa ser castrada.

Em um vídeo postado no canal “Alberto Federal” no YouTube, Isabel desabafa sobre a situação e vulnerabilidade dos animais que vivem no local. Ela também conta um pouco sobre a histórias de Larissa e como a gatinha se tornou um símbolo de resiliência. Veja o vídeo abaixo:

A protetora conta também que local abriga cerca de 50 gatos, muitos deles castrados por ela, mas lamenta que este número se eleve diariamente. “Eu nunca vi tantos”, disse a protetora. “Nos últimos anos fomos castrando, mas como tem abandono, nós perdemos o controle”, desabafa. Um protetor que mora próximo ao local alimenta voluntariamente os animais.

Isabel tem 80 anos e cuida de 30 gatos em sua residência. Ela mora a três quarteirões do cemitério que fica localizado entre as ruas Cardeal Arcoverde e Henrique Schaumann. A rotina é homérica e além de alimentar os animais, também os captura para que sejam castrados. O trabalho é de formiga, pois constantemente são encontradas gatas grávidas no local e cada vez mais animais são abandonados ou atraídos pela oferta de alimento.

Larissa se alimenta com ajuda de uma sonda esofágica | Foto: arquivo pessoal

Devido à falta de tempo para aguardar a morosidade dos agendamentos para a castração do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a protetora buscou uma alternativa e conseguiu parceria com uma clínica veterinária que cobra valores populares. Ela custeia os procedimentos com o próprio dinheiro e com a ajuda de colaboradores: o principal objetivo é que a população de animais sem lar não aumente.

Utilizando o método C.E.D.(Castração, Esterilização e Devolução), Isabel afirma que infelizmente não possuiu condição de adotar os animais e abrigá-los. Ela relata que há muita dificuldade de conseguir adoção para os gatinhos que vivem na colônia, pois são felinos ariscos e muito assustados. Muitos deles ainda tentam superar a dor do abandono e os traumas da maldade humana.

Agora, ela e outros protetores reivindicam a instalação de câmeras a fim de coibir o abandono de animais e futuros casos de maus-tratos. Isabel abriu um protocolo junto à Prefeitura Regional de Pinheiros denunciando crimes contra animais no cemitério. O prazo de resposta informado foi de 60 dias. Tentamos contato com o órgão público, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta matéria.

Gatas grávidas como a da imagem são encontradas regularmente no local | Foto: arquivo pessoal

Para saber como ajudar os gatinhos resgatados, entre em contato com a Isabel através do telefone (WhatsApp): 11 97454-3944.

Nota da Redação: lamentavelmente casos de crueldade contra gatos em cemitérios de São Paulo são noticiados frequentemente na ANDA através de informações fornecidas por protetores de independentes e ONGs de proteção animal. Casos como o da Quarta Parada, denunciado pela ANDA pela primeira vez em 2016, ainda não encontraram apoio do poder público e multiplicam o número de animais indefesos mortos pela covardia humana sem investigação e punição. Protetores como Isabel Carballo são verdadeiras heroínas que abdicam muitas vezes da própria vida por amor aos animais. Eles fazem do mundo um lugar melhor e ajudam a minimizar as consequências de planejamentos públicos e políticos defeituosos que excluem seres frágeis e inocentes, os condenando ao desamparo.

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