MERCADO EXPLORATÓRIO

Comércio de partes de girafas nos EUA tem acelerado extinção da espécie

Estima-se que, na última década, os EUA importaram 40 mil partes de girafas - o que representa a morte de cerca de quatro mil animais

Reprodução | One Green Planet

Uma recente investigação liderada pelas organizações pelos direitos animais Humane Society (HS) e Humane Society International (HSI) analisou o comércio de partes de girafas nos EUA – que é legal no país.

O intuito era conseguir números que comprovassem o impacto deste mercado na quantidade cada vez mais reduzida de girafas na natureza. A espécie se encontra ameaçada de extinção e, atualmente, em menor número que elefantes africanos.

Foram 51 revendedores dos EUA averiguados – 21 lojas físicas que foram visitadas na Flórida, Carolina do Norte, Oklahoma, Texas, Maryland, Tennessee, Nova York e Califórnia, além da exposição Dallas Safari Club, onde varejistas vendiam peças de girafas. As outras que passaram por análises foram lojas on-line.

Reprodução | One Green Planet

Apesar de parecer um mercado ilegal, a verdade é que tudo isso é feito de acordo com as leis atuais do país: a importação e venda de partes de girafas não são proibidas. A crescente demanda por partes de animais “exóticas” tem operações de caça-troféus que trabalham com varejistas para manter o estoque abastecido por colecionadores ávidos e espalhafatosos.

Estima-se que, na última década, os EUA importaram 40 mil partes de girafas – o que representa a morte de cerca de quatro mil animais. Os EUA estão de fato desempenhando um papel significativo no declínio das grandes espécies. E a girafa está certamente sofrendo, com a população reduzindo em 40% nos últimos 30 anos.

Em 2016, a União Internacional para a Conservação da Natureza elevou o status das girafas para “vulneráveis” em sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, com duas das nove subespécies classificadas como “ameaçadas”. “A compra de peças de girafa coloca toda a espécie em risco. A girafa está sendo extinta em silêncio. Com a população selvagem em pouco menos de 100 mil, há agora menos de um terço do número de girafas na África do que elefantes”, disse Kitty Block, presidente em exercício e CEO da HSUS e presidente da HSI, em entrevista ao portal One Green Planet.

“Instamos o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA a listar a girafa como ameaçada pelo Ato de Espécies Ameaçadas para ajudar a combater esse comércio e reduzir o declínio populacional antes que seja tarde demais”, Block enfatiza.

Classificar girafas como ameaçadas pode ser a única chance de salvar a espécie porque baniria a importação e venda de suas partes. Embora infelizmente o mercado negro ainda possa existir mesmo com a proibição, ter a lei em vigor assustaria pelo menos alguns varejistas. Além disso, também poderia ajudar a processar aqueles que lucram do comércio.