Caçadores são multados em R$ 743,5 mil após matarem onças ameaçadas de extinção


Dois caçadores foram multados pelo Ibama em R$ 743,5 mil cada como punição por terem matado duas onças-pardas, espécie ameaçada de extinção, em Trombudo Central, no estado de Santa Catarina. O crime ambiental foi divulgado pelos infratores em vídeos nas redes sociais. A penalidade é resultado de uma investigação inicial feita pela Polícia Civil.

Os caçadores foram enquadrados em quatro crimes: matar espécie silvestre ameaçada de extinção, utilizar de forma indevida a imagem dos animais expondo a crueldade do ato, utilizar de forma indevida licença de caça e deixar de protocolar com o Ibama semestralmente as atividades de caça.

(Foto: Milan Zygmunt / Shutterstock.com / Imagem Ilustrativa)

Isso porque um dos homens, que aparece em destaque nos vídeos divulgados, tinha licença para matar javalis na região, única espécie que, lamentavelmente, tem caça liberada no Brasil como forma de controle populacional. Controle esse que não teve a eficácia comprovada e que, além disso, é extremamente cruel.

Devido à permissão dada ao caçador, ele tinha fácil acesso a armas de fogo e permissão federal para caça, segundo o chefe de fiscalização do Ibama em Santa Catarina, Leonardo Tomaz, que afirma ainda que a licença foi desrespeitada no momento em que foi usada para matar outros animais. Por isso, o documento foi cancelado e a arma de fogo que está em posse do homem será recolhida.

O fato do caçador ter usado a facilidade ao acesso às armas para matar outras espécies confirma o que ativistas e ambientalistas têm alertado há tempos: a liberação da caça ao javali não só é cruel, como também coloca em risco outros animais, inclusive os que sofrem ameaça de extinção. A não protocolação semestral junto ao Ibama das atividades de caça por parte do caçador também vai de encontro ao que os defensores dos animais e do meio ambiente afirmam ao denunciar a fiscalização ineficaz, que aumenta os riscos aos quais os animais são submetidos devido à caça. As informações são do portal GaúchaZH.

“São animais raríssimos em Santa Catarina. Acreditamos que eles só conseguiram pegar esses animais pela prisão do filhote, o que deixa a mãe muito vulnerável. Com isso eles atacaram os dois com pedradas, pauladas e atiraram com arma de fogo. Além disso eles utilizaram cães na caça, o que é proibido”, contou Tomaz ao abordar a morte das onças, que resultou de atos de extrema crueldade.

Os dois caçadores alegam que o vídeo é de anos atrás. A época, no entanto, não interfere na realidade exposta pelas imagens, que estão sendo periciadas, e na gravidade da ação dos homens.

(Foto: Divulgação / Imagem Ilustrativa)

Registros de caça de onça-parda tem aumentado na região do Vale do Itajaí, segundo o cabo Gioni Otte, da Polícia Militar Ambiental de Blumenau (SC). “Não fizemos ainda um estudo aprofundado, mas estamos visualizando que está aumentando. Acendeu um alerta”, afirmou.

A bióloga e pesquisadora Cíntia Gruemer, responsável por um projeto de monitoramento de onças-pardas no Parque Nacional da Serra do Itajaí, explica que a caça é o principal motivo para o baixo número de animais da espécie no estado de Santa Catarina. Uma estimativa feita por Cíntia em 2010 concluiu que na região do parque, com 56,9 mil hectares, existiam apenas quatro onças-pardas, um índice de 0,66 por quilômetro quadrado, o menor que se tem conhecimento em áreas de Mata Atlântica no Brasil.

“A situação é gritante, estamos vivendo uma situação de possível lei da caça. Corremos o risco de ter uma floresta vazia, e uma floresta vazia não se sustenta, a interação da fauna e flora é fundamental”, alertou a pesquisadora ao abordar um projeto de lei que tramita em nível federal, de autoria do deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), que revoga a atual legislação, permitindo a caça de outras espécies, além do javali – única permitida atualmente. O assunto gerou inúmeras críticas de ambientalistas e ativistas, que alertam para os riscos da proposta não só no que se refere ao sofrimento animal, mas também em relação à possibilidade de extinção de espécies, entre outras questões. Uma manifestação contrária ao PL foi realizada pelo Ministério Público.

 


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