Demissão de ministro mostra força do lobby dos caçadores de animais na França


O pedido de demissão do ministro francês da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, trouxe novamente à tona o debate sobre a caça de animais selvagens no país. A pressão do lobby dos caçadores foi apresentada como a gota d’água que provocou sua saída do governo e chamou a atenção para a ação dos grupos de influência na vida política.

(Foto: JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP)

Ao anunciar sua demissão, Hulot relatou que havia participado de uma reunião de trabalho para discutir a situação dos caçadores e, ao entrar na sala, deparou-se com a presença de Thierry Coste, famoso lobista que atua junto à Federação Francesa dos Caçadores. O objetivo do encontro era falar do preço da licença obrigatória para os caçadores, que atualmente custa 400€ (quase R$ 2 mil). Depois de muito debate, o valor da autorização foi cortado pela metade. Para o ministro, o resultado da negociação foi mais uma prova da influência dos lobbies na vida política francesa e, diante da situação, preferiu renunciar.

Além de alertar para os lobbies, o episódio levantou novamente a questão da caça de animais selvagens na França. Segundo os últimos números oficiais (que datam de 2015), o país conta com mais de um milhão de praticantes cadastrados.

Essencialmente homens, eles vêm de todos os meios profissionais, sociais e econômicos. Além disso, a tradição de consumir carne de caça (gibier) é mantida em todo o país e são inúmeros os restaurantes onde é possível consumir javali, lebre ou gansos e patos selvagens.

Deputados “caçadores”

Organizados, além dos lobistas profissionais, os caçadores também têm presença efetiva na Assembleia Nacional. Atualmente, 118 dos 577 deputados franceses fazem parte do chamado “Grupo da Caça”, formado por políticos que discutem e geralmente defendem abertamente os interesses da Federação dos Caçadores franceses. Eles representam um dos maiores grupos de parlamentares.

Durante as campanhas políticas, inclusive a presidencial, muitos candidatos também tentam seduzir esse eleitorado. Afinal, esses mais de milhão praticantes registrados, assim como seus familiares e amigos, podem pesar numa eleição. Por essa razão, os privilégios dos caçadores são raramente questionados.

Caça presidencial e espécies protegidas em risco

O próprio presidente francês, Emmanuel Macron, disse durante sua campanha que gostaria de desenvolver as atividades de caça de animais selvagens. O chefe de Estado pretende, inclusive, ressuscitar uma velha tradição francesa: a Caça Presidencial nos arredores do castelo de Chambord, no Vale de la Loire. O ritual, que data da monarquia e que havia sido abolido por Jacques Chirac em 1995, tinha sua lista de convidados mantida em segredo, mas sabe-se que costumava reunir chefes de Estado, funcionários do alto escalão do governo e grandes empresários.

A Caça Presidencial ainda não foi oficialmente retomada, mas a prática continua em todo o país, inclusive em Chambord, a cerca de duas horas de Paris. Atualmente, durante 12 fins de semana por ano dezenas de caçadores se reúnem para caçar na região. Cerca de 40 javalis e cervos são mortos diariamente nesse período de caça, que começa em setembro.

Os ecologistas geralmente contestam a tradição e lembram que a França é uma exceção na Europa: o país autoriza a caça de 64 espécies de pássaros, enquanto a média europeia é de apenas 14 espécies autorizadas. Entre os animais que podem ser mortos, 20 espécies são consideradas em risco pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, na sigla em inglês).

Nota da Redação: a ANDA se posiciona veementemente contra a caça de animais, seja por controle populacional ou pelo sádico divertimento humano, e reforça que todos os animais devem ter resguardados os direitos à integridade física, à dignidade e à vida, sendo esses direitos que devem ser considerados invioláveis. 

Fonte: RFI


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