Conservação

Luzes em redes de pesca impedem que animais marinhos morram enroscados

A técnica barata e eficaz não afeta a quantidade de peixes capturados e mostra-se promissora na prevenção da morte desnecessária de criaturas marinhas

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12/07/2018 às 16:00
Por Paula Borim, ANDA

A simples colocação de luzes LED brilhantes nas redes de pesca tem o poder de afastar as tartarugas e as aves marinhas que são suscetíveis a ficarem presas nelas e morrerem.

A colocação de luzes LED nas redes de pesca tem o poder de afastar as tartarugas e as aves marinhas que são suscetíveis a ficarem presas nelas e morrerem.

Tartarugas comumente são encontradas mortas presas a redes de pesca. (Foto: Divulgação/IPM)

As capturas acessórias ocorrem quando animais como tartarugas, pássaros e golfinhos são capturados acidentalmente por redes. Devido ao aumento no número de mortes em consequência das capturas, isso tornou-se um grande problema internacional.

Um estudo recente revelou que apenas uma pequena amostragem de pescadores na América do Sul são responsáveis pela morte de  milhares de tartarugas todos os anos. Dessa forma, os cientistas têm buscado com urgência maneiras de impedir esse massacre sem interromper a subsistência das pessoas.

O novo trabalho baseia-se em técnicas anteriores, pioneiras de cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, que reduziram as capturas acessórias de tartarugas marinhas.

Procurando replicar o sucesso desses estudos em outros lugares, o Dr. Jeffrey Mangel, da Universidade de Exeter, testou essas redes em pequenas operações de pesca no Peru. Eles descobriram que não só reduziu a captura de tartarugas em cerca de dois terços, como também teve outro resultado animador.

“Começamos a examinar os dados com mais detalhes e percebemos que parecia que as capturas secundárias de aves marinhas também estavam diminuindo”, disse Mangel ao The Independent.

No total, as redes equipadas com LEDs capturaram 85% menos cormorants guanay, aves nativas de mergulho que frequentemente acabam presas e morrem nas redes, em comparação àquelas sem luz.

“É aí que fica interessante, porque até agora as técnicas para reduzir as capturas acessórias normalmente pensam apenas em uma coisa. Esse método sozinho torna mais fácil encontrar uma solução para evitar todos os problemas de captura acessória.”

Devido ao preço acessível, confiabilidade e durabilidade das luzes, os pesquisadores acham que essa pode ser uma maneira fácil e significante de reduzir as capturas acessórias.

A pesquisa foi publicada na revista Royal Society Open Science.

“A captura que os pescadores estavam fazendo não mudou quando colocamos as luzes na rede. Então eles pegaram a mesma quantidade de peixe, mas não pegaram nenhuma tartaruga ou pássaro”, disse Mangel.

Isso é essencial, pois encontrar maneiras de proteger a vida selvagem e, ao mesmo tempo, colaborar com os pescadores locais será crucial para que as mudanças sejam feitas em qualquer escala significativa.

“Precisamos encontrar maneiras para os povos costeiros pescarem com o menor impacto sobre o resto da biodiversidade em seus mares”, concordou o professor Brendan Godley, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores estão agora trabalhando em pescarias peruanas maiores, experimentando diferentes luzes coloridas e descobrindo se as mesmas técnicas podem ser aplicadas para proteger espécies mais ameaçadas.