Turismo sem ética

Vídeo revela exploração de elefante em resort indiano

Um manipulador foi flagrado enfiando um bastão pontiagudo diversas vezes no animal para que ele esguichasse água em um turista montado em suas costas.

Um vídeo feito pelo jornal britânico The Independent mostra um elefante asiático adulto sendo forçado a banhar turistas com sua tromba em um resort na Índia. As imagens mostram um manipulador empunhando um grande bastão, que enfia diversas vezes no animal para que ele esguiche água.


Além dos tratamentos capturados no vídeo, os elefantes mantidos no Jungle Book Resort, no leste do estado de Goa, vivem com as patas dianteiras e traseiras acorrentadas. O estabelecimento também oferece aos turistas passeios nos animais, que chegam a carregar até três pessoas de cada vez.

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O fundador da a Wildlife SOS, a maior ONG defensora do bem-estar animal na Índia, Kartick Satyanarayan, disse que o vídeo é “chocante” e que o tratamento dado aos elefantes configura um caso de crueldade animal.

Descrevendo o que acontece no vídeo, ele disse: “Ele está cutucando [o elefante]. É um longo bastão com uma extremidade pontuda. Você pode ver que ele está conscientemente tentando esconder isso. ”

Foto: Reprodução

A ONG realiza diversas campanhas de conscientização acerca da brutalidade envolvida no treinamento de elefantes explorados em passeios, turismo, e trabalho manual. “É um processo muito cruel e muito brutal”, comentou Satyanarayan.

As estadias no resort Jungle Book podem ser reservadas pelo TripAdvisor, apesar da empresa ter proibido em 2016 a vendas de atrações que envolvem passeios de elefante e outros contatos físicos com animais silvestres em seu site.

Um usuário do site, identificado como Luke C, da cidade de Birmingham, na Inglaterra, visitou o local em abril deste ano, e escreveu em sua resenha no TripAdvisor que o resort maltratava os elefantes. “O elefante que fez o ‘chuveiro’ tinha feridas abertas em sua cabeça e uma corda amarrada em volta do pescoço, que o machucava e permitia que os turistas subissem nele”, descreveu. “No geral, uma experiência terrível.”

Os elefantes são um ícone nacional e uma espécie em extinção na Índia, com apenas 22.000 espécimes restantes. Eles são nomeados animais da Lista 1 no Ato de Proteção à Vida Selvagem de 1972, o que significa que aqueles que os abusam podem enfrentar até sete anos de prisão.

No entanto, o destino de cerca de 3.500 elefantes em cativeiro permanece uma área imprecisa nas leis da Índia. As licenças para mantê-los podem ser obtidas com o chefe da guarda florestal dos estados indianos e, em 2016, a Suprema Corte considerou que os animais poderiam ser mantidos desde que os tutores não sejam “indelicados”.

Satyanarayan disse que os turistas internacionais e o público em geral “precisam entender o que se passa por trás do processo de adestramento”. Atrações de elefantes comercialmente bem-sucedidas “criam uma demanda que impulsiona mais caça, mais brutalidade, mais tráfico e mais animais em cativeiro”, disse ele.

“Toda pessoa que monta um elefante deve saber que, alguns minutos de alegria, significam uma vida de pesadelos para aquele animal”, afirmou Satyanarayan.

A empresa que opera o resort Jungle Book, Goa Ecotourism Adventures, não se pronunciou sobre o assunto. Uma pessoa que atende os telefones no local disse que eles não foram capazes de comentar sobre o bem-estar dos elefantes, e que o diretor Joseph Barreto estava fora do país.

Nota da Redação: Locais que aprisionam animais devem ser completamente extintos. Casos como o resort Jungle Book servem para alertar a população mundial sobre a injustiça e crueldade escondida atrás atrações que mantêm animais em cativeiro apenas para divertimento humano. É preciso clarear a consciência para entender e respeitar os direitos animais. Eles não são objetos para serem expostos e servirem ao prazer de seres humanos. As pessoas podem obter alguns minutos de entretenimento, mas para eles é uma vida inteira de exploração e abusos condenados pelo egoísmo humano.