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Pesquisa revela grande pegada ecológica da produção de leite de origem animal

Ele produz quase quatro vezes mais dióxido de carbono do que alternativas à base de plantas

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11/07/2018 às 16:30
Por Paula Borim, ANDA

Uma nova pesquisa encomendada pela marca vegana de leite de ervilha Ripple, averiguou as diferenças entre o leite de origem animal e o leite à base de plantas. O estudo analisou as emissões de carbono, a percepção do consumidor sobre a nutrição do leite, a participação no mercado, entre outros fatores.

O resultado destacou uma grande divergência entre as emissões de carbono do produto de origem animal e de origem vegetal.

O pesquisador Stefan Unnasch, da Life Cycle Associates, descobriu que a produção de um litro de leite de ervilha resulta em 387 gramas de emissões de dióxido de carbono, derivadas principalmente do uso de fertilizantes e irrigação com água. O mesmo volume de leite de amêndoa resulta em 396 gramas de dióxido de carbono e leite de soja apenas um grama a mais.

Em comparação, a produção de um litro de leite de vaca produz 1.467 gramas de dióxido de carbono. Este valor é mais de três vezes e meia maior que os resultados mais altos do leite à base de plantas.

Unnasch também observou que as culturas de ervilha e soja nivelaram o nitrogênio no solo, o que reduziu a pegada de carbono de ambas as espécies de plantas.

“Todos os leites à base de plantas estão muito abaixo dos laticínios”, disse Unnasch. “Mas em uma base de proteína, o leite de ervilha é menor do que amêndoa.” Em resposta, Molly Spence, representante da Almond Board of California, disse que a proteína não é a primeira coisa que o consumidor pensa enquanto navega no corredor de laticínios. “Ninguém compra leite pelo seu teor de proteína”, observou ela.

Novo estudo afirmou que produção de leite de origem animal emite mais dióxido de carbono do que as alternativas à base de vegetais.

Leite vegano além de representar séria ameaça às vendas de produtos lácteos também causa impactos muito menores ao planeta (Foto: Reprodução / VegNews)

Spence apontou outra pesquisa sugerindo que pomares de amêndoas poderiam mitigar metade das emissões de carbono causadas pela produção devido à forma como as árvores retêm carbono dentro de seus troncos e no solo.

Juntamente com o crescente número de relatórios que destacam a ligação entre a mudança climática e a pecuária, a demanda por esses produtos está diminuindo. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, o consumo de leite caiu 37% desde a década de 1970. Mais recentemente, o consumo de leite fluido per capita caiu 9,7% nos últimos cinco anos, com o consumo de sorvetes lácteos também diminuindo em 3,3%.

De acordo com a empresa de pesquisa Neilson, entre 2011 e 2016, as vendas de leite de amêndoa dispararam em 250%. Dados recentes confirmaram essa crescente demanda, já que o mercado de alternativas veganas a produtos lácteos faturou US $ 9,8 bilhões no ano passado, número que deverá continuar subindo.